Cotidiano Dieta e Alimentação Prebióticos e probióticos: qual a diferença?

Prebióticos e probióticos: qual a diferença?

Todos nós precisamos nos alimentar diariamente para manter a saúde e até mesmo o bom humor. Necessitamos de vitaminas, sais minerais, água, gorduras, açúcares e proteínas, que são o “combustível” fundamental para o funcionamento de todas as nossas células: eles são a nossa fonte de energia. Alguns alimentos, no entanto, garantem benefícios extras: é o caso dos alimentos funcionais: entre eles, os probióticos e prebióticos.

Os dois componentes já são famosos pela capacidade de facilitar o trânsito intestinal e eliminar a incômoda prisão de ventre, caracterizada por dores abdominais e borborigmo (movimentação de gases no estômago e intestinos, causados pela digestão incompleta dos alimentos) e um dos principais motivos de ausência ao trabalho. Prebióticos e probióticos são excelentes para eliminar este mal, que afeta 20% da população mundial.

Só para explicar

Uma explicação necessária: o borborigmo, na verdade, é uma função natural do sistema digestório. O movimento dos gases é provocado pelos movimentos peristálticos gastrointestinais, responsáveis pela excreção dos alimentos não aproveitados na digestão (que resulta na expulsão das fezes e dos flatos, popularmente chamados de puns ou peidos).

Mesmo quando não há nenhum material a ser digerido, os movimentos peristálticos continuam acontecendo. Eles impedem aderências nos órgãos abdominais e, sem eles, haveria consequências bastante danosas. Mas, como o “ronco do estômago” é mais perceptível quando passamos algumas horas sem comer, ele foi identificado popularmente com a fome.

Os probióticos

A palavra significa “a favor da vida”. Os probióticos podem ser produzidos pelas indústrias farmacêutica e alimentícia e caracterizam-se por conter microrganismos vivos (como bifidobactérias e lactobacilos) em sua composição. Depois de consumidos em forma de iogurtes e leites fermentados, estes “bichinhos” se instalam, na sua maioria, nos intestinos e no aparelho urogenital, auxiliando estes órgãos em suas funções.

O leite recém-ordenhado, especialmente de vacas e ovelhas, também é rico em probióticos, mas eles são eliminados no processo de pasteurização. No entanto, nada de correr atrás de leite “orgânico”: a pasteurização também elimina uma série de agentes de nocivos e nos livra de muitas diarreias e infecções intestinais.

A fermentação de alguns produtos derivados do leite já citados e o emprego dos microrganismos em medicamentos garante a ingestão diária ideal, que ultrapassa os sete bilhões de bactérias (número indicado para adultos saudáveis e com peso compatível). O uso de suplementos ou medicamentos só deve ser feito com orientação médica.

Os intestinos são os órgãos responsáveis pela absorção da maior parte dos nutrientes necessários à nossa saúde. Sais minerais como cálcio, potássio e magnésio não seriam utilizados pelo nosso corpo sem o apoio deles. Na verdade, a vida como entendemos seria impossível sem a participação destes convidados desconhecidos em nossas funções metabólicas.

Não são, como se vê, “o feio saco em que o alimento se torna excremento”, como escreveu Dante Alighieri em “A Divina Comédia”. Esta grande capacidade de absorção, no entanto, traz um inconveniente: as paredes dos órgãos também são porta de entrada para agentes infecciosos. Os alimentos probióticos têm a função de eliminar esta probabilidade.

Uns e outros

As bifidobactérias são um dos grupos mais comuns da flora intestinal (já foram identificadas 29 espécies colonizando o corpo humano) e residem preferencialmente no cólon. Estudos clínicos indicam que, além de facilitar a digestão e excreção, estes microrganismos estão associados a uma menor incidência de alergias e parecem auxiliar na prevenção de algumas formas de tumores, particularmente no cólon e no reto.

Estes inumeráveis seres (são dez bilhões de bactérias para cada milímetro quadrado dos intestinos) que coabitam tranquilamente em nosso corpo também garantem o funcionamento adequado do sistema imunológico, aumentam a absorção da vitamina B, inibem a proliferação de agentes infectantes (como fungos, vírus e outras bactérias nocivas) e reduzem a concentração de amônia e colesterol em circulação no sangue.

Os lactobacilos também são bactérias. A classificação “bacilo” é derivada do formato de bastonete destes microrganismos. Eles não são os mais numerosos nos laticínios, mas são muito mais resistentes aos sucos ácidos do estômago (necessários à digestão dos alimentos) e chegam intactos aos intestinos, onde se reproduzem com uma rapidez incrível.

O subproduto dos lactobacilos é um muco que protege as vilosidades (pequenas dobras) do duodeno, jejuno, íleo (intestino delgado), ceco, cólon e reto (intestino grosso). Este muco também recobre as paredes dos órgãos e dificulta a instalação de microrganismos nocivos. Como bonificação, elas também aumentam a sintetização da vitamina B.

A grande vantagem de ingerir lactobacilos e bifidobactérias através de produtos industrializados é que os “bichinhos” já vêm “turbinados” com microrganismos geneticamente selecionados (tanto para ultrapassar a barreira do suco gástrico, quanto para eliminar possibilidades de infecção e cumprir as suas muitas funções em nosso abdômen).

É necessário, no entanto, verificar os rótulos e comparar a quantidade de “bichinhos” na porção e seu equivalente ao valor diário nutricional. Já está comprovado que as bactérias presentes nos leites fermentados são mais resistentes à passagem pelo estômago.

Nem por isto, no entanto, os iogurtes devem ser desprezados. Uma dieta saudável sempre exige equilíbrio. Mas não se esqueça de manter leites fermentados e iogurtes sob refrigeração; do contrário, os “bichinhos” bons estarão em más condições para sobreviver, enquanto os “bichinhos” maus encontrarão o melhor dos mundos.

Alimentando a flora intestinal

Os prebióticos não contêm microrganismos vivos (melhor dizendo: na verdade, tudo o que consumimos está lotado de bactérias e fungos, mas em pequenas quantidades, que não resistem ao trabalho do nosso estômago).

Os compostos prebióticos são ricos em fibras não digeríveis, que prolongam a digestão e servem de alimentos por bactérias e fungos já existentes nos intestinos. Deixando os “bichinhos” de barriga cheia, eles aumentam a sua expectativa de vida e o seu trabalho em favor da nossa saúde.

Os prebióticos (palavra que significa “algo que permite a vida”) são encontrados em fontes de nomes complicados: frutooligossacarídeos (FOS) e inulina. Mas, não é preciso correr a um laboratório farmacêutico para encontrá-los: os dois são encontráveis em quantidades adequadas principalmente nos produtos de origem vegetal: o FOS está cebola, alho, tomate, banana, cevada, aveia, trigo, mel e cerveja (não é justificativa para “encher a cara”). A inulina pode ser absorvida com o consumo de escarola (especialmente os talos e nervuras), alho, cebola, aspargo e alcachofra.

É importante notar que os dois nutrientes estão presentes em ingredientes comuns da culinária brasileira: alho e cebola. No momento do preparo, no entanto, é necessário tomar um cuidado: o aquecimento excessivo elimina a maioria dos nutrientes contidos nos alimentos. Portanto, deve-se tomar cuidado para não aquecê-los acima de 180°C (fogo brando). Isto não altera o tempo de cozimento e garante o atendimento às necessidades nutricionais.

Todas as funções dos probióticos são fortalecidas pelos prebióticos, com uma função extra: as fibras insolúveis contidas nestes últimos diminuem a passagem dos alimentos do estômago para os intestinos. Com isto, a sensação de fome, após uma refeição, chega bem mais tarde. Isto pode ser bem útil em uma dieta para perda de peso, mas é o que garante o sucesso das pessoas naturalmente magras, mesmo que elas se alimentem adequadamente apenas por prazer ou intuição.

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