Cachorra cega reencontra a família depois de semanas perdida

Uma cachorra idosa e cega vagou pela floresta por três semanas, até ser encontrada pela família.

Em pleno verão do Alasca (EUA), uma família perdeu a melhor amiga, uma cachorra da raça golden retriever. Durante três semanas, os Kubacki percorreram sem sucesso a floresta Tongass – a maior reserva florestal dos EUA – em busca do animal, que é idoso e portador de deficiência visual.

O episódio aconteceu em Sitka, uma pequena cidade de nove mil habitantes no extremo sul do Estado. A região é muito úmida (chove a cada dois dias) e as temperaturas médias no verão variam entre 9°C e 16° C. A cachorra cega passou maus bocados enquanto estava perdida.

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CRÉDITOS: AP

A família ficou igualmente aflita. Com o passar dos dias e semanas, os parentes da cachorra foram ficando totalmente desesperados. Os Kubacki chegaram a receber mensagens de texto falando sobre a identificação de uma cachorra com características parecidas.

Infelizmente, tratava-se de um trote. Alguém foi suficientemente cruel para enviar as mensagens, reavivar as esperança dos parentes da golden retriever perdida, para, poucas horas depois, simplesmente dizer que foi “uma brincadeira” – sempre por SMS.

O reencontro

Ted Kubacki, tutor da cachorra, contou à imprensa local que Lulu viu o nascimento das suas cinco filhas – que hoje tem entre quatro e 13 anos – e “sempre estava ao lado da família”. O tutor afirmou que a golden retriever é muito indefesa, ela tem dificuldades para se orientar por causa da deficiência.

Ainda de acordo com o pai de Lulu, “Ela significa tudo. As minhas filhas passaram todos os dias da vida ao lado da nossa cachorra. Ela é da família e todos a amam incondicionalmente”, contou o tutor ao “Daily Sitka Sentinel”.

Os Kubacki e os vizinhos se mobilizaram para tentar encontrar a golden retriever perdida, que só foi localizada após um período longo e angustiante, três semanas depois, por uma equipe de operários da construção civil.

A equipe estava trabalhando junto a um barranco, em uma estrada não muito distante da casa dos Kubacki. Mas, por causa da idade avançada e da deficiência física, Lulu não conseguiu fazer o caminho de volta.

Os operários acreditaram inicialmente que se tratava de um urso-pardo, espécie relativamente abundante na floresta Tongass. O animal estaria rondando o canteiro de obras. Quando foram verificar, os homens encontraram uma cachorra presa nos arbustos de amoras.

Imediatamente, os heróis do dia telefonaram para o número constante da coleira de Lulu. Ted atendeu e ficou exultante. Em minutos, ele ligou para casa para dar a boa notícia: a mãe e as irmãs não conseguiam parar de gritar de alegria.

Lulu estava desidratada, faminta e apavorada. Ela perdeu mais de 10 kg nas três semanas em que esteve fora de casa – uma fêmea de golden retriever adulta costuma pesar de 25 kg a 30 kg; portanto, a cachorra tinha perdido quase um terço do peso total.

Os homens que a encontraram levaram a cachorra a uma clínica veterinária, onde o animal foi internado para se recuperar. Em poucos dias, a golden retriever conseguiu voltar finalmente para casa.

A família Kubacki, no entanto, não tinha recursos financeiros para custear o tratamento médico de Lulu. Eles ficaram felizes quando receberam notícias de que a cachorra havia sido encontrada, mas ao mesmo tempo surgiu a ansiedade.

Felizmente, os moradores de Sitka se cotizaram voluntariamente para pagar as despesas com o veterinário. Lulu já está recuperada e voltou para casa, para o aconchego da família. Os Kubacki garantem que, a partir de agora, não mais deixarão a cachorra sair sozinha, nem mesmo para ficar em frente à casa.

Os cachorros cegos conseguem se orientar com facilidade em ambientes conhecidos. Depois de esbarrar e topar com móveis algumas vezes, eles encontram maneiras eficientes de transitar na casa e nos arredores.

No caso de Lulu, a deficiência visual instalou-se progressivamente, possibilitando que ela se adaptasse às novas condições. Além disso, o olfato canino é muito apurado e é utilizado também na orientação espacial.

Os problemas começaram quando Lulu saiu de casa e começou a vagar sem rumo. Em poucos minutos, ela tinha se embrenhado na floresta, um local onde ela não está acostumada – e que oferece muitos estímulos ao mesmo tempo: táteis, sonoros, gustativos, etc.

A cachorra, totalmente adaptada ao ambiente doméstico e já limitada por causa da idade avançada, se viu literalmente perdida. Lulu provavelmente ouviu os chamados dos parentes e vizinhos, mas não conseguiu identificar a origem dos sons.