A Trilha das Sete Praias

É uma cidade badalada, que consegue manter o equilíbrio com a natureza. Conheça a Trilha das Sete Praias.

Ubatuba é um município do litoral norte paulista, a 240 quilômetros de São Paulo e a 300 quilômetros do Rio de Janeiro. A cidade ocupa uma área de 711 mil quilômetros quadrados, dos quais mais de 80% estão localizados no Parque Estadual da Serra do Mar. E a Trilha das Sete Praias faz parte deste cenário, que une mar, mata e morro.

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É uma trilha de nível médio (requer algum esforço de uma pessoa saudável, mas sedentária), no sentido sul-norte, que passa pelas praias da Lagoinha, Oeste, Peres, Bonete, Bonete Grande, do Deserto, Cedro do Sul e Fortaleza. Do final da Lagoinha, na foz do rio que leva o mesmo nome, partem barcos diretamente para Bonete – este é o ponto inicial da Trilha das Sete Praias, uma excelente opção para quem quer relaxar, curtir a natureza e ser recebido por belas paisagens de rochedos, praias, ilhas, mata e montanhas.

As praias

A praia da Lagoinha tem três mil metros de extensão (junto com Sapé e Massaranduba, forma a mais extensa faixa de areia de Ubatuba: sete mil metros). Da Lagoinha, é possível avistar as ilhas do Pontal e de Maranduba, as praias do Pulso e Caçandoca e o Saco das Bananas, um reduto quilombola. Perto da praia, encontram-se as ruínas da Fábrica de Vidros, erguida no século XIX, para engarrafar a aguardente da região. Vale a pena um passeio.

A Lagoinha tem bons hotéis, pousadas e uma área de camping, onde é possível deixar o carro. É um bom local para começar a Trilha das Sete Praias, já que é possível achar restaurantes, lanchonetes, farmácias, pequenas lojas, postos de combustíveis, etc.

A praia fica a 24 quilômetros ao sul do centro de Ubatuba; o caminho é pela Rodovia Rio-Santos (BR-101). Para quem está chegando de São José dos Campos, o acesso é mais fácil: a ponta sul da Lagoinha margeia a BR-101 (no trecho, Rodovia Mário Covas).

O caminho a seguir é a praia do Oeste. É um trecho curto e sombreado, muito parecido com a praia do Peres. Oeste é uma vila tradicional da região e conta com um bom bar de praia, local ideal para recarregar as baterias. Outra atração da praia do Oeste são as piscinas naturais que se formam na maré baixa: relax total.

Natureza e arqueologia

A praia do Bonete marca o início do trecho selvagem da Trilha das Sete Praias e, para alcançá-la, é preciso vencer um pequeno aclive. A partir daqui, a caminhada continua apenas por dentro da mata (há placas de sinalização): o caminho pelos rochedos, apesar de parecer mais fácil, pode ser traiçoeiro. No mínimo, o caminhante leva uns bons caldos.

Os banhistas precisam ter cuidado, porque o mar é de tombo. Quem perdeu a chance de “forrar o estômago”, encontra no Bonete um bar caiçara (que oferece inclusive uma ducha fria para os clientes, excelente para tirar o excesso de sal e areia). A próxima etapa é Bonete Grande, uma vila de pescadores com algumas casas de veraneio.

A infraestrutura em Bonete Grande é mais organizada, com pousadas, bares e restaurantes rústicos. Da praia, é possível avistar a ilha do Mar Virado, point de mergulho com profundidade entre quatro e 15 metros e visibilidade submarina de até 12 metros. Também é possível avistar golfinhos em algumas épocas do ano.

A ilha do Mar Virado abriga um sítio arqueológico, escavado desde os anos 1990 por pesquisadores da USP. O local foi habitado há mais de dois mil anos por grupos de coletores e pescadores que mantinham contato regular com os moradores do continente. Isto significa que dominavam a arte da navegação, pois a única forma de chegar lá é de barco.

Para chegar à praia do Deserto, o caminho fica mais difícil. A praia é selvagem e deserta; o mar, aberto e revolto. O acesso também é feito através de uma ligeira subida, logo depois de cruzar um riacho, útil para o reabastecimento de água. A vista do alto, no entanto, compensa o esforço. Pode-se observar a ilha do Mar Virado de lá, mas de outro ângulo. Deserto é um bom local para levantar acampamento, para nadar (é preciso tomar cuidado com as correntezas que vêm dos dois lados) e pescar.

O Cedro do Sul também é outra praia deserta, cercada por muitos rochedos – em certas épocas do ano, é possível avistar tartarugas marinhas, cujas fêmeas sobem o litoral para botar ovos do Espírito Santo até Pernambuco. O mar é bem mais tranquilo, mas esconde correntezas perigosas.

Para chegar ao Cedro do Sul, o acesso é tranquilo, mas é difícil resistir à tentação de continuar a subida até o mirante, trecho considerado de grande grau de dificuldade. A paisagem lá de cima é de tirar o fôlego. É possível avistar quase todo o trecho da trilha já percorrido. Na descida, é possível encontrar locais muito mais para montar as barracas.

É o fim do caminho

O caminho entre o Cedro do Sul e Fortaleza é bem demarcado, com alguns trechos de subida suave, com muitas construções em ruínas. Entre a mata e as edificações abandonadas, é possível avistar praias e belos trechos de mar.

A praia da Fortaleza, ponto final da Trilha das Sete Praias, tem uma história interessante. O local serviu de abrigo e esconderijo para piratas e corsários desde o século XVII e até hoje há quem procure tesouros escondidos em suas areias. Mais recentemente, transformou-se em vila de pescadores, com 30 mais de ranchos de canoas, que transportavam a produção da região: inclusive a cachaça, produzida em dois alambiques.

Só restaram uma capela antiga e um rancho. A praia da Fortaleza tem amendoeiras na orla e, por ser uma enseada, tem águas tranquilas que convidam para mergulhos com snorkel ou cilindro. Na ponta da praia, pratica-se pesca e mergulho. As formações rochosas da região formaram grutas e passagens.

O final da trilha pode ser comemorado em alguns bares que servem bebidas e frutos do mar. A praia da Fortaleza também tem algumas pousadas e casas para locação. Na alta temporada, a calçada fica lotada de ambulantes e guardadores de carros. Para quem não tem espírito aventureiro, é possível navegar em lanchas e iates da Lagoinha até Fortaleza.

Dicas finais

A Trilha das Sete Praias é bem demarcada, com alguns trechos mais difíceis, especialmente para quem não está acostumado a caminhar em terreno acidentado. Pessoas de qualquer idade, com boa forma física, no entanto, podem aproveitar bastante a caminhada.

Algumas empresas de ecoturismo promovem passeios monitorados, inclusive com retorno de barco à Lagoinha. Pode ter uma opção interessante inclusive para excursionistas experientes, já que os guias detêm boas informações sobre locais da trilha de interesse cultural, histórico e ambiental.

Porém, quem quiser fazer o passeio e curtir a natureza, sem pressa para terminar, deve organizar um grupo e preparar-se para passar uma ou duas noites em barracas. A Trilha das Sete Praias não é longa, mas o grupo pode decidir quando parar para nadar, mergulhar, observar cardumes, subir a mirantes do caminho, trocar impressões com outros grupos de mochileiros, etc.

Não se pode esquecer-se de levar uma mochila pequena, bota ou tênis com solado antiderrapante, cantil ou garrafa com água, chapéu ou boné, capa de chuva, roupas e toalha de banho, protetor solar, repelente contra insetos e uma muda de roupas para o retorno, além de sacos plásticos para acondicionar o lixo e as roupas úmidas ou usadas.

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