O êxodo dos hebreus – A história dos hebreus

Um dos principais episódios da história, o êxodo dos hebreus ainda é um ponto de interrogação e controvérsias.

A história dos hebreus tem início dois mil anos antes de Cristo, na Palestina, região entre o deserto da Arábia e o mar Mediterrâneo, limitada ao sul pelo Egito e ao norte pela Fenícia (atual Líbano) e Síria. Trata-se de um grupo de povos seminômades, dedicados principalmente ao pastoreio.

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A linhagem de Israel (termo que significa “povo de Deus”) foi iniciada pelo caldeu Abraão, que migrou de Ur (atual Iraque) para Canaã. Ele teve dois filhos: Ismael (que se tornaria a raiz de outro reino, Edom) e Isaac. O filho de Isaac, Jacó, teve 12 filhos.

Um deles se tornou uma espécie de primeiro ministro do Império Egípcio, para onde posteriormente levou seus 11 irmãos. Dez deles e os dois filhos de José (o primeiro ministro, que não é citado em nenhum texto imperial) fundaram as tribos de Israel, que conquistaram o território em torno do rio Jordão (única fonte de água potável da região). A tribo iniciada com Levi, um dos irmãos, foi dedicada aos serviços religiosos e, por isto, não recebeu terras.

Isto ocorreu alguns séculos depois da prosperidade dos hebreus no grande império. Posteriormente, foram conduzidos à condição de servos. No reinado de Ramsés II, por volta de 1350 a.C., o povo, comandado por Moisés, se rebelou e fugiu do Egito: é o êxodo dos hebreus. Ao menos, é isto que o Pentateuco bíblico (Torá, para os judeus) informa.

O dia em que os hebreus iniciaram a sua marcha para sair do Egito instituiu a Páscoa (Pessach, em hebraico, que significa passagem), posteriormente legada também aos cristãos. Algumas tradições cultivadas até hoje, como a presença do pão ázimo na ceia, deriva do fato de as mulheres hebreias não terem tido tempo de levedar a massa; por isto, os pães ficaram achatados.

O que a ciência conta?

A autoria do Livro do Êxodo é atribuída a Moisés, hebreu que teria sido criado na corte egípcia, matado um homem e fugido para a região montanhosa de Midiã, onde se casou e teve filhos. Certa vez, meditando no monte Horeb, ele foi visitado pelo deus Javé, revelado sob a forma de uma sarça (arbusto espinhoso) ardente e recebeu ordens para libertar o “povo escolhido”.

Um dos fatos mais marcantes do Êxodo é a abertura do mar Vermelho, para que os hebreus pudessem atravessar em segurança para a península do Sinai (o mar se fechou instantaneamente, matando os soldados do faraó). Isto teria ocorrido depois que Javé castigou os egípcios com dez pragas (como o avermelhamento ou transformação em sangue do rio Nilo, canais e reservatórios de água, invasões de rãs e gafanhotos, etc.).

Na última delas, Deus puniu o Egito com a morte dos primogênitos de todos os homens (inclusive o faraó) e animais. Estes fatos teriam desorganizado totalmente as finanças do império, levando-o à bancarrota. Até o século XIX.

Esta hipótese era considerada correta, já que havia vestígios de uma grande civilização ao longo do Nilo, mas não havia outras fontes sobre a sua existência (os hieroglifos só começaram a ser decifrados a partir de 1803).

Controvérsias

Sendo artigo de fé para as três maiores religiões monoteístas do mundo (além de judeus e cristãos, os muçulmanos também adotaram o Antigo Testamento entre os seus textos sagrados), estudar o êxodo dos hebreus é complexo. Para muitos historiadores, a história não passa de mito, mas esta afirmação deixa os ânimos de muitos religiosos bastante acirrados.

A passagem pelo mar Vermelho, retratada em diversos filmes e documentários e eternizada em “Os Dez Mandamentos”, de 1957, dirigido por Cecil B. De Mille e estrelado por Charlton Heston. No entanto, trata-se de uma impossibilidade material. Além disto, o fato teria provocado sérios danos à vida marinha da região.

De acordo com o texto bíblico, os hebreus eram considerados escravos. No entanto, a escravidão só foi introduzida no Egito no século IV a.C., quando os gregos, comandados por Alexandre, o Grande, invadiram o território e estabeleceram a dinastia ptolomaica.

Os hieroglifos nem sequer têm uma palavra para designar “escravo”, considerado como um bem material (como uma casa ou uma carruagem). Na sociedade egípcia antiga, havia muitos níveis de submissão, mas a perda total da liberdade não estava entre eles.

Combater em guerras ou contribuir para a construção dos grandes monumentos do império (alguns deles chegaram até os dias de hoje, como as esculturas do Vale dos Reis e as pirâmides de Gizé) garantia inclusive uma espécie de aposentadoria: depois de alguns anos de trabalho, os egípcios recebiam um lote de terra às margens do Nilo ou de seus canais e tornavam-se agricultores, garantindo a segurança das famílias.

A economia

O Egito manteve a sua posição hegemônica na região, sempre em conflito com os núbios, que fundaram o Reino de Cuche por volta do terceiro milênio antes de Cristo (ao sul) e caldeus e assírios, que ocuparam a Mesopotâmia (a leste). É provável que o império tenha negociado com cidades e aldeias da Palestina, que, em tempos de paz, se transformavam em importantes entrepostos comerciais.

A decadência egípcia teve início apenas no século VIII a.C. A última dinastia faraônica foi extinta em 690 a.C., desorganizando todo o território, que se tornou finalmente um conjunto de cidades-Estado dispersas, às vezes em conflito, às vezes em alianças.
Outro livro atribuído a Moisés, Números, narra um recenseamento dos homens entre 20 e 60 anos que saíram do Egito (a idade provavelmente foi alterada posteriormente, já que, ainda no século I da nossa era, garotos de 13 anos eram considerados adultos).

O texto fala em 601.730, sem contar as mulheres, crianças e idosos. Apenas como termo de comparação, uma cidade como a São Paulo atual, com 11 milhões de habitantes, sofreria um colapso com a saída de um grupo tão relevante, economicamente ativo.

Costumes egípcios

Portanto, pode ter havido um êxodo de um grupo. Em épocas de seca, era comum que pequenas caravanas chegassem ao Egito levando seu gado. O país, inclusive, reservava parte do seu território para fixar estrangeiros (não era cortesia, apenas uma forma de evitar o contato entre os súditos do faraó e os peregrinos).

É possível que um chefe local tenha estabelecido a submissão, fato que, com os séculos, transformou o “vilão da história” no próprio faraó. Para os egípcios, no entanto, o faraó era um deus encarnado, ápice da pirâmide social, que garantia a vida e sustento de toda a população. Não é crível que um filho de escravos tivesse acesso tão fácil ao grande soberano (a Bíblia fala de ao menos dez contatos).

A Estela de Merenptah, série de hieroglifos gravados em rocha escrita durante a décima-nona dinastia (séculos XIII e XII antes de Cristo) relaciona uma série de vitórias obtidas no período. Entre elas, uma pode estar relacionada aos hebreus: o povo não é indicado pelo nome da nação, mas apenas os glifos de “homem” e “mulher”, o que pode significar um grupo nômade derrotado nessa época.

Evidências arqueológicas

O Livro do Êxodo narra que os hebreus passaram 40 anos vivendo em acampamentos relativamente fixos. Foi um castigo divino, que determinou que nenhum homem com idade superior a 20 anos quando saiu do Egito atingisse a Terra Prometida (Canaã), em função das muitas rebeliões praticadas durante o trajeto pelo deserto.

No entanto, não foram encontrados sinais da presença de um povo por período tão dilatado na região. Mesmo a presença de nômades vagando tanto tempo pelo deserto e, mesmo assim, mantendo as tradições e a genealogia, é virtualmente impossível. Os nobres romanos também acreditavam descender das primeiras famílias, como os flavianos, julianos, etc.

Nem mesmo Moisés e seus irmãos Aarão e Miriam teriam sido poupados. O líder de Israel teria morrido por volta de 1100 a.C. Ele foi levado ao cume do monte Nebo (atual Jordânia), em que teria avistado a região destinada aos hebreus. Em dias claros, é possível avistar Jerusalém e Jericó do alto do monte. Lá mesmo, o profeta teria “dormido com seus pais”.

No entanto, acreditar ou não nas evidências é para muitos uma questão de fé. Muitos judeus, cristãos e muçulmanos creem que a Bíblia é a própria palavra de Deus e, desta forma, é a expressão da verdade. Ficamos assim: os religiosos ficam com o texto sagrado e os pesquisadores, com as evidências históricas, arqueológicas e linguísticas. Agora, você pode escolher a sua alternativa.

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