As crianças de olhos negros

As lendas urbanas se espalham rapidamente. Uma delas fala sobre as crianças de olhos negros.

Ao menos um mérito deve ser reconhecido para as lendas urbanas: a criação de histórias que, na era da internet, se espalham com a velocidade da luz. E, como “quem conta um conto aumenta um ponto”, os mitos se tornam progressivamente mais sofisticados e ricos em detalhes. É o caso, por exemplo, das crianças de olhos negros.

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No mínimo, elas despertam o interesse de internautas em busca de curiosidades. É difícil imaginar que alguém realmente acredite nas lendas urbanas, mas elas podem ser boas fontes para incrementar a criatividade, fundamental em quase todas as profissões. As crianças de olhos negros surgiram nos anos 1990, o boato foi ressuscitado no segundo semestre de 2013 e continua circulando pelas redes sociais. Os olhos destes seres são inteiramente pretos – inclusive as escleras e íris, sem qualquer diferenciação de tonalidade.

Elas ficaram famosas inicialmente nos EUA, conhecidas pela sigla BEK (black eyed kids). Os relatos são quase todos semelhantes. Testemunhas afirmam ter avistado um destes seres fantasmagóricos em momentos nos quais estavam sozinhas, em um ambiente fechado (casa, carro, escritório, etc.). Existem descrições de abordagens em quartos de hotel e até em embarcações.

 O contato com as crianças de olhos negros

Descritas às vezes como adolescentes (as idades variam entre seis e 16 anos), as crianças de olhos negros nunca entram em um ambiente sem obter permissão do proprietário – e oferecem justificativas para as “visitas”. É isto mesmo: elas pendem para se aproximar. Nos primeiros momentos do diálogo, as BEK não demonstram ter nada de anormal. Ao contrário, muitos dos interpelados observaram uma aparência apática e distante.

As pequenas criaturas surgem repentinamente, sempre com um aspecto mal cuidado. A noite é o horário predileto das crianças de olhos negros, que, em algumas abordagens, fazem o seu “trabalho” em duplas e grupos maiores.

É exatamente no momento imediatamente depois do início da interlocução que as crianças revelam os enigmáticos olhos negros. De acordo com a descrição das vítimas, o sorriso apresenta um quê apavorante e os olhos, um sentimento de intenso terror. Em seguida, as portas se fecham com estrondo – em alguns casos, são trancadas, aparentemente para impedir a saída do adulto assombrado e intrigado.

Talvez o motivo por que a lenda das crianças de olhos negros tenha sido ressuscitada seja o desfecho da história: é só isto que acontece. A testemunha não volta a ter contato, restando apenas a sensação de ansiedade e medo. É necessário começar a escrever o segundo capítulo da história.

Explicações improváveis

Como todos os fatos sem explicações racionais, nada mais natural que as origens das crianças de olhos negros começassem a ser identificadas nos domínios do esoterismo, ou mesmo de doutrinas com bases definidas, mas ainda não aceitas pela ciência.

Para alguns estudiosos, as BEK seriam originárias de outras dimensões. As explicações, aqui, se diversificam: para os ufologistas, elas viriam de planetas extrassolares, provavelmente teletransportadas. O motivo seria estudar a Terra, a humanidade e as outras espécies que habitam o planeta.

O caráter deste contato também provoca divergências. Para muitos, é benigno e pode contribuir para o avanço científico, tecnológico e social da civilização humana. Outros, porém, estão convictos de que se trata de seres maléficos, talvez interessados em nossos recursos naturais. Os olhos negros seriam uma “evidência” desta característica.

Alguns curiosos descrevem as crianças de olhos negros como vampiros. É preciso lembrar, no entanto, que a lenda dos vampiros pressupõe a vingança provocada por adultos e é carregada com tons sensuais. Crianças, mesmo as de olhos esquisitos, não parecem se encaixar nesta “categoria”.

Os esotéricos querem acreditar que as crianças de olhos negros sejam representantes das mais diversas entidades – de demônios a seres elevados – que estão chegando até nós para contribuir com nossa ascensão ou para nos induzir ao erro, fato que nos acorrentarão a mundos infelizes.

Muitas correntes esotéricas americanas acreditam na existência do Diabo e do Inferno, crença derivada das tradições cristãs que ajudaram a construir os EUA. Para estas, os contatos, especialmente quando se repetem periodicamente, são sinais de que o domínio do mal está se espalhando sobre a Terra – última etapa antes do Juízo Final.

 Uma explicação lógica

A explicação mais plausível é que as crianças de olhos negros não passam de invenção de gente que quer os seus “15 minutos de fama” ou são impressionáveis o suficiente para acreditar em crianças que conseguem trancar portas apenas com o poder da mente.

Neste quesito, a indústria cinematográfica é um forte auxiliar na sugestionabilidade. Muitos seres maléficos dos filmes de terror apresentam olhos vermelhos ou negros (dois medos humanos atávicos: o derramamento de sangue e a escuridão, que esconde feras e monstros). Já em 1922, F. W. Murnau imaginou Nosferatu, um dos primeiros vampiros das telonas, com íris negras exageradas e pálpebras também escurecidas. A caracterização conferia olhos quase negros para o monstro romântico. Boatos de “olhos coloridos” são facilmente absorvidos por algumas pessoas menos racionais.

Alguns oftalmologistas, no entanto, propuseram uma teoria satisfatória. O fenômeno das BEK seria provocado pela midríase. Em condições normais, trata-se apenas na dilatação da pupila em face de um estímulo luminoso. O olho humano é dotado de um músculo dilatador, que regula a entrada de luz, para não ofuscar e, ao mesmo tempo, permitir a visão noturna.

Algumas drogas, contudo, interferem nas funções do músculo dilatador. A atropina (utilizada como broncodilatador), anticolinérgicos (que combatem dores musculares e problemas gastrointestinais) e remédios para controlar a síndrome do pânico estão na lista dos medicamentos que provocam este efeito colateral.

Cocaína, drogas sintéticas e abuso de álcool também reduzem a capacidade de dilatação da pupila. Em contrapartida, os indivíduos afetados têm reduzida a capacidade de observar a luz ambiente. Como se sabe, na ausência da luz, tudo fica escuro – inclusive os olhos dos “estranhos visitantes”.

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