Quando a vaidade é um vício

Especialistas afirmam que as primeiras manifestações de vaidade surgem por volta dos sete ou oito anos. São sensações de prazer e vício, relacionadas ao bem-estar de possuir brinquedos e roupas, achar a casa bonita, gostar da escola. O problema começa quando se instala a necessidade de ter sempre mais – e sempre melhor do que os amiguinhos e parentes. Sem o tratamento adequado, o vício da vaidade pode arrastar-se por toda a vida e prejudicar relacionamentos pessoais e profissionais.

Na medida certa, o amor-próprio é fundamental para uma vida saudável. O contrário disto é a baixa autoestima, que nos faz sentir inferiores às pessoas que convivem conosco, fato que pode prejudicar ou mesmo paralisar as atividades necessárias para o desenvolvimento emocional.

Quando a vaidade, no entanto, atinge determinados limites, o indivíduo passa a exibir condutas não toleradas por seu grupo social, o que pode gerar diversos problemas: a pessoa se isola, por considerar-se superior; se ocupa um cargo de chefia, pode desenvolver intransigência e intolerância em relação aos subordinados, estabelecendo relações negativas e pouco produtivas; existe também a possibilidade de entender a inadequação, mas manter a vaidade exagerada, o que é fonte de muito sofrimento íntimo.

A cultura atual, muito arraigada ao consumismo, cria desejos e necessidades, estabelece padrões de beleza, elegância, sucesso profissional, etc. Todos precisam ser belos, bem sucedidos, ser verdadeiras potências sexuais, ter o carro do ano, provocar a inveja de parentes, vizinhos e colegas. Como é evidente, ninguém consegue tantos triunfos simultaneamente, mesmo porque os objetivos maiores da vida são a amizade e o amor, sentimentos que geram solidariedade, fraternidade, respeito aos direitos do outro, caridade, fatores imprescindíveis para uma sociedade justa.

Entre os homens, o principal objeto de desejo é o carro, de preferência o modelo do ano, aquele que ocupa o maior espaço na imprensa especializada, totalmente equipados com o máximo de acessórios. Estudos afirmam que o carro pode ser uma extensão do órgão sexual, transformando-se num símbolo fálico. O carro deixou de ser um mero meio de transporte desde que camponeses e guerreiros começaram a utilizar carroças em seus deslocamentos, para se tornar um símbolo de poder, prestígio e sucesso.

Em todos os casos, existe uma origem erotizada para a vaidade. Uma mulher que se produz com belas joias está claramente querendo seduzir, mesmo que seu objetivo não seja necessariamente o sexo. Já o homem, quando exibe seus símbolos de status, revela-se como bom provedor, bem qualificado e, claro, macho procriador.

Para o vaidoso, não basta ter riquezas: é preciso exibi-las e, se possível, granjear a admiração ou a raiva. Grandes casas, joias raras, roupas sofisticadas, celulares de última geração, etc., que revelam o tamanho da conta bancária, são acessórios de promoção pessoal. É evidente que a busca pelo conforto e qualidade são inerentes ao todo, mas o vício se revela quando eles são utilizados apenas como meio para ostentar riqueza.

As frustrações causadas pela vaidade permeiam todo o tecido social. É preciso fazer uma reflexão sobre as reais necessidades e metas. Em alguns casos, o aconselhamento profissional pode ser necessário. A autorreflexão ou a psicoterapia podem ser grandes auxiliares numa correção de rota sobre os valores que realmente merecem ser cultivados.

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