Cotidiano Saúde Cebola contra o câncer

Cebola contra o câncer

Estudos internacionais que as pessoas que consomem cebola regularmente apresentam 14% menos de probabilidades de contrair câncer. As pesquisas indicam que a hortaliça é especialmente indicada para proteger o trato gastrointestinal, mas é útil também para impedir o desenvolvimento de tumores malignos em outros órgãos e tecidos.

Um estudo realizado por cientistas do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore (EUA), revelou que uma substância presente na cebola, a quercetina, é uma aliada para prevenir lesões pré-cancerígenas no intestino, os pólipos. O hospital é um dos principais centros mundiais de referência na prevenção e tratamento do câncer.

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A quercetina é um antioxidante flavonoide, também presente nas uvas vermelhas e nos chás branco e verde. Além de combater o câncer, a substância tem ação anti-inflamatória, anti-hemorrágica e antialérgica. O flavonoide aumenta a resistência capilar, protege contra doenças cardíacas e facilita a absorção da vitamina C pelo organismo.

As pesquisas

Os médicos do Johns Hopkins trabalharam com cinco mulheres, todas elas portadoras de pólipos pré-cancerígenos (o nome técnico é polipose adenomatosa familiar, ou FAP, na sigla em inglês). Ao final de seis meses de tratamento, o número de lesões caiu em 60% e o tamanho dos pólipos restantes foi reduzido pela metade.

Muitas pessoas não suportam o aroma e o sabor da cebola, que são muito fortes para o paladar, especialmente quando oferecidos crus. Alguns não suportam nem sequer a textura da hortaliça. No entanto, ela é um ingrediente imprescindível para a maioria das receitas: alho e cebola são os temperos mais comuns em nossos pratos.

Um instituto de pesquisas farmacológicas de Milão (Itália), Mário Negri, avaliou as fichas médicas de centenas de funcionários e indicou que quem consome uma cebola média por semana tem o percentual de 14% menor para o desenvolvimento de tumores malignos. Este consumo é bastante inferior para a dieta brasileira, que usa cebola para temperar arroz, feijão, carnes, massas, etc.

Já existiam estudos indicando que a cebola age contra o câncer de intestino, estômago e próstata. Os pesquisadores milaneses, no entanto, comprovaram que o consumo da hortaliça reduz a possibilidade de desenvolvimento de células pré-cancerígenas.

O Instituto Mário Negri chegou às seguintes conclusões: o consumo semanal de duas cebolas reduz em 86% o risco de câncer de boca, em 56% o de câncer colorretal (cólon e reto são as últimas divisões do intestino grosso) e de laringe, em 43% o câncer de ovários e em 25% o câncer dos rins.

Os resultados, evidentemente, estão vinculados a outras práticas, como evitar o tabagismo, o sedentarismo, a prática de exercícios físicos. Mesmo assim, a ingestão de cebolas protege inclusive os fumantes e “pilotos de poltrona”.

Os motivos

Já é sabido que a cebola inibe a ação das bactérias nocivas, inclusive as causadoras dos distúrbios gástricos (azia, indigestão, etc.) e das cáries. A hortaliça também fortalece o sistema imunológico para o combate aos fungos causadores de micoses.

A cebola diminui controla o diabetes, a possibilidade de osteoporose, reduz a glicose no sangue, inibe infecções e inflamações, minimiza os sintomas da bronquite e, de acordo com o Ministério da Agricultura australiana, reduz os riscos de trombose, acidente vascular cerebral e aterosclerose (a viagem dos trombos, ou coágulos, pelas artérias, que podem chegar ao coração, ao cérebro e a outros órgãos vitais). O motivo é que ela prejudica a absorção de alguns tipos de gordura.

Um estudo da Austrália também revelou que porcos com dieta rica em gordura (a engorda) tiveram seus índices de triglicerídeos reduzidos em 15% com a introdução de cebolas no cardápio. Os animais ficaram mais saudáveis – infelizmente, para o abate.

O próximo passo dos estudos é descobrir qual espécie de cebola permite uma vida mais longa e saudável – afinal, são mais de 600 espécies consumidas pelos seres humanos. Compramos cebolas em feiras livres e mercados sem saber a que espécies elas pertencem; apenas fazemos distinção entre a cebola roxa e a cebola branca.

Seja como for, todas elas são fundamentais no combate a fungos e bactérias. Também são ricas em vários sais minerais, como potássio, manganês, zinco, ferro, fósforo e magnésio, além de serem boas fontes das vitaminas B1, B2 e C. A cebolinha, sempre encontrada nos maços de cheiro verde adquiridos nas quitandas e feiras, é cientificamente classificada como uma espécie de cebola, e não apenas um broto da hortaliça. O importante é manter a cebola no preparo dos alimentos.

De acordo com o Centro Nacional de Pesquisas de Hortaliças da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), o bulbo da cebolinha, assim como as folhas de outras variedades, pode ir direto para a salada ou a panela, no preparo de diversos alimentos.

A Associação Brasileira de Nutrologia recomenda o consumo da cebola crua, já que o cozimento ou a fritura reduz drasticamente os compostos benéficos da hortaliça. Portanto, é preciso encarar as lágrimas, o gosto picante e o “bafo” residual em benefício da saúde e da qualidade de vida. Utilizar a cebola como ingrediente pode inclusive ser uma prática gourmet: ela permite novos sabores em qualquer prato, por ser um tempero adequado a todos os pratos.

Sabe aquela cebola que começou a brotar ainda quando estava guardada na fruteira? Não é preciso jogá-la fora. A cebola pode ser consumida normalmente e os brotos – folhas longas e grossas – podem ser utilizadas como tempero para vários pratos, inclusive os brasileiríssimos arroz e feijão.

Um processo natural

Para quem não gosta de cebolas, alguns nutricionistas recomendam uma forma de consumir a hortaliça. Não existem estudos comprobatórios, mas várias pesquisas indicam que uma xícara de chá de cebola combatem o câncer e muitas outras doenças.

O procedimento é indicado por um médico indiano, Shaykh Nazim. De acordo com ele, o chá deve ser tomado durante 40 dias. A hortaliça deve ser descascada as peles superficiais, da mesma forma, precisam ser descartadas: estas são providências para eliminar os agrotóxicos empregados no cultivo de alimentos, prática comum no mundo inteiro.

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