O que são campos de concentração?

Famosos pela triste memória nazista, os campos de concentração foram implantados em diversos outros países.

Campos de concentração são centros militares de confinamento destinados ao isolamento de prisioneiros de guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, também foram utilizados para concentrar seres considerados indesejáveis ou inferiores, como judeus e ciganos. Nos EUA, também foram implantados campos de concentração para prender japoneses e seus descendentes, considerados espiões do Império Nipônico. Estes campos chegaram a abrigar 120 mil prisioneiros.

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Em geral, os campos de concentração são implantados em regiões abertas e planas, cercadas por telas ou muros fortemente protegidos. Eles não integram o sistema penitenciário, para cujas instalações são enviadas pessoas condenadas por terem cometido crimes, de acordo com a legislação do país. Nos campos, geralmente criados em tempos de guerra, são recolhidos todos os que possa representar risco para a segurança.

Na melhor das hipóteses, os confinados podem servir como moeda de troca, para o resgate de soldados presos pela nação agressora. Em muitos casos, os aprisionados só foram libertados depois do encerramento do conflito e, em muitas épocas, foram aniquilados em nome de estranhas ideologias.

A Alemanha nazista

O governo ditatorial de Adolf Hitler foi implantado no início dos anos 1930 e, no final da década, foi deflagrado o maior conflito bélico da história: a Segunda Guerra Mundial, que opôs alemães, italianos e japoneses – o Eixo – a ingleses, franceses e americanos – a Tríplice Aliança. O Brasil participou de algumas batalhas na Itália, ao lado dos aliados.

Antes do início do conflito, os nazistas já haviam criado campos de concentração para prender os possíveis inimigos do regime. Além de judeus e ciganos, foram deportados outros grupos étnicos (como os poloneses), dissidentes políticos (comunistas e anarquistas), homossexuais e minorias religiosas (as Testemunhas de Jeová foram as que mais sofreram). O episódio ficou conhecido como o Holocausto, alusão aos sacrifícios religiosos.

Estima-se que oito milhões de judeus tenham perdido a vida em campos como Auschwitz, Birkenau e Treblinka (na Polônia ocupada), Dachau (na própria Alemanha), em experimentos “científicos”, como verificar por quanto tempo uma pessoa consegue sobreviver mergulhada em água gelada e principalmente nas câmaras de gás, em que as vítimas eram encaminhadas para falsas câmaras de banho, onde morriam asfixiadas.

Não foi a primeira vez que a Alemanha usou este recurso. No início do século XX, ainda no império, forças alemãs sufocaram uma revolta das etnias heterós e namaquás, no Sudoeste Africano (atual Namíbia). O campo de concentração foi erguido numa região desértica, onde a maioria dos deportados morreu de sede. Calcula-se de 65 mil heterós e dez mil namaquás tenham perdido a vida, o que representa cerca de 50% da população total.

A ditadura argentina

Durante o período militar, entre 1976 e 1983, foram implantados os Centros Clandestinos de Detenção no país, instalações secretas mantidas para isolar e posteriormente exterminar todos os grupos inimigos do regime, de células terroristas a grupos estudantis. Foi o chamado processo de reorganização nacional.

A Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas, vinculado ao governo central argentino, afirma que o total de desaparecidos, de acordo com processos tramitando na justiça, é de nove mil pessoas. Instituições civis, no entanto, como as Mães da Praça de Maio, calculam que 30 mil pessoas tenham morrido durante a ditadura; algumas delas, atiradas de aviões sobre a costa marítima do país.

Outros presos de consciência

A antiga União Soviética esmagou levantes de anarquistas da República Fino-Carélia no início do período revolucionário, em 1921. Posteriormente, foram organizados os gulags, campos de serviços forçados, geralmente implantados na Sibéria (região norte da Rússia), para onde foram encaminhados dissidentes, monarquistas e também presos comuns. Os gulags funcionaram entre 1930 e 1960. No primeiro ano, os campos receberam 180 mil presos, número que cresceu para 2,5 milhões em 1953.

Entre 1936 e 1947, o primeiro período da ditadura de Francisco Franco, a Espanha organizou diversas colônias penitenciárias militarizadas provisórias e estáveis.

500 mil pessoas foram recolhidas nestes campos, número que inclui o “bando republicano” (o grupo derrotado pelos fascistas na Guerra Civil Espanhola), dissidentes políticos e até homossexuais e bandidos comuns. Na hierarquia das colônias, estes últimos estavam em um nível superior e por isto tinham algumas regalias e atuavam inclusive como vigilantes.

Em Portugal, o Campo do Tarrafal, na ilha de Santiago (Cabo Verde, antiga colônia lusitana) foi criado em 1936, para receber dissidentes. Ao contrário dos demais, todos clandestinos, o Estado Novo (a ditadura portuguesa) implantou oficialmente o campo em 1950, por meio de decreto-lei. O texto afirma que a prisão se destinava a receber presos políticos e sociais condenados ao desterro e reclusos indisciplinados.

Na França, foi criado o campo de Gurs, próximo à fronteira com o País Basco, para recolher refugiados da Guerra Civil Espanhola. Com o começo da Segunda Guerra, a França internou em Gurs pessoas de cidadania alemã e todos os identificados com o regime de Hitler. No ano seguinte, porém, com a instituição do Governo de Vichy, subordinado à Alemanha, o campo foi entregue às forças nazistas, que passaram a usá-lo para isolar judeus (com exceção dos de cidadania francesa).

No fim da guerra, foram presos em Gurs soldados alemães, colaboracionistas franceses e mesmo combatentes espanhóis do bando republicano, que os aliados consideravam perigosos para a paz europeia, já que portugueses e espanhóis se mantiveram neutros no conflito.

O Brasil

Infelizmente, nós não escapamos desta relação. No Ceará, em 1915 e 1932, o governo federal criou campos para confinar retirantes sertanejos, que tentavam escapar das constantes secas da região. Os campos ficaram conhecidos como Currais do Nordeste.

Em 1942, o Brasil declarou guerra ao Eixo e foram criados vários campos para isolar alemães, italianos, japoneses e seus descendentes considerados suspeitos de atividades antinacionais. Ao todo, 12 campos foram criados: em Daltro Filho (RS), Trindade (SC), Curitiba (PR), Bauru, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Pirassununga e Ribeirão Preto (SP), Pouso Alegre (MG), Niterói (RJ), Chã de Estêvão (PE) e Tomé-Açu (PA).

Além dos campos oficiais, um Campo em Ponta Grossa (PR) abrigava cidadãos austríacos (a Áustria foi anexada pela Alemanha antes do início da guerra na Europa), além dos “inimigos” do Eixo. Em Joinville (SC), 200 pessoas ficaram presas num hospício. Em Recife (PE), um campo recolheu funcionários das Casas Pernambucanas, apenas porque os proprietários eram de origem alemã.

Alguns historiadores afirmam que os campos brasileiros foram uma exigência dos aliados para que o Brasil lutasse contra o Eixo. Na época, o Brasil vivia a ditadura de Getúlio Vargas, governo que não era bem visto pelos “defensores da democracia”.

Durante o governo militar (1964 – 1985), muitos dissidentes, membros de grupos terroristas e até estudantes e jornalistas foram presos e mortos nos porões da ditadura. Os números ainda não são conhecidos. Em 1996, os documentos militares secretos foram beneficiados por uma lei que determinava o sigilo de 50 anos. Dois anos depois, este prazo caiu para 30 anos.

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