Mimetismo: animais que usam camuflagem

O mimetismo é a capacidade que algumas espécies têm de misturar-se ao ambiente, para caçar ou fugir de predadores.

O mimetismo é a presença, em alguns organismos denominados mímicos, de características que os confundem com outros organismos (ou grupos de organismos). É o caso, por exemplo, do bicho-folha, que se confunde com a ramagem das árvores em que habita. A semelhança pode ocorrer no padrão de cor, textura, formato do corpo, comportamento e características químicas. O mimetismo sempre confere uma vantagem adaptativa ao organismo que o desenvolve.

Mimetismo é uma providência natural classificada como “evolução convergente”. Os animais buscam assemelhar-se a troncos, ramagens e pedras. O termo vem do grego “mimetes”, que significa imitação e deu origem também à palavra “mímica”. A Biologia classifica quatro tipos de mimetismo: batesiano, müleriano, peckhamiano e wasmanniano.

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O mimetismo batesiano ocorre quando um animal inofensivo modifica a própria aparência (no decorrer de algumas gerações) para tornar-se parecida com uma espécie agressiva. É o caso, por exemplo, de diversas aranhas da Amazônia, que se assemelharam a formigas, animais agressivos, dotados de mandíbulas, exoesqueleto rígido, ferrões, substâncias irritantes (como ácido fórmico) e estratégias de defesa muito bem desenvolvidas, motivos por que têm poucos predadores. As aranhas “imitadoras” apresentam corpo que parece ser dividido em três segmentos, pernas longas e finas e quelíceras semelhantes às mandíbulas da formiga; a fiandeira (que produz a teia) e a cutícula (que cobre todo o corpo) ficaram parecidas com os olhos e ferrão dos soldados que protegem as colônias.

No mimetismo peckhamiano, um predador assume características da própria presa ou do ambiente e torna-se um caçador bastante eficiente. Um exemplo é o louva-a-deus, que se parece com um galho e fica praticamente imóvel. O tipo mülleriano ocorre quando as espécies desenvolvem aspectos que desestimulam os predadores: a lagarta Euchelia jacobaea desenvolveu cores berrantes e exala um cheiro insuportável, que afasta aves insetívoras. Algumas vespas desenvolveram o mesmo odor e padrão cromático: qualquer ave que dê uma bicada num desses insetos rejeita o padrão multicolorido pelo resto da vida.

O tipo wasmanniano ocorre entre espécies que não competem entre si. Pode ser defensivo, ofensivo ou reprodutivo. Neste caso, as duas espécies (original e mimética) são comensalistas: ambas se beneficiam com a convivência. No mülleriano, ocorre o contrário: os animais competem pelas presas, ou seja, o mimético “rouba” parte da caça do modelo.

Um dos mais conhecidos exemplos de mimetismo é o camaleão. São cerca de 80 espécies de lagartos, distribuídos em todo o mundo. Estes animais têm a capacidade de mudar de cor, tornando sua identificação bastante difícil por presas e predadores. A rapidez da transformação é impressionante, e esta é uma das razões por que eles se tornaram bichos de estimação: basta trocar a cor da lâmpada do terrário e lá está um animal diferente.

A rapidez do mimetismo

É o caso, por exemplo, das borboletas brancas da espécie Biston betularia, nativas da Inglaterra. Elas costumavam descansar nos troncos de vidoeiros, árvores comuns nas ilhas britânicas, cujo caule é branco. Ou era, até o início da Revolução Industrial, no século XIX. Surgiram muitas fábricas, cujos motores eram alimentados por carvão, e isto produziu muita fuligem sobre as cidades e florestas inglesas. Os troncos dos vidoeiros escureceram-se rapidamente.

As borboletas, seguindo a Teoria da Evolução desenvolvida por Charles Darwin, escureceram-se junto com as árvores. Isto significa que os espécimes de coloração escura ficaram menos expostos aos predadores, puderam escapar de predadores com mais eficiência e, com vantagens na sobrevivência e reprodução, transmitiram seu código genético a um número maior de descendentes. Os genes que determinam a cor branca, que antes era uma vantagem, são cada vez mais raros.

O efeito estufa e o mimetismo

Cientistas da Universidade de York (Inglaterra) encerraram um estudo de 15 anos, que observou a migração de várias espécies de borboletas para regiões mais ao norte ou para as poucas áreas florestais ainda existentes no país. Eles concluíram que os insetos estão deslocando-se para locais mais frios, uma vez que a temperatura, em seus hábitats naturais, está aumentando ano a ano.

Para sobreviver aos novos ambientes, as borboletas precisaram desenvolver novos padrões de cor. A parda Aricia agestis, ao deixar Dôver (cidade situada no canal da Mancha), tornou-se vermelha com ocelos brancos na região de Glasgow (Escócia) e amarela em Bristol (Inglaterra); o mimetismo garante que elas descansem tranquilas nas papoulas vermelhas de Glasgow e nos lírios amarelos de Bristol.

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