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Como surgiu a árvore de Natal?

A árvore de Natal, quase sempre um pinheiro, é um símbolo da eternidade, já que pinheiros não perdem as folhas no inverno.

As origens da árvore de Natal são muito antigas, mais antigas do que a própria comemoração cristã. Povos indo-europeus, que se espalharam pela Europa e Ásia, decoravam árvores em homenagem à Mãe Terra, deusa primordial das sociedades matriarcais. Os antigos romanos importaram a mitologia grega e cultuavam diversos deuses, como Júpiter, Vênus e Marte. O deus romano do tempo, Saturno, era venerado especialmente em dezembro, mês do início do inverno no hemisfério norte, em que as noites vão ficando cada vez mais longas.

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A partir do solstício do inverno – entre 20 e 22 de dezembro, os dias começam a ficar mais longos e, apesar de marcar o início mais frio do ano, os romanos acreditavam que era o Nascimento do Sol Invicto – a presença do Sol no céu cada vez mais ampliada era um bom augúrio, prenunciando colheitas fartas em poucos meses e, por isto, homenageavam o deus do tempo, Saturno, enfeitando pinheiros e abetos – as únicas árvores que não perdem o viço durante os dias gelados. Usavam fitas e bolas coloridas para celebrar o que consideravam o ressurgimento da vida.

Os celtas – povo que viveu nos territórios das atuais França e Inglaterra – enfeitavam carvalhos em todos os grandes festivais sagrados que realizavam durante o ano. No inverno, os enfeites eram ainda mais presentes, porque eles acreditavam que o espírito da vida havia saído desta árvore, que passou a simbolizar o poder dos reis medievais não apenas entre os celtas, mas também entre germanos e nórdicos.

Consta que São Bonifácio, religioso inglês que evangelizou o norte da atual Alemanha, adotou o hábito de utilizar os pinheiros, pelo seu formato triangular, para simbolizar a Santíssima Trindade – Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Com estas pregações, a árvore passou a simbolizar o poder divino.

Seguindo uma tradição de absorver costumes pagãos e adaptá-los aos dogmas católicos – por exemplo, a Catedral de Chartres (França) foi construída sobre um antigo labirinto considerado sagrado pelos celtas e a deusa Brigita foi metamorfoseada em Santa Brígida –, a Igreja Católica situou o nascimento de Jesus em dezembro, próximo às saturnálias (festivais em honra ao deus Saturno) e passou a utilizar as árvores decoradas como símbolo do Natal.

A Igreja também utilizou o Natal para rivalizar com uma religião popular na época, o Mitraísmo, que adorava Mitras, divindade persa cujos cultos eram muito comuns na Grécia e Roma. Este culto foi proibido no final do século IV, pelo imperador romano Teodósio, que tornou o Cristianismo a única religião do império.

As primeiras notícias sobre a árvore de Natal datam do século XVI, na Lituânia, mas é provável que bem antes disto os católicos já decorassem suas casas em homenagem a Jesus. Na mesma época, famílias alemãs decoravam árvores com doces e mantimentos, tradição exportada para diversos países europeus. Brinquedos também eram deixados sob a árvore, para que as crianças os pegassem, motivo que deu origem ao costume de deixar os presentes sob o enfeite até a noite de Natal.

No século XIX, a poderosa rainha Vitória, da Inglaterra – à época, o império em que o Sol nunca se põe, referência à extensão dos domínios britânicos pelo mundo –, posou ao lado ao lado do marido, príncipe Albert, ao lado de uma árvore decorada para as festas natalinas. Foi o suficiente para que a ideia fosse imitada em todos os países protestantes. Os países católicos, no entanto, como Espanha e Portugal, demoraram a render-se ao fato. Até a década de 1950, a árvore de Natal não era bem vista entre os portugueses.

Hoje, entretanto, a árvore de Natal está presente em todo o mundo, mesmo em países não cristãos. Shopping centers do Japão e Coreia do Sul, por exemplo, enfeitam-se como motivos natalinos no mês de dezembro, apesar de serem tradicionalmente budistas e xintoístas.

Uma curiosidade a mais sobre o Natal – cristãos antigos consideravam o dia 6 de janeiro como a data do batismo de Jesus por João, no rio Jordão, simbolizando o nascimento espiritual do Cristo. Por isto, até hoje os cristãos ortodoxos – religião predominante no leste europeu, comemoram o Natal nesta data.

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