A história da microbiologia

urante milênios, convivemos com germes sem a menor ideia da sua existência. A história da microbiologia só tem início com a invenção do microscópio.

Em 1665, o cientista inglês Roberto Hook intuiu sobre a existência de seres infinitamente pequenos, ao observar reentrâncias em diversos organismos vivos com o auxílio de um microscópio improvisado bastante rudimentar. Mas podemos considerar que esta é a pré-história da microbiologia. A história propriamente dita tem início alguns anos mais tarde, quando o alemão Antônio van Leeuwenhoek, com um aparelho de aumento de 200 vezes, observou e descreveu bactérias e protozoários pela primeira vez.

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Leeuwenhoek era amador e autodidata sua ocupação era comerciante de tecidos. O cientista diletante, que possuía a maior coleção de lentes da época – mais de 250 microscópios –, também observou a circulação sanguínea em peixes e fibras capilares humanas.

As descobertas de Leeuwenhoek geraram muitas polêmicas no mundo científico. Surgiu a teoria da abiogênese, ou geração espontânea, para explicar a origem dos habitantes deste mundo invisível a olho nu. Para isto, faziam experimentos coletando amostras de substâncias mortas, em que observavam que as colônias eram inexistentes em determinado momento, para em seguida se tornarem muito numerosas.

O físico italiano Francisco Redi, no entanto, comprovou a biogênese (seres vivos sempre descendem de outros seres vivos), num estudo com moscas: a matéria orgânica protegida não recebia a visita das fêmeas, que só podiam depositar seus ovos numa amostra deixada ao relento. Os opositores ainda fizeram uma nova tentativa, ao incluir o ar como “ingrediente” na produção dos microrganismos. Redi deixou um frasco tapado com material poroso, que permitia a passagem de ar, e mais uma vez a amostra não foi contaminada. Mas, em alguns outros experimentos, surgiram vírus, bactérias e fungos no material coberto.

Até a metade do século XIX, ainda se discutia a abiogênese. Coube ao francês Louis Pasteur comprovar que existem germes presentes no ar e estes seres podiam gerar vida onde aparentemente não havia nenhuma matriz. Parece óbvio para o conhecimento atual, mas foi um grande passo para a microbiologia.

Outra contribuição importante de Pasteur foi a descoberta de que o calor consegue eliminar os microrganismos. A partir da década de 1850, eles e seus colaboradores desenvolveram métodos para identificar os seres, os efeitos provocados por eles no organismo humano, de animais e plantas, além de técnicas de fermentação, pasteurização (o rápido aquecimento de uma substância, seguido por um brusco resfriamento).

Teve início uma nova etapa na história da microbiologia. Surgiram os primeiros medicamentos e vacinas realmente eficazes, os conhecimentos sobre o sistema imunológico foram consideravelmente ampliados, foram adotadas as primeiras regras de assepsia para evitar contaminações e infecções nos laboratórios.

Antes do desenvolvimento da microbiologia, apenas os conhecimentos empíricos sobre os efeitos fitoterápicos sobre determinados sintomas e doenças tinham resultados eficazes. Médicos perdiam pacientes fazendo sangrias e experimentando drogas inócuas para “equilibrar os humores” do organismo, técnica criada na Grécia antiga.

Nos anos 1930, um antibiótico foi descoberto acidentalmente por Ian Flemming. Um fungo, derrubado numa placa que abrigava uma colônia de bactérias, destruiu os germes. A humanidade ganhava um importante aliado para combater as infecções: a penicilina.

A microbiologia é o ramo da ciência que estuda os microrganismos, sejam eles eucariontes (seres unicelulares), sejam procariontes (como fungos, vírus e bactérias).

Nas últimas décadas, foram desenvolvidas drogas mais potentes para a prevenção das mais diversas doenças, inclusive as mais recentes: em 1983, o francês Luc Montagnier e o americano Robert Gallo conseguiram isolar, em experiências separadas, o HIV, que provoca a AIDS, cujo primeiro relato científico havia sido publicado no ano anterior (desde o final dos anos 1970, infecções persistentes foram identificadas em homossexuais, hemofílicos e dependentes de drogas injetáveis, mas não se sabia a causa).

A identificação do vírus permitiu o desenvolvimento de medicamentos para combatê-lo. Hoje, um dos grandes desafios da microbiologia é encontrar uma vacina ou tratamento definitivo para a AIDS.

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