Cotidiano O Xintoísmo - O que é?

O Xintoísmo – O que é?

O Xintoísmo reúne práticas religiosas e tradições datadas da pré-história japonesa, mas só se tornou uma religião formal com a chegada de outras correntes filosóficas ao Japão, como o Budismo e o Taoísmo, a partir do século VI. A veneração aos ancestrais e aos espíritos de luz (ou deuses) é comum às três confissões.

Os primeiros registros sobre as cerimônias xintoístas surgem neste mesmo período, com descrições sobre rituais oferecidos na época das colheitas e no início das estações do ano, relacionados à mitologia japonesa, em especial à deusa Sol Amaterasu.

Religião politeísta e animista, o Xintoísmo caracteriza-se pelo culto à natureza e a veneração aos ancestrais e ao Kami, que pode ser definido como o conjunto das divindades, que podem apresentar formas humanas, de animais, de acidentes geográficos, como montanhas, rios e lagos ou de fenômenos naturais, como o relâmpago.

O Xintoísmo moderno tem uma autoridade teológica central, que reúne diversos templos de uma mesma região. A estrutura arquitetônica, vestuário e cerimônias são as mesmas do período Nara, no século VIII. A religião conta com 120 milhões de fiéis no Japão, a maioria dos quais também pratica o culto budista aos ancestrais.

O nível mais elevado da hierarquia xintoísta é o da “princesa consagrada a Kami”. Atualmente, só existe uma, no Santuário de Ise, no Japão. Em seguida vêm os grandes sacerdotes e o clero em geral.

A cosmologia apresenta três níveis: a “alta planície celeste”, morada dos espíritos superiores, a “país do meio da planície de canaviais”, morada dos seres humanos, e o “país de Yomi”, morada subterrânea dos mortos pecadores. Da “alta planície” descem os Kami para abençoar e favorecer; do país de Yomi, sobem espíritos malignos.

Assim como o Budismo, o Xintoísmo não obriga os adeptos a participarem de cerimônias regularmente, nem exclui os rituais de outras crenças. Por exemplo, no Japão é comum celebrar o nascimento de uma criança num templo xintoísta, enquanto a maioria das homenagens fúnebres é feita de acordo com a tradição budista.

Cada templo xintoísta tem um número variável de sacerdotes, cuja função é oficiar os atos religiosos. Eles não são vistos como mediadores entre os crentes e as divindades, como acontece nas religiões cristãs. Os templos são locais de meditação e integração com a natureza. Neles, ocorre a identificação pessoal entre os humanos e os Kami. Por este motivo, grandes parques envolvem os templos.

Para chegar ao santuário, é preciso atravessar portais (os torii), pontes, algumas barreiras e finalmente as portas, para que o crente se lembre de que está entrando em solo sagrado e deve modificar seus pensamentos e sentimentos antes de se dirigir aos Kami.

Templos xintoístas podem ser encontrados em diversos países, inclusive no Brasil.

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