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Três calendários que desafiam nosso conceito de tempo

A gente fala de data todo dia, tem agenda no celular e olha o calendário trezentas vezes numa mesma tarde. Basicamente, programamos nossa vida toda baseados nos números da bendita folhinha. Mas pelo menos a coisa funciona de forma bastante simples: os dias seguem a rotação da Terra, os meses seguem o ciclo da lua, e os anos seguem o trajeto que a Terra faz ao redor do sol. Tranquilo de seguir, né?


Mas o calendário de alguns povos é bem diferente, e desafiam nosso conceito gregoriano da passagem do tempo.

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O calendário utilizado por quem vive em Bali ou Java, na Indonésia, traz muito mais informações em um único dia do que a nossa simples folhinha. E não é só isso. Cada dia do tradicional calendário Pawukon (ou calendário balinês) é o resultado de um processo matemático super complexo. Em vez de um ciclo semanal de sete dias, o Pawukon possui 10 ciclos semanais diferentes, todos acontecendo ao mesmo tempo. E o fechamento dessas semanas pode ser qualquer dia entre 1 e 10 dias, que podem acontecer todos ao mesmo tempo, ou seja, no mesmo dia (ahn?). Ou seja, só nesse ponto nossa noção de tempo e calendário há foi pro espaço! A coisa mais próxima que o Pawukon tem de um ano é um período que dura 420 dias, e é dividido em dois ciclos.

Resumindo pra facilitar: esse ciclo de 420 dias é composto por dois períodos Pawukon que duram 210 dias e que possuem 10 ciclos semanais diferentes acontecendo ao mesmo tempo, e cada dia pode ter até 10 nomes diferentes. Cada um desses dias também funciona como uma semana por si só, a não ser quando não funciona assim. Isso depende, claro, de cálculos matemáticos ultra complexos. Deu pra entender?

O sistema métrico utilizado pela França durante um tempo também deu nó na cabeça de uma galera. Ele foi adotado durante a época da Revolução Francesa, já que os líderes revolucionários achavam o calendário gregoriano “excessivamente religioso” e “ultrapassado”.

Sendo assim, decidiram converter as semanas, horas, minutos e segundos para o sistema métrico. Sem se importar se o resto do mundo não usava esse método de contagem de tempo, converteram cada unidade de tempo em decimais.

Assim, em 1793, este novo calendário republicano francês (mais conhecido como calendário revolucionário francês) foi apresentado ao povo, e basicamente ficou assim: as semanas francesas tinham dez dias de duração ao invés de sete; cada dia tinha a duração de 10 horas, que por sua vez duravam 100 minutos, que por sua vez duravam 100 segundos.

E não foi só isso. Decidiram mudar todos os nomes dos dias e meses, substituindo-os por algarismos romanos. Como muita gente não curtiu essa mudança, chamaram um poeta para criar nomes mais bonitos e poéticos para eles. Mas o resultado também não foi muito animador, já que os meses ganharam nomes como “nevoso”, “chuvoso”, “quente” etc. Não bastando, ele ainda criou um nome único para cada dia do ano, ou seja, as pessoas eram obrigadas a memorizar todos os nomes dos 365 dias da semana, entre eles: ganso, barril, burro, carvão, cobre, xarope e praga (não, a gente não inventou isso).

Nem toda poesia do mundo salvaria esse calendário, que estava fadado ao fracasso, já pelo fato de que aumentaram três dias de trabalho por semana. Ele foi muito criticado por ser uma loucura e banido após 14 anos de uso.

Os calendários costumam evoluir ao longo dos anos, assim como tudo na vida, e aqueles que não funcionam bem costumam ser extintos.

Mas, por incrível que pareça, alguns funcionam apenas bem o suficiente, e ainda assim sobrevivem até os dias atuais, independentemente de suas falhas. Nos parece ser o caso do tradicional calendário islâmico, o calendário Hijri, utilizado por muçulmanos de todo o mundo. Um exemplo de como ele é complicado: em agosto de 2013, a Suprema Corte da Arábia Saudita teve que se reunir para definir quando um mês começava, e chegaram à conclusão que o mês havia ultrapassado um dia e que deveria ser interrompido para o início do novo mês.

Isso porque o calendário islâmico é baseado no princípio de observação da lua, e no princípio de que o mês inicia junto com o aparecimento de uma nova lua crescente. Não parece tão complicado, né? Isso tem sido feito por milênios, o que pode dar errado? Apenas o fato de que a tradição islâmica exige que o novo crescente deve ser avistado por olhos humanos, à noite. Ou seja, se estiver nublado, a coisa já fica complicada.

E esse nem é o maior problema. A lua é avistada nos diferentes pontos da Terra em ângulos diferentes, e muitas vezes a observação é afetada por obstáculos diferentes – como montanhas, por exemplo, que podem obstruir a visão. E as nações muçulmanas nunca definiram um padrão de observação da lua que pudesse ser utilizado com eficiência no mundo todo, assim mesmo o cálculo do início do mês de celebrações importantes para eles, como o mês de jejum do Ramadã, acaba sendo controverso e confuso. Coisas do tempo…

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