Sentir cólicas é normal?

Metade das mulheres convive com este problema, mas especialistas afirmam: sentir cólicas pode não ser normal.

É um fato praticamente universal: quase todas as mulheres sofrem a cada ciclo com cólicas menstruais. Em levantamentos, 50% afirmaram sentir fortes dores durante a menstruação. Para piorar as coisas, elas chegam justamente após a TPM, período caracterizado por sintomas físicos (aumento das mamas, que ficam doloridas, dor de cabeça, retenção de líquidos) e psicológicos (agressividade, irritação, nervosismo, depressão). O problema – que afeta homens e mulheres – é tão antigo que foi descrito pelo grego Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, séculos antes da Era Cristã.

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As cólicas menstruais são tão comuns que se tornaram o principal motivo de ausências no trabalho e na escola entre as adolescentes e jovens (a CLT prevê o abono de faltas no período). Isto pode ser sinal de alterações hormonais anormais, problemas anatômicos congênitos.

A dismenorreia – este é o nome técnico para as cólicas menstruais – é provocada pelo aumento da produção de prostaglandina pelo útero, responsável pelas contrações do órgão (o mesmo fenômeno que ocorre na expulsão do feto, no final da gravidez, mas com menor intensidade).

As cólicas se localizam no baixo ventre e irradiam para as costas, dando impressão de cólicas intestinais (o que também pode ocorrer, porque a prostaglandina também agem nos intestinos). Elas são uma dor sequencial: vêm, duram alguns segundos (ou até um minuto), cessam e retornam em seguida. Mas, nos intervalos, permanece a dor basal (a sensação de dolorido).

As cólicas são intensificadas com água fria (que promove a vasoconstrição). Com os vasos sanguíneos estreitados, a prostaglandina não tem por onde escapar, permanecendo em maior quantidade do útero. Obesidade, tabagismo e causas genéticas também complicam o problema.

Dismenorreia primária

Em todos os ciclos, a mulher se prepara para engravidar – um óvulo se desprende do ovário, o útero produz um tecido para fixar o futuro embrião (o endométrio). Se a gravidez não ocorrer – o que acontece na esmagadora maioria dos meses – o útero expulsa o endométrio, juntamente com o óvulo não fecundado. Para isto, as concentrações são necessárias.

Nestes casos, as cólicas são leves ou ao menos suportáveis. Além disto, elas não provocam nenhuma lesão nos órgãos pélvicos. Muitas mulheres experimentam alívio a partir dos vinte e poucos anos, em função da regularização hormonal. Outras, apenas depois da primeira gravidez. Enquanto a TPM afeta em geral as mulheres mais velhas, as cólicas menstruais são mais comuns nas adolescentes e adultas jovens, cujo corpo ainda está se acostumando com a ação dos hormônios.

Estas cólicas cessam ou são atenuadas com medicamentos como o ibuprofeno e o uso de pílulas anticoncepcionais, que regula o ciclo hormonal. Em função da queda do estrogênio, podem surgir fortes dores de cabeça (24 horas antes do sangramento, que podem permanecer por todo o período). Se as dores não cederem, é preciso procurar ajuda médica. Outras opções são compressas quentes (sem excesso, porque o calor aumenta a quantidade de sangue expelido), refeições leves e menos espaçadas, massagens circulares leves na região do umbigo, elevação das pernas em relação ao quadril, relaxamento, manter o peso. Caso as cólicas apareçam durante a TPM, suplementos de cálcio, magnésio e vitamina B6 podem ajudar.

Dismenorreia secundária

Os problemas ficam mais complicados quando há outros fatores provocando as cólicas. Neste caso, ela está associada a alterações do sistema reprodutivo, que podem ser: doenças sexualmente transmissíveis, anormalidades anatômicas no formato do útero, dos ovários, ou da vagina (o que pode prejudicar ou mesmo impossibilitar uma futura gravidez), hímen imperfurado (sem orifício para a saída do sangue menstrual), uso de DIU (dispositivo intrauterino, especialmente os feitos de cobre), miomas, cistos, infecções e até endometriose (ocorre quando o endométrio se desenvolve irregularmente, ocupa as tubas uterinas e até o canal vaginal).

A dismenorreia secundária costuma surgir desde dois anos depois da primeira menstruação, mas é mais comum em mulheres mais velhas. Por isto, as meninas precisam ser acompanhadas por um ginecologista desde a menarca e esta orientação deve permanecer por toda a vida.

Muitas mulheres experimentam dores tão fortes, que ficam impossibilitadas de desenvolver as atividades diárias em alguns casos, chegam a vomitar e até a desmaiar. Em alguns casos, é preciso realizar uma neurectomia pré-sacral – a interrupção dos nervos do útero.

A endometriose é a causa mais frequente da dismenorreia secundária: 24% das mulheres que vão ao consultório médico com reclamação de dores pélvicas são diagnosticadas com esta doença, que pode provocar infertilidade.

Portanto, sentir cólicas é normal, mas quando as dores se tornam insuportáveis, a ponto de prejudicar o dia a dia, é preciso procurar auxílio médico. Mesmo que não seja um caso grave, é possível amenizá-las com inibidores de prostaglandina, dilatação de um canal uterino muito estreito (que também pode indicar se uma curetagem é necessária), hipnose e mesmo com técnicas da medicina tradicional chinesa.

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