Quem foi Anne Frank?

Adolescente alemã de origem judaica, Anne Frank foi uma das vítimas do Holocausto.

Uma entre um milhão de crianças judias assassinadas durante a Segunda Guerra, Anne Frank deixou um comovente diário, descoberto após sua morte, que a tornou mundialmente famosa. Publicado anos depois do fim dos conflitos, “O Diário de Anne Frank” foi traduzido para diversos idiomas, milhões de volumes foram vendidos e a história se tornou um filme.

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Annelisse Marie Frank nasceu em Frankfurt, em 1929, mas quatro anos depois a família se mudou para Amsterdã, na Holanda, em função do início da perseguição nazista aos judeus. O pai conseguiu emprego numa fábrica de sucos (posteriormente fundou sua própria empresa) e as duas meninas – Anne e a irmã Margot – foram matriculadas em escolas da cidade. A vida parecia se reorganizar. Uma amiga de escola relatou que a jovem sempre gostou muito de escrever, mas nunca permitia que outros lessem, nem comentava o teor do material.

A guerra

Mas eles deveriam ter ido mais longe. Em setembro de 1939, teve início a guerra e oito meses depois a Holanda foi ocupada pela Alemanha, que implantou as mesmas restrições no país, tais como o cadastro dos judeus e posterior segregação. Começaram as primeiras deportações e a família conseguiu se esconder, em 1942, em cômodos secretos de um edifício comercial.

No esconderijo, Anne Frank começou a anotar passagens sobre ela mesma e sobre o cotidiano das pessoas que partilhavam o espaço – várias famílias dividiam as acomodações. Conseguiram permanecer no anexo secreto por dois anos, apesar dos tremendos riscos que corriam quando saíam para adquirir o necessário para o dia a adia.

Em 1944, um delator desconhecido indicou o local e as características para as tropas alemãs. Ela e a irmã foram levadas para vários presídios e finalmente para o campo de concentração de Bergen Belsen, onde morreram de tifo em março de 1945, poucos meses antes do fim da guerra. A mãe, Edith, foi selecionada para as câmaras de gás, mas morreu de inanição na mesma época.

A publicação

O único sobrevivente da família foi Otto Frank, pai de Anne. Depois que a Alemanha desocupou a Holanda, ele voltou a Amsterdã e conseguiu encontrar os manuscritos e durante anos percorreu editoras para mostrar o material. O diário cobre o período de 12.6.1942 (13º aniversário da jovem) a 1º.8.1944. Provavelmente deixou de registrar os horrores do campo por causa da fraqueza orgânica.

Em 1947, Otto finalmente encontrou uma editora disposta a publicar o diário. Os relatos iniciais são pessoais, mas progressivamente a garota passa a se preocupar com a situação do país. Anne gostava muito de cinema, mas as salas foram interditadas em 1941. Em 1942, Margot recebeu um aviso do Escritório Central de Emigração Judaica. A jovem devia se apresentar para ser deportada para os campos. Foi a senha para que Otto revelasse os planos de esconder a família no anexo secreto, onde alguns empregados de confiança os ajudariam. Provavelmente, foi um destes funcionários que delatou a presença de judeus ocultados no local para as autoridades alemãs.

O diário conta a ajuda deste pequeno grupo, que precisava fazer verdadeiras peripécias para levar mantimentos e informações sem despertar suspeitas. Anne escreveu sobre a dedicação dos amigos e das impressões dos judeus escondidos com os desdobramentos políticos e a perseguição cada vez mais forte. Com o prolongamento da guerra, alimentos foram racionados e eram cada vez mais difícil de ser encontrados. O grupo de apoio foi heroico, já que a pena para quem auxiliasse judeus era a morte, sem apelação.

Anne relata o momento da prisão, juntamente com as famílias Kugler e Kleiman (que dividiam o espaço), a chegada à sede da Gestapo (a polícia secreta nazista), os interrogatórios intermináveis, a transferência para a casa de detenção, a separação dos pais e a chegada a Auschwitz.

Homens e mulheres seguiam viagens em trens diferentes, razão por que Otto foi separado da família. No campo, Edith foi marcada para morrer imediatamente, enquanto as duas jovens foram forçadas a ficar nuas (para a desinfecção), tiveram os cabelos raspados e foram tatuadas com o número de matrícula no braço.

Em pouco tempo, elas contraíram sarna e foram transferidas para uma enfermaria sem iluminação. Anne relata que o local era infestado por ratos. No entanto, houve uma breve boa notícia: Edith recebeu permissão para ficar com as filhas. Repassava todo o alimento recebido para as meninas, o que determinou a inanição. No final de outubro de 1944, teve início a transferência para Bergen Belsen, mas a mãe, em péssimas condições de saúde, foi abandonada.

Em março do ano seguinte, uma epidemia de tifo matou 17 mil pessoas.

Em 15 de abril, forças britânicas libertaram o campo. Dos 108 mil judeus deportados da Holanda, apenas cinco mil conseguiram sobreviver.

O livro sofreu refutações de vários revisionistas, que queriam negar o Holocausto, ou ao menos suas proporções. Muitos diziam que algumas passagens haviam sido inseridas depois da guerra. Antes de morrer, porém, Otto Frank entregou os originais do diário, com algumas cartas e folhas soltas, para o Instituto Holandês para a Documentação da Guerra; exames grafotécnicos confirmaram a autoria da integralidade do “Diário de Anne Frank”.

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2 Comentários

  • Percebi um erro na publicação,nessa parte:”No final de outubro de 1994, teve início a transferência para Bergen Belsen, mas a mãe, em péssimas condições de saúde, foi abandonada.” Acredito que o ano seja 1944 e não 1994. Tanto que a guerra só terminou em 1945.

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