Qual a diferença entre fratura e luxação?

As duas são traumas ósseos, mas há diferenças entre fratura e luxação.

Fratura e luxação são lesões mais ou menos graves nos ossos. Podem ocorrer em qualquer osso do corpo, mas são mais comuns nas áreas próximas às articulações (ombros, cotovelos, mãos, pés e dedos, quadris, joelhos e tornozelos) e potencialmente mais preocupantes quando atingem a coluna vertebral. São bastante dolorosas e requerem intervenção médica de urgência.

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Traumatismos sempre provocam danos mais ou menos graves nos músculos, ossos e tendões adjacentes, ou mesmo em locais mais remotos, se o esforço de movimento impuser pressões severas em outras regiões. Em uma contusão, é comum a formação de hematomas (manchas roxas), inchaço e muita dor no local, mas a integridade dos ossos e articulações permanece intacta. Nas entorses, ocorre uma perda momentânea dos ligamentos ou da congruência articular (o invólucro que reveste as articulações).

No caso de entorses, podem ocorrer rupturas de um ou mais ligamentos e rigidez muscular, inclusive com o impedimento dos movimentos. Mas tanto a contusão como a entorse geralmente se regeneram naturalmente (a menos que ocorram danos em vasos sanguíneos, tendões ou nervos), enquanto em casos de fratura e luxação é necessária a fixação e imobilização.

Seja como for, um trauma físico é sempre resultante de uma pancada externa (queda contra o solo, acidentes de carro ou moto, pancadas violentas contra um anteparo – que pode ser um muro ou um adversário durante a prática esportiva –, etc.).

Podem ocorrer também as chamadas lesões patológicas, quando surgem lesões ósseas, decorrentes de traumatismos mínimos e até espontaneamente. Quase sempre, estes problemas estão relacionados a fragilizações no tecido, decorrentes de desmineralização (como a osteoporose, comum em 30% das mulheres a partir da menopausa, mas também incidente em homens) ou da presença de tumores. Em qualquer caso, o diagnóstico só pode ser obtido através de exames de imagens (como as radiografias).

A fratura

Quando a energia liberada pelo trauma atinge um osso com força superior à sua capacidade de deformação, o acidente prejudica sua integridade e ocorre o que os ortopedistas chamam de solução de continuidade óssea: em outras palavras, a estrutura do tecido ósseo foi rompida, condição identificada pelos raios-X.

Em muitos casos, pacientes fraturados costumam fazer uma diferença entre fratura e fissura. É comum, em prontos-socorros, ouvir-se a expressão “foi só uma fissura”, provavelmente para reduzir a ansiedade dos parentes aflitos. Tecnicamente, porém, a fissura é uma fratura incompleta: ocorre uma rachadura mais ou menos extensa do osso, sem provocar o rompimento completo do tecido. Mesmo assim, a imobilização da região é necessária, para permitir a regeneração.

Em outros casos, a chamada fissura pode atingir o comprimento completo do osso (geralmente no sentido horizontal), mas sem provocar alterações em sua forma. Nestas situações, o tratamento é mais simples, já que, mais uma vez, apenas a imobilização é suficiente para que o tecido ósseo se regenere.

Por fim, existe a fratura “clássica”: o osso se parte em duas ou mais partes e o impacto faz com que cada parte fraturada se desloque em sentidos diferentes. É possível a ocorrência de rompimento da pele por causa do impacto do osso lesionado (fratura exposta). Quanto mais extenso for o trauma, maiores as probabilidades de intercorrências, como danos a vasos sanguíneos, nervos e músculos.

Um paciente politraumatizado é aquele que sofreu fraturas em diversas partes do corpo ou mesmo em um único osso. As fraturas cominutivas são aquelas em que um osso se parte em diversos pequenos fragmentos.

A luxação

Os ossos se interligam através de estruturas chamadas articulações, que oferecem ao corpo uma série de movimentos, em diferentes graus. Em alguns locais, a amplitude é bastante considerável, como a dos ombros, a maior de todas; em outros, é quase nula, como na junção entre fíbula e tíbia na altura dos tornozelos, cuja principal função é a de sustentação (a mobilidade dos pés é garantida pela articulação entre a tíbia e o tálus).

No entanto, as mesmas energias responsáveis pelas fraturas podem atingir as articulações. O efeito é semelhante, mas, no caso, estas forças simplesmente afastam os ossos adjacentes, sem resultar em nenhum rompimento do tecido ósseo. A perda de contato entre as extremidades dos ossos é a chamada luxação.

Alguns casos podem ser bastante graves: uma luxação no joelho, por exemplo, separa o fêmur (o maior osso do corpo) da tíbia, o que acaba lesando as estruturas próximas. O fluxo sanguíneo da região passa por um único vaso, a artéria poplítea (atrás do joelho).

Quatro em dez destes casos de luxações prejudicam a circulação; sem tratamento adequado, isto pode resultar até em amputações, em poucas horas.

Outras situações complicadas são as luxações do fêmur, ombro, punho (que, se negligenciada, pode causar rigidez definitiva) e mesmo a aparentemente prosaica luxação da raiz do dedo indicador. Na quase totalidade destas lesões, o local da luxação é preenchido por uma estrutura chamada placa volar. O quadro dificilmente é corrigido sem o recurso da cirurgia.

A confusão entre fratura e luxação pode ser devida ao fato de que, muitas vezes, elas resultam de um mesmo trauma. Quando ocorre uma pancada ou queda, a lesão não surge apenas em determinado tecido, mas agride tanto os ossos como as estruturas próximas. Assim, é possível que o osso, além de se fraturar, também perca contato com os ossos próximos.

O tratamento

Na maioria dos traumatismos, o chamado tratamento conservador consiste em reduzir a fratura ou luxação, através do reposicionamento ósseo (para realinhar os segmentos lesionados), seguido de imobilização com gesso ou tala gessada. No primeiro caso, todo o membro é imobilizado com gesso e algodão ortopédico, que formam uma estrutura rígida e circular.

No segundo, uma porção de gesso fixa o membro e é envolvida com algodão e faixas; geralmente, o procedimento é adotado nos casos em que a região sofre com inchaços, para prevenir contra problemas de circulação sanguínea, fato que provoca dor e, em alguns casos, necrose e risco de amputação. O tratamento é complementado por analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos (especialmente nos casos de luxações e fraturas expostas, para evitar infecções oportunistas).

Uma vez retirado o gesso e verificada a regeneração dos tecidos prejudicados pelo trauma, a equipe médica avalia a condição do paciente, que pode ser submetido à fisioterapia, cujos objetivos principais são recuperar a amplitude dos movimentos da articulação e aumentar a força muscular. As sessões de fisioterapia são diárias, acrescidas de exercícios leves, que podem ser realizados em casa.

Nos casos de luxação, por mais simples que pareçam aos leigos, as sessões de fisioterapia são praticamente obrigatórias.

A indicação de cirurgia depende da severidade do traumatismo. Em geral, os procedimentos, que devem ser adotados com a maior rapidez possível, são realizados especialmente nos casos de fraturas cominutivas, expostas e intra-articulares (que ocorrem nas extremidades ósseas, no interior das articulações) e nas luxações que comprometem a circulação do sangue. Em muitos casos, são aplicados parafusos e placas e a recuperação é bem mais lenta do que nos casos mais comuns.

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