Prolapso genital: causas e tratamentos

Popularmente conhecido como bexiga caída, o prolapso genital afeta 20% das mulheres a partir dos 40 anos.

O nome popular não é muito preciso: o prolapso genital é um distúrbio provocado pela perda de sustentação não só da bexiga, mas também da uretra, útero, intestino delgado, reto e de segmentos da vagina. O motivo é o enfraquecimento do assoalho pélvico, um conjunto de músculos e ligamentos na região dos genitais e das coxas, responsáveis pela continência fecal e urinária e com importante papel na vida sexual.

A expressão “bexiga caída” deriva das sensações provocadas pela doença: como o prolapso genital permite que a bexiga comece a descer pela cavidade vaginal, a paciente tem a sensação de que este órgão esteja empurrando sua vagina para baixo.

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O nome varia de acordo com o órgão afetado: cistocele (bexiga), eritrocele (vagina), uretrocele (uretra), retocele (reto), enterocele (intestino) e prolapso uterino. A imensa maioria dos casos ocorre entre as mulheres, que possuem dois hiatos centrais entre os orifícios do ânus, vagina e uretra. Isto pode promover uma falha na musculatura coccígea e na musculatura elevatória anal, possibilitando a descida de órgãos da cavidade pélvica.

A prevalência do prolapso genital é alta. Pode ocorrer em todas as idades (portanto, é necessário estar atenta aos sinais emitidos pelo corpo e fazer exercícios para fortalecer a musculatura pélvica), mas é mais comum a partir dos 40 anos, quando uma em cada cinco mulheres é afetada.

A partir dos 60 anos, as que tiveram mais de um filho compõem o maior grupo de risco. Nesta faixa etária, o prolapso genital é identificado em 60% da população feminina. Estudos mostram que, a cada década de vida, dobram as chances de surgir o problema.

A história

O prolapso genital é um velho conhecido da Medicina. O registro mais antigo da doença consta do Papiro de Ebers, manuscrito com mais de 700 fórmulas mágicas e remédios populares do antigo Egito, datado de 1550 a.C. Séculos mais tarde, em 120 a.C., foi realizada a provável primeira cirurgia de remoção de útero por via vaginal, pelo grego Sorano de Éfeso.

No século XVIII, cirurgias para tratamento do prolapso genital eram feitas por meio de amputação (a parte do órgão exposta era retirada). Via de regra, as pacientes faleciam poucos dias depois da cirurgia. Apenas no final do século seguinte, os tratamentos começaram a ter sucesso, quando médicos americanos observaram que o útero ocupava posições diferentes de mulher para mulher e, portanto, era necessária uma descrição detalhada no exame vaginal.

Contudo, o relaxamento das paredes vaginais foi descrito por completo somente em 1974; a partir de então, a Medicina passou a entender mais claramente as hérnias no canal vaginal e sua relação com a descida de órgãos como intestino, útero e bexiga.

A prevenção do Prolapso genital

O excesso de peso é responsável por boa parte dos casos de prolapso genital. Dieta e exercícios ajudam a manter o peso sob controle e reduzir as chances de desenvolver o distúrbio.

Durante a gravidez, não se deve cuidar dos exames pré-natais. Existem exercícios físicos específicos para este período que não só fortalecem o assoalho pélvico, mas também facilitam o trabalho de parto e a recuperação da gestante. As atividades físicas precisam ser acompanhadas por um especialista, já que as séries que promovem pressão intra-abdominal não são indicadas para grávidas, nem para portadoras de prolapso genital.

As causas do Prolapso genital

A gravidez e o trabalho de parto são as principais responsáveis por tornar os músculos do assoalho pélvico mais flácidos e delgados, já que a pressão intra-abdominal durante a gestação e a passagem do bebê pelo estreito da pélvis provocam rupturas nos músculos da cavidade pélvica. Mesmo mulheres que tenham tido apenas um filho, mas nascido acima do peso considerado normal, também têm as chances aumentadas de desenvolver a doença.

O parto normal pode ser considerado um agravante para o prolapso genital, mas as cesarianas não resolvem o problema, além da pressão durante a gravidez, a cirurgia provoca lesões no assoalho pélvico vaginal.

Outros fatores que podem determinar o prolapso genital são a obesidade (que determina um aumento crescente da pressão intra-abdominal), histórico familiar para distopia (localização anormal dos órgãos), menopausa, avanço natural da idade, desordens hormonais, diabetes, cirurgias pélvicas e abdominais, retirada do útero, certas doenças musculares, neurológicas e genéticas. Mesmo uma tosse crônica (provocada por bronquite, por exemplo), pode ser responsável pela “bexiga caída”.

É importante notar que o prolapso vaginal não é uma alteração que surge naturalmente com o envelhecimento: é um distúrbio para o qual existe tratamento. O médico deve ser procurado logo ao surgirem os primeiros sintomas.

Os sintomas do Prolapso genital

Nos estágios iniciais, o prolapso genital é assintomático. Com a progressão do quadro, pode surgir um abaulamento da cavidade vaginal. Muitas mulheres relatam sensação de peso e dor no baixo ventre, fatores que diminuem no estado de repouso.

No dia a dia, o prolapso genital pode provocar certos constrangimentos para as mulheres. As relações sexuais se tornam dolorosas até o ponto de serem impossíveis. As incontinências podem provocar alterações drásticas na rotina – como não poder sair de casa. Além disto, a doença pode provocar dores intensas.

Nas cistoceles, há comprometimentos na micção, que vao desde a incontinência urinária até a impossibilidade de urinar (a bexiga desce pela cavidade vaginal a tal ponto que a pressão sobre a uretra impede a saída da urina). Nas retoceles e enteroceles, os comprometimentos incluem prisão de ventre ou crises frequentes de diarreia, além da sensação falsa e frequente da necessidade de ir ao banheiro (tenesmo, na terminologia médica).

Diagnóstico e tratamento do Prolapso genital

O diagnóstico é obtido através do histórico da paciente e de exames clínicos realizados na posição ginecológica e em pé. Exames de imagem só são necessários em caso de recidivas (recaídas).

O tratamento é sempre cirúrgico, para correção plena do defeito na musculatura pélvica e das lesões secundárias que geraram a incontinência fecal e urinária. Como já foi dito, existem exercícios físicos que contribuem para prevenir o prolapso genital. No entanto, uma vez estabelecido, não existem outras possibilidades de tratamento.

Na cirurgia, por via vaginal ou laparoscópica, são colocadas telas de material sintético para fortalecer as regiões com menos músculos entre o ânus, vagina e uretra para conter a descida dos órgãos. O implante das telas é considerado minimamente invasivo.

O índice de sucesso das cirurgias chega a 90%. Para pacientes mais velhas, no entanto, a intervenção pode ser contraindicada. Nestes casos, é possível recorrer à introdução de anéis de borracha na vagina específicos para reposicionar a bexiga, o útero ou o reto. São procedimentos temporários, pois, por serem rígidos, podem provocar ferimentos na mucosa vaginal, facilitando o desenvolvimento de infecções urinárias e genitais.

Sem tratamento, o prolapso genital pode continuar evoluindo. O distúrbio provoca a escarificação (uma série de cortes e microcortes) da mucosa da vagina e do tecido que reveste o colo do útero, deixando a região exposta ao atrito com a roupa íntima e mesmo a alterações climáticas, favorecendo a formação de feridas e a ocorrência de infecções de repetição.

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