Por que os piratas usavam tapa-olhos?

Eu sou o pirata da perna de pau, do olho de vidro, da cara de mau”. Mas não era por isto que os piratas usavam tapa-olhos.

A explicação mais comum é que eles eram cegos de um olho ou tinham outro problema qualquer de visão. Mas não é este o motivo do adereço: os piratas tinham outras razões para usar tapa-olhos. O principal motivo era melhorar a visão, especialmente com relação à parte de dentro e de fora do navio.

Os tapa-olhos foram criados por motivos estéticos, já que podem ocultar um olho roxo obtido em uma briga. Posteriormente, a medicina os adotou para proteger olhos submetidos a cirurgias ou retinas e córneas com lesões.

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No entanto, eles não usavam olhos de vidro, prótese prejudicial à vida no mar. Além disto, os famosos papagaios sempre no ombro dos capitães são apenas uma lenda: as aves coloridas da América encantaram os conquistadores e rendiam bom dinheiro na Europa (mas acabavam morrendo, por não conseguir se adaptar ao frio do Velho Continente).

Só para explicar: os piratas eram bandidos que agiam a bordo de navios (ainda agem, mas não usam mais tapa-olhos), isolados ou em grupos. Com o ciclo das Grandes Navegações, a partir do século XV, muitas pessoas espertas encontraram uma boa ocasião para saquear embarcações portuguesas, espanholas, francesas, holandesas e inglesas que retornavam das colônias para as metrópoles com cargas de ouro e prata, especiarias (bastante apreciadas e caras na Europa), madeiras nobres, açúcar e outros itens. Foi a época de ouro da pirataria.

O termo “pirata” já era conhecido por navegantes fenícios e gregos ainda na era pré-cristã. Desde que o homem começou a transportar produtos pelo mar, surgiram bandidos para lucrar com pouco esforço. Atualmente, navios petroleiros e graneleiros ainda sofrem com a ação da pirataria.

No entanto, os piratas com tapa-olhos são típicos da Idade Moderna. O primeiro a usar o adereço foi o francês François le Clerc. Livros, filmes e desenhos se encarregaram de construir o “visual pirata” no imaginário popular.

Cruzando os mares

Até o século XIV, era consenso que a Terra tinha formato plano. Alguns estudiosos até afirmavam a esfericidade do planeta, mas uma das explicações da fantasiosa geografia da Idade Média é que o hemisfério sul era totalmente pelas águas (o poeta Dante Alighieri explica, na “Divina Comédia”, que o polo Sul foi o local em que Lúcifer, um arcanjo que se revoltou contra Deus, foi precipitado ao cair do céu; as terras teriam se afastado por horror do diabo recém-chegado).

O genovês Cristóvão Colombo, a serviço da Coroa espanhola, conseguiu provar o contrario. Seu objetivo, navegando com três caravelas para oeste, era atingir as Índias, cujo roteiro por terra havia sido interditado quando os turcos tomaram Constantinopla (atual Istambul, importante ponto da rota da seda, entre a Europa e a China).

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Ele não contava, no entanto, que a América estivesse no meio do caminho. Colombo morreu sem saber que havia descoberto o Novo Mundo, mas os reinos europeus encontraram no continente uma excelente fonte de renda, que encheu os cofres dos reis por mais de 300 anos.

Mas, se o oceano Atlântico estava franqueado para conquistadores e aventureiros, também serviu de palco para piratas e corsários (eram piratas a serviço de governos que tinham a “carta de corso”, autorização para pilhar navios de outras ações).

Navegar em alto mar, no entanto, era bem complicado. Sem energia elétrica e dispondo apenas de pequenos fachos para iluminar os camarotes e casas de máquinas, era preciso improvisar. Alguém bastante criativo resolveu alternar os olhos: um deles era empregado para visualizar os ambientes internos (e escuros) e o outro, para se movimentar no convés do navio – enxergar mal perto de uma amurada baixa podia significar a morte certa, especialmente porque as embarcações piratas (geralmente roubadas de expedições oficiais) tinham o tombadilho repleto de canhões, apesar de este armamento nem sempre ser necessário: muitos capitães se rendiam sob a promessa de serem pilhados, mas poderem continuar a viagem em suas caravelas.

Enquanto um olho estava “trabalhando”, o outro ficava coberto por tapa-olhos. Em seguida, ao entrar ou sair, bastava trocar o lado de uso do acessório. Isto era bastante útil especialmente quando eles precisavam fixar a visão no céu para identificar a posição do Sol – ato necessário para estabelecer a rota das caravelas. Basta fazer o teste: entre uma sala escura e um jardim ensolarado, o truque inventado pelos piratas funcionava com bastante eficiência.

Os piratas também usavam piercings no nariz e entre as orelhas, mas a razão é ficção pura: na Idade Moderna, a superstição fazia acreditar que o uso de metais preciosos como adorno melhorava a visão, principalmente a noturna; as joias seriam especialmente úteis durante emboscadas ou tentativas de tomar o navio pirata.

Capacidade de adaptação

Quem gosta de explorar cavernas e outros locais com pouca luminosidade sabe: os olhos se adaptam rapidamente à luz local. Ao entrar em um território escuro, a cegueira é total. Em alguns instantes, no entanto, as retinas se acostumam, permitindo ao menos divisar sombras.

Manuais de treinamento para pilotos militares trazem a informação: mesmo que um olho seja ofuscado repentinamente a uma forte fonte de luz, o outro permanece protegido e funcional. O aeronauta só precisa fechar o olho atingido e pode continuar voando, sem nenhum prejuízo para a rota aérea ou a missão do militar. A Federação Americana de Aviação recomenda que os pilotos mantenham um dos olhos fechados quando expostos à luz, para preservar ao menos em parte a visão noturna.

O truque, no entanto, é mais eficiente quando passamos de um ambiente escuro para outro iluminado. O processo contrário pode levar até 30 minutos, porque os olhos precisam regenerar os fotopigmentos, proteínas presentes na retina que sofrem uma transformação química quando absorvem luz.

Os piratas deviam ter uma aparência bastante estranha quando tiravam o tapa-olho e exibiam uma íris dilatada e a outra contraída. Também devia ser difícil, após uma longa viagem (eram meses seguidos embarcados), acostumar-se a usar os dois olhos ao mesmo tempo.

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