Peste negra de volta?

A peste negra assolou a Europa na baixa Idade Média. E parece estar de volta.

A peste negra é a designação por que ficou conhecida a peste bubônica, uma epidemia que ocorreu na Europa durante o século XIV e matou mais de 25 milhões de pessoas. Alguns pesquisadores acreditam que a peste tenha matado mais de 75 milhões de habitantes, o que equivale a mais de um terço da população do continente na época.

A doença é transmitida pela bactéria Yersinia pestis, transmitida aos humanos pelas pulgas de ratos e outros roedores, como esquilos, coelhos e marmotas, bastante comuns na Europa central, Itália e península Ibérica.

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Os surtos de peste bubônica têm origem em alguns focos geográficos em que a bactéria permanece endêmica, como o sopé do Himalaia (entre China e Nepal) e nos grandes lagos africanos (no centro do continente). As demais populações de roedores foram infectadas séculos atrás, pela movimentação de grupos humanos.

Os ratos-pretos (Rattus rattus), principais matrizes da peste bubônica, vivem em extensas galerias subterrâneas. O nascimento constante de milhares de filhotes permite a rápida transmissão da doença. Há sempre novos portadores das bactérias. A má notícia é que estes bandos acompanham os grupos humanos, ávidos pelo lixo produzido, uma excelente fonte de alimentação.

A volta da peste negra

A peste bubônica acontece na forma de epidemias: afeta toda a população, com exceção das pessoas imunes à Yersinia pestis, até que não haja mais indivíduos para serem infectados. Depois disto, a doença desaparece, até que surja uma nova geração suscetível de ser infectados.

A doença volta a preocupar autoridades de saúde internacionais: a bactéria infectou 263 pessoas na ilha de Madagáscar (sudeste africano), provocando ao menos 71 mortes desde o final de 2014. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está em alerta. O número de óbitos pode ser bem maior, já que muitos enfermos podem nem ter procurado socorro médico.

Um pouco antes, em julho de 2014, uma cidade chinesa foi isolada. Várias rotas que chegam a Yumen, na província de Gansu, foram bloqueadas, depois da morte de um homem com a enfermidade – ele teria se infectado depois de entrar em contato com uma marmota; no mesmo dia, começou a apresentar os sintomas.

As 30 mil pessoas que vivem na cidade foram proibidas de deixar o local. Nenhum outro comunicado de óbito foi noticiado, mas a política chinesa tem como marca a não divulgação de epidemias em seu território, apesar de a peste bubônica, por regras internacionais, ser uma doença de notificação compulsória. Vale lembrar que a população do país ultrapassa 1,3 bilhões de habitantes.

O surto na África começou em novembro e atingiu níveis preocupantes. Os agentes transmissores conseguiram desenvolver resistência até aos inseticidas mais potentes atualmente produzidos. A doença se espalha inclusive em Antananarivo, capital do país, e os mais afetados são os moradores de favelas, densamente povoadas.

Também há surtos isolados na América do Sul. Nos EUA, são registrados, em média, dez casos de peste bubônica a cada ano, todos ocorridos na zonal rural nas últimas décadas. Com o surto em Madagáscar, podem surgir novos focos da doença, em função da frequência da movimentação das pessoas. Adotar medidas de barreira em locais onde há a doença – o que inclui o diagnóstico precoce, isolamento de doentes e suspeitos e tratamento rápido – deve fazer a diferença entre a atual epidemia e a que assolou a Europa no século XIV.

O desenvolvimento da peste negra

A peste negra se desenvolve em dois estágios. O primeiro, chamado de pestis minor, é tratado com antibióticos (Doxicilina, Estreptomicina, Gentamicina, Tetraciclina e Cloranfenicol), mas é preciso que seja identificado nos primeiros dias da infecção. A penicilina não é eficaz para a destruição das bactérias Yersinia pestis.

Na segunda fase, a peste bubônica, septicêmica (cria condições para uma infecção generalizada) ou pneumônica, atinge a corrente sanguínea e os pulmões. Infectados não tratados podem morrer em até 24 horas a partir da identificação dos primeiros sintomas. Dados da OMS indicam que 8% dos infectados atingem o segundo estágio, mas muitas mortes podem acontecer ainda durante o primeiro estágio.

Os sintomas da peste bubônica

A peste bubônica tem este nome por provocar a erupção de bulbos na pele: buracos cheios de pus em todo o corpo. A doença também causa necrose, especialmente, nas extremidades dos dedos. A forma principal de combate é a ampliação do saneamento básico e das condições adequadas de higiene, para reduzir as populações de roedores – e consequentemente das pulgas que transmitem a doença. Isto, no entanto, é uma perspectiva distante para os países em desenvolvimento.

Os primeiros sintomas surgem entre dois e cinco dias da exposição à bactéria, mas podem ocorrer em apenas 12 horas. Febre alta (de até 42°C) e calafrios são um sinal de alarme. Os batimentos cardíacos se tornam rápidos e fracos.

Ínguas (inflamações nos gânglios linfáticos, pequenas estruturas orgânicas do sistema linfático, responsável por filtrar a linfa e produzir anticorpos) aparecem especialmente nas axilas, virilha e pescoço sempre que a febre cede um pouco. Estes caroços escurecem a pele e são palpáveis e dolorosos à palpação. Não há tratamento para ínguas, que são apenas uma resposta do sistema imunológico à infecção: é preciso dar combate à peste bubônica.

Vertigens, fotofobia, (intolerância à luz), dores de cabeça, cansaço extremo e tosse ocorrem em 24 horas. No início, o escarro é claro, mas rapidamente começa a apresentar sinais de sangue e, em seguida, torna-se espumoso (vermelho ou rosado).

A peste pode ser minor, bubônica, septicêmica ou pneumônica. Pode ocorrer também agitação, desorientação mental, perda da coordenação motora e inchaço do baço e do fígado, que deixam de funcionar de forma adequada.

A peste septicêmica alcança rapidamente a corrente sanguínea e provoca infecções em todo o corpo. É a forma mais letal da doença, provocando a morte de mais da metade dos infectados. A peste pneumônica atinge os pulmões e provoca alterações na respiração, com a consequente redução no fornecimento de oxigênio para as células. Neste tipo, as bactérias podem ser transmitidas por secreções broncopulmonares e gotas de saliva.

A letalidade depende da linhagem das bactérias, que se multiplicam com maior rapidez depois de um período de seca seguido por fortes chuvas. Para a Yersinia pestis, a temperatura ideal é abaixo dos 26°C. No caso de Madagáscar, enchentes causadas por uma tempestade no oceano Índico e por um ciclone que atingiu a ilha deixaram milhares de pessoas desabrigadas. As condições climáticas também favoreceram a alta reprodução de ratos.

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