Para que serve o universo?

Houve tempo em que o homem se considerava o centro do universo, mas o cosmos é muito mais amplo.

“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. A frase é de Hamlet, um dos personagens mais complexos criados por William Shakespeare, e trata de uma questão metafísica, mas é perfeita para ilustrar a nossa questão: para que serve o universo?

Apenas alguns milênios atrás, os homens olhavam para o céu e se perguntavam sobre o significado daquela imensa abóbada que clareava e escurecia.

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Muitas civilizações antigas entendiam que a terra era o centro do universo, protegida por um escudo sideral e o Sol e as estrelas giravam em torno do nosso planetinha, ou eram apenas aberturas no firmamento, as mesmas por onde escorriam as “águas superiores”: a chuva.

No Ocidente, acostumamo-nos, durante séculos, a acreditar que o homem era o centro da criação. O livro bíblico da Gênese diz que o mundo foi criado em seis dias: no último, a divindade criou Adão e Eva, colocando-os para viver em um jardim paradisíaco, do qual o casal primordial foi expulso em função do pecado.

Perdendo estatura

O Cristianismo, pouco a pouco, se tornou a fonte central do conhecimento na Europa e, entre os séculos IV e XV, prevaleceram as “verdades” contidas nos textos sagrados. Muito antes, os egípcios, gregos e romanos já imaginavam a Terra como uma esfera, mas, na Idade Média, o conceito de “terra plana” voltou a ser divulgado.

Gradualmente, porém, surgiram teorias astronômicas. Giordano Bruno (queimado na fogueira) e Galileu Galilei (mantido em prisão domiciliar) são exemplos de estudiosos que corroboraram a teoria do heliocentrismo, defendida inicialmente, por Nicolau Copérnico, que colocou o Sol como centro do universo.

As perseguições religiosas não conseguiram reter o avanço científico. Vale lembrar que, na época, as instituições políticas e clericais não eram separadas nos Estados europeus – e a ciência seguia seu curso quase sempre na contramão do poder.

A Terra perdeu para o Sol (na mitologia grega, a estrela é Hélios, o deus que conduz o carro solar da aurora ao ocaso) o status de centro do universo e, pouco depois, o Sistema Solar passou a ser apenas mais um entre outros. Constelações deixaram de ser grupos reais de estrelas, que passaram a ser definidos como galáxias.

Apenas para constar: a UAI (União Astronômica Internacional) classifica 88 constelações visíveis a olho nu. São grupamentos aparentes de estrelas aparentemente próximas, formando imagens de pessoas, animais e objetos – ao menos, na imaginação dos povos antigos. Na zona do Equador, povos antigos identificaram 12 constelações e criaram uma elíptica em torno da Terra: os 12 signos do zodíaco, com imagens de um leão, um escorpião e um aguadeiro (o aquário), por exemplo.

Galáxias são grupos de corpos celestes – estrelas, planetas, asteroides, poeira cósmica e outros astros – que possuem diversos formatos (espiral, elíptico, irregular, etc.). Em muitas delas, a semelhança com o Sistema Solar (e com a Terra) é muito grande. A possibilidade de vida – e vida inteligente – é muito grande. O homem e seu pequeno planeta se tornaram ainda menores.

Sem telescópio, observando daqui, podemos identificar apenas três galáxias: Andrômeda, Pequena e Grande Nuvem de Magalhães. São milhares de estrelas, mas só conseguimos observar manchas brilhantes no céu noturno. Isto ocorre porque elas estão a milhões de anos-luz dos nossos “vãos olhos”.

Um espaço leitoso

No entanto, nós mesmos estamos inseridos em uma galáxia: a Via Láctea, uma galáxia espiral que, avistada daqui, fica parecida como uma mancha difusa e brilhante que se espalha por toda a linha do Equador. Com poucas exceções, todos os corpos celestes visíveis pertencem à Via Láctea.

Nossa galáxia torna a Terra ainda menor e o universo ainda mais intrigante. Astrônomos já identificaram cem bilhões de estrelas apenas na Via Láctea, e o total delas pode atingir 400 bilhões.

Cada uma destas pequenas esferas brilhantes (a olho nu) pode carregar um conjunto de planetas semelhantes ao Sistema Solar, que mantém oito planetas (além de planetas anões, como Ceres e Plutão) e milhares de asteroides em movimento.

Para que serve o universo? Certamente, não é para o simples deleite e prazer dos seres humanos. A maior parte das estrelas da Via Láctea é composta por anãs vermelhas (astros mais “frios”, com temperatura equivalente à metade da atribuída à nossa estrela principal). Rigel (Beta de Órion) e Betelgeuse (Alfa de Órion), que navegam conosco pelo espaço sideral na mesma galáxia, são estrelas supergigantes, mas estrelas como o nosso Sol, de quinta grandeza ou magnitude, características que não remetem ao tamanho do astro, mas à intensidade do brilho aparente, são mais comuns. Isto significa que, bem perto de nós, há estrelas que carreiam planetas muito semelhantes à nossa Terra (por “perto”, entenda-se alguns milhões de anos-luz).

Fazendo as contas

Então, para que serve o universo? Não é a nossa casa principal. Na verdade, é muito provável que estejamos ocupando apenas um pequeno quarto no grande condomínio do mundo.

Nosso Sol é um milhão e 300 mil vezes maior do que a Terra – o diâmetro é tão grande que, em uma viagem hipotética, ele não conseguiria passar entre o céu e a nossa superfície. Mas, mesmo com este tamanho quase inimaginável, nosso sistema planetário ocupa um espaço diminuto no universo.

O tamanho total do nosso Sistema Solar, da estrela ao Cinturão de Kuiper (a fronteira final) é de 30 unidades astronômicas (UA), distância percorrida pela luz em (que “corre” a 300 mil quilômetros por segundo) em cinco horas. A medida corresponde à distância entre o Sol e a Terra, de 150 milhões de quilômetros. Ainda assim, somos apenas um “quintal” do universo.

Então…

Para que serve o universo? Com toda a certeza, ele não foi feito por um deus, em um ato de boa vontade, apenas para a nossa contemplação.

É mais provável que ele seja o “ninho” de muitas espécies de vida. Nada justifica que a Terra seja o único local de possibilidade de vida.

Menos ainda que sejamos a espécie mais inteligente do universo (nisto, os golfinhos e baleias, entre muitos animais, devem concordar em gênero, número e grau). O universo serve para a evolução das criaturas e, com esta evolução, surgem as explicações e as inevitáveis divergências.

Talvez seja esta a necessidade de existência do universo: provocar teorias e suscitar refutações. É um motivo de discussões que parecem intermináveis. Olhando sob outro prisma, porém, estas polêmicas conduzem a outro caminho, o da tolerância. Em algumas situações sociais, o fim da jornada parece não ter fim, mas “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”. Vamos seguir o poeta.

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