Origens curiosas de algumas palavras

O homem começou a desenvolver a linguagem há milhões de anos. Algumas palavras têm origens bem curiosas.

O desenvolvimento da linguagem começou a ser feito antes mesmo do surgimento do “Homo sapiens”. Cientistas afirmam que o “Homo habilis” e o “Homo erectus” já possuíam algumas formas de vocalizações, que lentamente deram origem às palavras. Algumas delas têm histórias bastante curiosas.

Para que serve a linguagem? Para a comunicação, evidentemente. Os hominídeos perceberam a necessidade de usar gritos e guinchos para demonstrar raiva, alegria, fome, etc. Mas foi a partir das primeiras “revoluções tecnológicas” – a confecção de armas e utensílios e o posterior ensino das técnicas a outros membros do bando (fato que os historiadores chamam de “cultura”) – que a linguagem começou a se sofisticar, com a utilização de nomes específicos para os objetos, os seres da natureza e para o próprio grupo: assim tiveram origem as primeiras palavras.

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A postura ereta do andar facilitou a fonação – a capacidade de emitir sons através da expulsão do ar contido nos pulmões e a consequente vibração das pregas vocais – e também liberou as mãos (para manipular diversos materiais) e os olhos (para divisar a grandes distâncias).

Palavra é uma unidade da linguagem humana, compostas por sons ou letras de uma língua (a palavra também pode ser escrita). A origem é grega (parabole), assumida pelos romanos sob a forma parábola, o mesmo termo empregado para descrever os ensinamentos de Jesus em suas pregações para os povos da Palestina, Judeia e Galileia.

Influências externas

As grandes civilizações da história exerceram forte influência sobre as palavras em uso por grupos próximos (e também pelas aldeias conquistadas). Você já reparou que, nos idiomas de troncos linguísticos diferentes, os substantivos (especialmente) são muito diversos? Casa, em inglês, é “house”, em francês, “Maison”. E por aí vai.

Isto acontece porque elas foram criadas em comunidades ainda isoladas, antes dos contatos e conflitos entre os povos. Todos precisam nomear “casa”, os animais domésticos (dog, perro, cane, cão, por exemplo), mas denominar uma “via” (o nome comum das estradas que cortavam o Império Romano) só poderia acontecer depois do desenvolvimento das muitas técnicas de construção e cobertura dos leitos carroçáveis.

Gregos, romanos e árabes

Além de “via”, muitas palavras que usamos no cotidiano têm origem latina. “Enfermo”, por exemplo, se derivou da expressão “in firmu”, pouco firme. Já “estelionato” deve sua origem a um camaleão comum na Europa. O bicho tem o corpo coberto de estrelas, o que lhe valeu o nome de “stello”. Mas ele tinha a fama de ser trapaceiro, em função de sua capacidade de mudar de cor conforme o ambiente. Estelionato foi o termo surgido para significar trapaça, fraude.

Os gregos também contribuíram para a formação da língua portuguesa. Sua terra natal é recortada por mares que formam ilhas, penínsulas, etc. A palavra “arquipélago” deriva de “archi” (principal) e “pelagos” (mar). O termo acabou servindo para designar o principal conjunto de ilhas – o habitado pelos povos helênicos.

Os gregos também forjaram a palavra “cirurgia”, unindo os termos “kheyros” (mão) e “érgon” (obra, trabalho). Além de trabalho manual, progressivamente “kheyrourgia” passou a significar também trabalho em um paciente.

Cirurgia tem uma parente distante quase insuspeita: kheyromanteia, que chegou ao português como quiromancia, a arte de ler o destino nas mãos do consulente. Mancia, aliás, ajudou a formar várias palavras portuguesas, todas ligadas à adivinhação: necromancia (a sorte através das vísceras de animais mortos), cartomancia (das cartas), oniromancia (dos sonhos) e muitas outras.

A influência árabe chegou ao português estava se consolidando. Todo o sul da península Ibérica foi dominado pelos muçulmanos entre os séculos IX e XV. A civilização era bem superior tecnológica e artisticamente entre relação à dos iberos nativos. Apenas para não esquecer, península significa “quase ilha”, por estar presa ao continente por uma faixa de terra.

Linguistas estimam que os árabes nos emprestaram mais de 600 vocábulos e expressões. Entre elas, algema (“al-jama-a”, que significa pulseira). Em espanhol, esposa é o termo usado para se referir à própria mulher, mas esposas (no plural) mantém o significado de algemas. Ocorre o mesmo com esposar: “el ladrón fué esposado por la policía”. Mesquinho vem do termo “miskin”, que em árabe significa infeliz, desgraçado.

O termo “Al” ou “As” (apenas o artigo O) é comum no idioma árabe. Está presente em “al-riz” (arroz), “as-suk” (açougue), “Al-kuran” (Alcorão, “a leitura”, livro sagrado dos muçulmanos), “al-kayat” (alfaiate), “al-funduk” (alfândega) e muitas outras. Como se pode notar, as palavras se referem não apenas a atividades agrícolas, mas também a diversas tarefas urbanas e de caráter internacional.

Outras palavras

Às vezes, as palavras mudam de sentido com o passar o tempo. A origem de recuar é literalmente “voltar com o (*) para trás”. Hoje, o verbo é usado inclusive em sentido figurado, como em “recuar de uma decisão” ou “de uma posição”. Recuar também pode significar apenas fazer o retorno, tomar um trevo, voltar em uma estrada e tentar achar o caminho.

Enfezar também mudou bastante de sentido. O termo original se referia a pessoas com prisão de ventre ou com problemas de digestão (estavam enfezadas, cheias de fezes). Hoje, qualquer pessoa irritada ou de mau-humor está enfezada.

Por falar em humor, o termo também surgiu de conhecimentos médicos incorretos da Antiguidade. Para os gregos, humores (sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra) eram os fluidos responsáveis pela saúde e bem-estar das pessoas. Desde então, os mal-humorados ficam, como se vê, com muitos problemas nos relacionamentos pessoais.

Gosta de docinhos de festa? O brigadeiro tem uma origem bem curiosa. Em 1945, Eurico Gaspar Dutra (do PSD) e o brigadeiro Eduardo Gomes da (UDN) se enfrentaram nas eleições presidenciais (aliás, as primeiras depois de 15 anos de arbitrariedades que culminaram no Estado Novo, a ditadura de Getúlio Vargas).

O slogan adotado por Gomes era: “Vote no brigadeiro, que é bonito e é solteiro”. Muitas simpatizantes começaram a preparar o docinho feito com leite, açúcar e chocolate, para arrecadar fundos e ajudar na organização de comícios e outros atos de campanha. O problema é que a UDN era boa nos discursos, mas péssima em convencer eleitores: o brigadeiro (uma patente da Força Aérea) recebeu menos de 35% dos votos.

Larápio também vem do latim e é uma grande curiosidade: em Roma, consta que um pretor (funcionário público com funções judiciais) assinava apenas as iniciais de seus primeiros nomes em seus atos e decretos: L. A. R. Appius. O magistrado tinha a péssima fama de favorecer, nas causas julgadas, a quem lhe pagasse mais. Ficou rico, mas passou para a história como sinônimo de ladrão.

O termo mulato tem uma origem bastante depreciativa: significa literalmente “filho de mula”, o cruzamento entre um jumento negro e uma égua branca. E provável que a palavra tenha origem nas afirmações pseudocientíficas espalhadas nos séculos XVIII e XIX: segundo elas, a miscigenação “degenerava as raças”.

A palavra saudade só existe em português. Tradutores para outros idiomas sofrem bastante para encontrar um vocábulo que possa representar o sentimento. Umas das hipóteses mais prováveis é que ela tenha origem no cumprimento “salutate”, comum entre os romanos nos momentos de despedidas. Outra possibilidade é que ela derive de “saudá”, tristeza profunda entre os árabes. Os dois termos se tornaram arcaicos e restou apenas a “saudade”.

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