O que a Igreja pensa sobre os católicos não praticantes?

Trata-se de um termo informal. Na verdade, não existem católicos não praticantes, apenas fiéis que se afastaram da Igreja.

Os católicos não praticantes são pessoas que, apesar de terem sido batizadas e de se autodeclararem católicos, não cumprem as normas definidas pela tradição da Igreja. Em outras palavras, não exercem a religião em sua plenitude.

De acordo com o Credo de Niceia, adotado pelo primeiro concílio cristão da história (realizado em 325) representa a profissão de fé da Igreja Católica. Na prece, os fiéis reafirmam, durante a missa, a crença na Santíssima Trindade, no sacrifício de Jesus para salvar a humanidade, na atuação do Espírito Santo, na salvação através da Igreja, nos santos reunidos no paraíso, na ressurreição da carne e na vida eterna, entre outros dogmas.

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A comunidade cristã

Para participar desta comunhão, é preciso cumprir os sacramentos: batismo, eucaristia, confirmação, confissão, matrimônio, ordem e unção dos enfermos. Os católicos devem observar o domingo (dia da ressurreição de Jesus) e os dias de guarda. Os não praticantes muitas vezes passam semanas ou meses sem se confessar e comungar, contrariando estas determinações da Igreja.

No entanto, de acordo com a crença católica, quem é batizado por um sacerdote será sempre católico. O batismo seria uma marca espiritual e, mesmo cometendo pecados que comprometam a salvação, católico não praticante continua fazendo parte da comunidade. Os que renegam totalmente a religião são considerados apóstatas e os que não seguem as orientações do papa em matéria de fé são cismáticos.

Falta de prática

Atualmente, muitos se declaram católicos, especialmente em recenseamentos e pesquisas, como a realizada pelo Instituto Datafolha, em 2013, que indicou: 57% dos brasileiros dizem seguir a religião, mas, desta faixa da população, apenas 17% frequentam a Igreja mais de uma vez por semana, 28% vão às missas semanalmente e 21%, apenas uma vez por mês.

De um modo geral, os católicos brasileiros estão distantes das missas, do dízimo e desenvolvem opiniões divergentes sobre temas polêmicos, como o aborto, o casamento gay e a eutanásia. Entre 1994 e 2013, o número total de fiéis caiu quase 20 pontos percentuais (de 75% para 57%). Um terço afirma contribuir regularmente com as obras assistenciais, mas um número semelhante diz não oferecer nenhum tipo de contribuição.

Na verdade, muitos adeptos da Igreja Católica simplesmente ignoram algumas regras básicas da religião, como frequentar a missa, confessar-se e comungar (receber a hóstia) com regularidade. Para muitos deles, a participação pode ser considerada apenas social, já que só participam de batizados e cerimônias de casamento.

Boa parte dos católicos começou a questionar os dogmas a partir dos anos 1960. A influência do clero vem se reduzindo sensivelmente (na Europa, o número de praticantes é ainda menor), talvez por falta de um diálogo mais franco e abertura, situação que parece estar se modificando com a atuação do papa Francisco. Um fato que demonstra este distanciamento: em 1978, os italianos votaram, em um plebiscito, pela legalização do aborto. Nove em cada dez habitantes da Itália se declaram católicos.

Este fenômeno é conhecido como secularismo. Os católicos não praticantes estão separando o aprimoramento espiritual das preocupações do cotidiano. Para eles, a Igreja deixa de ser o centro da comunidade e ocorre uma releitura das preocupações religiosas.

Self service

Boa parte das igrejas também sofre este fenômeno em maior ou menor grau. Os praticantes escolhem apenas algumas atividades, que consideram adequadas para o desenvolvimento social e religioso, como se missas e cultos fossem um restaurante self service, em que nos servimos apenas do que agrada ao nosso paladar.

Um católico que concorda com a legalização do aborto (como o grupo “Católicas pelo Direito de Decidir”) está ignorando um dos dez mandamentos: “não matarás”. Há católicos que dizem acreditar na reencarnação – e isto coloca em xeque a crença na salvação pela fé e as boas obras.

Alguns religiosos chegam a afirmar que as atitudes adotadas pelos católicos não praticantes os afastam da vida virtuosa apresentada pelo povo de Deus e pelos ensinamentos de Jesus. De acordo com algumas avaliações, o Catolicismo é uma forma de amor, mas também uma forma de justiça. Portanto, estes fiéis estariam em sério risco de ao alcançar a salvação.

Todas as crenças religiosas possuem um corpo doutrinário, sem o qual elas deixam de existir efetivamente. Ser católico (ou evangélico, judeu, muçulmano, etc.) implica aceitar uma série de obrigações. O catecismo afirma que o magistério da Igreja Católica faz pleno uso da autoridade que recebeu diretamente do Cristo ao reafirmar os dogmas, que obriga os fiéis a uma adesão completa e irrevogável da fé.

Portanto, o magistério é infalível quando trata de assuntos relacionados à fé. Os católicos não praticantes precisam repensar as suas atitudes, seja para assumir novas vivências religiosas, seja para retornar às práticas da Igreja.

Em outras palavras, os católicos precisam vivenciar a sua fé e, de acordo com os ensinamentos da Igreja, devem rejeitar o aborto, a eutanásia, as teorias políticas materialistas e aceitar a eucaristia como a transubstanciação do corpo de Jesus, a autoridade papal e a intervenção milagrosa por invocação dos santos e da Virgem Maria. As dúvidas podem ser discutidas com o sacerdote local e, uma vez superadas, garantem o fortalecimento da fé.

Talvez o grande problema esteja no fato de que o homem é um ser pensante e firma convicções sobre os mais diversos temas, estejam elas certas ou erradas. A Igreja Católica não pode flexibilizar as suas verdades, sob pena de se descaracterizar, afugentando ainda mais os fiéis, mas certamente a abertura do diálogo trará benefícios tanto para leigos, como para clérigos.

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