Narguilé pode ser mais nocivo que cigarro

Especialistas afirmam: o hábito do narguilé pode ser mais nocivo que o cigarro.

O tabagismo (hábito de fumar cigarros) já é bem conhecido como danoso à saúde. É a principal causa de mortes evitáveis em todo o mundo (são quase cinco milhões de mortes anuais – dez mil a cada dia). A nicotina provoca dependência em poucas semanas e o hábito está relacionado a doenças coronarianas e vasculares, infarto do miocárdio, bronquite crônica, enfisema pulmonar, câncer do pulmão (90% dos casos) e em outros órgãos (30% dos casos no esôfago, boca, laringe, faringe, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga e colo do útero).

A Conferência Mundial sobre Tabaco, coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS, órgão da ONU), realizada em março de 2015, em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) fez um alerta surpreendente: o narguilé pode ser muito mais nocivo do que o cigarro: uma única tragada no utensílio é praticamente equivalente a fumar um cigarro inteiro (450 ml de fumaça, contra 500 ml aspirados de um cigarro).

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Uma sessão de apenas uma hora de narguilé é igual ao consumo de cem cigarros industrializados – e a situação piora bastante, quando se recorda que a prática é usualmente realizada em ambientes fechados. Neste período, o narguilé fornece entre dez e vinte miligramas de nicotina, conta apenas cinco miligramas de um cigarro convencional.

O narguilé

É um cachimbo de água usado para fumar tabaco aromatizado. O narguilé (termo árabe) também é conhecido como hookah (na Índia e em países que falam inglês) e shisha (norte da África). Existem diferenças regionais na conformação e no funcionamento, mas todos os utensílios têm em comum o fato de a fumaça passar pela água antes de chegar ao fumante.

O narguilé é composto de um fornilho, onde o fumo é queimado, um recipiente com água perfumada (que o fumo atravessa antes de atingir a boca) e uma mangueira flexível e um bocal, de onde é aspirada a fumaça. Os artigos provenientes do Oriente Médio são coloridos e extremamente decorados com arabescos.

Originário do Oriente Médio (a palavra é persa, com significado de “coco”), o narguilé foi criado para retirar impurezas da fumaça. Nos países árabes, foi adotado para fumarem grupos (uma espécie do norte-americano cachimbo da paz). Na China, foi amplamente empregado para o consumo do ópio, até o advento da Revolução Cultural (que implantou o regime comunista no país, a partir dos anos 1940).

A principal substância fumada em narguilés é o tabaco (chamado de essência), mesclado com melaço (subproduto da cana-de-açúcar), frutas (coco, pêssego e maçã-verde são as mais comuns), flores, mel e aromatizantes.

Na última década, o narguilé entrou na moda no Brasil, especialmente entre os jovens, que substituíram o maléfico cigarro pelas tragadas no cachimbo comunitário, sem atentar que o hábito também é muito nocivo. Há cinco anos, quase 300 mil brasileiros já utilizavam o narguilé. 25 milhões de brasileiros são tabagistas (24 milhões fumam cigarros industrializados).

Pesquisa do INCA – Instituto Nacional do Câncer – revelou um dado preocupante: 93% dos jovens paulistas entre 13 e 15 anos já haviam experimentado o narguilé, principalmente misturando tabaco com energéticos e refrigerantes.

Atlas do Tabaco

De acordo com o Atlas do Tabaco, lançado durante a conferência, uma sessão de narguilé tem o mesmo potencial destrutivo do consumo de 20 a 30 cigarros, consumo médio diário entre os fumantes do produto industrializado. Além dos países em desenvolvimento (especialmente os emergentes, como Brasil, África do Sul, Índia e Rússia), o narguilé está se tornando comum também nos EUA e nas nações da Comunidade Europeia.

Os produtos aromáticos acrescentados ao tabaco – especialmente os adocicados – conferem um sabor mais suave e palatável em relação ao gosto tradicional. Indústrias internacionais produtoras de cigarros já identificaram o novo nicho de mercado e estão investindo pesado para conquistar o novo público, inclusive organizando festas temáticas.

As autoridades de saúde pública, por outro lado, têm sido bastante vagarosas em adotar medidas de esclarecimento da população. O narguilé não enfrenta os mesmos impedimentos legais: não há proibição para o uso em locais fechados, por exemplo.

Os efeitos adversos do narguilé prejudicam especialmente (e rapidamente) os sistemas respiratório e cardiovascular, os dentes e outras estruturas da boca, especialmente as gengivas. Algumas pesquisas indicam que a “nova” forma de tabagismo (na verdade, ela é milenar, mais comum entre homens mais velhos) interfere inclusive na capacidade de locomoção.

Os males do narguilé

O “estrago” é bem mais nocivo, já que as sessões são curtas, geralmente realizadas em apenas uma noitada. O narguilé tem se popularizado em festas de campi universitários. Jovens urbanos entre 18 e 24 anos, de elevado nível de escolaridade, adotaram o hábito a partir de um conceito equivocado – o de que o cachimbo de água em tese eliminaria os aspectos nocivos do tabagismo.

Porém, ao consumir o tabaco “filtrado” pela água (que não filtra absolutamente nada), o fumante, além de absorver as mesmas substâncias tóxicas – alcatrão, nicotina, agentes cancerígenos, monóxido de carbono, solventes orgânicos, ácidos, metais pesados e até material radioativo (como o plutônio); ao todo, são mais de 4.700 substâncias nocivas à saúde – inala também diversos produtos derivados da combustão do carvão utilizado para queimar o fumo.

No narguilé, os jarros de água de locais públicos ou de menores dimensões são os mais nocivos: além de todas as enfermidades relacionadas, eles potencializam o risco de doenças como herpes labial.

Entre os usuários muito jovens, o uso do narguilé também pode ser a porta de entrada para outros vícios, como o crack, heroína ou cocaína.

A nicotina interfere na regulação do DNA e aumenta a atuação do gene FOSB em determinada área do cérebro relacionada à toxicodependência.

É importante lembrar que fumar pouco – no narguilé ou no produto industrializado e cigarros, charutos e fumo para cachimbos convencionais – provoca os mesmos danos à saúde. Não há limites seguros, especialmente para o consumo de nicotina. Fumantes “leves” e mesmo pessoas que convivem com fumantes (os chamados consumidores passivos) estão mais propensos a desenvolver doenças cardiorrespiratórias e diversos tumores malignos.

A boa notícia é que o abandono do vício, especialmente antes dos 35 anos, permite a recuperação da saúde e elimina os riscos de médio ou longo prazo.

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