Mitos sobre as frutas

Em busca de muita qualidade de vida, muita gente cai em mitos sobre as frutas. Conheça o que é real.

O homem nunca precisou estudar muito para se alimentar bem: a natureza fornecia carnes, peixes, ovos, vitaminas, sais minerais e outros nutrientes sempre em abundância. Há pouco mais de 60 anos, no entanto, surgiram os alimentos industrializados: muito mais práticos de preparar, mas com altos teores de sal e gorduras trans (para citar apenas dois exemplos). Atualmente, a moda é a alimentação saudável. Mas nem tudo o que ouvimos é verdade. Existem muitos mitos sobre as frutas, as queridinhas da nutrição balanceada.

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Alguns dos mitos mais comuns são seculares. Por exemplo, o medo de combinar laranja com leite. Outros povoam a mente dos consumidores conscientes: qual é a melhor fonte de vitamina C? E de fibras? É verdade que as vitaminas das frutas se concentram na casca? Já existem muitos estudos científicos que comprovam que estas companheiras são muito saudáveis, ajudam a emagrecer e até combatem agentes cancerígenos.

É importante considerar que as frutas, mesmo sendo excelentes fontes de nutrientes, não excluem o consumo de outros grupos alimentares, como os carboidratos (que fornecem energia para o organismo) e as proteínas, cujas principais fontes são as carnes, além de derivados como leite e ovos.

É possível obter proteínas e carboidratos com a ingestão de leguminosas, por exemplo, mas a sua absorção é menos produtiva do que no caso de carnes vermelhas. Vegetarianos, porém, podem usar as frutas para garantir a quantidade adequada: basta associar as leguminosas a sucos de frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi, acerola, morango), que, de quebra, também ajudam no processamento do ferro contido nestes alimentos.

Vitaminas

Por outro lado, a dúvida continua rondando. Vamos começar pelo teor de vitaminas. A casca realmente possui mais nutrientes, mas a polpa não é apenas um coadjuvante. Em geral, polpas de frutas são ricas em fibras, substâncias que regulam os níveis de colesterol, de triglicérides e estabilizam a quantidade de açúcar no sangue.

Mas, sempre que possível, as frutas devem ser consumidas com a casca, que também podem ser processadas para o preparo dos alimentos: a parte branca do maracujá, por exemplo, pode se triturada com um mixer em questão de minutos. O pó, depois de desidratado, por ser combinados a sucos e saladas. Rica em pectina, esta farinha (também presenta na polpa) ajuda a emagrecer e é especialmente indicada para diabéticos.

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Seja qual for a fruta de preferência, o ideal é comê-la in natura. Quando ela é servida em sucos, quase sempre bagaço e casca são descartados, perdendo-se parte dos nutrientes e quase todo o teor de fibras. Além disto, o suco mantido na geladeira sofre a ação do oxigênio atmosférico, fator que elimina parte das vitaminas.

Frutas que não podem faltar: banana (fonte de vitamina A e B6, ferro e potássio, sal que combate cãibras), morango (vitamina C e antioxidantes, poderosos combatentes dos agentes livres que prejudicam todas as células), kiwi (contém cinco mais vitamina C do que a laranja, rico em cálcio, potássio e fibras), mamão (ajuda a evitar gripes e resfriados, combate perturbações do estômago e ajuda a saúde dos pulmões; além disto, contém arguinina, uma enzima que pode ajudar a melhorar o desempenho sexual masculino), (vitaminas A, B6 e C, antioxidantes e fibras; suas sementes podem ser trituradas e usadas em saladas), abacate (fibras e cinco vezes mais potássio do que a banana, além de combater o mau colesterol; deve ser consumido com moderação, porque é altamente gorduroso) e maçã (melhora a saúde do coração, a memória e aumenta a resistência física, além dos benefícios já citados).

A tangerina é sempre citada como boa fonte de fibras. Ela é fonte de vitamina C, potássio e também em fibras, além de ser um poderoso antioxidante. Mesmo assim, ela não é a melhor no capítulo “fibras”: as melhores são o abacate, caqui, goiaba e pequi (o campeão, com 19 gramas de fibras para 100 gramas da fruta; a tangerina tem apenas 0,9 grama). Ainda falando em fibras: quanto maior o teor, maior o tempo de digestão – e, consequente, o tempo de saciedade.

Por fim, duas frutas que quase nunca recebem esta classificação: pimentão (rico em licopeno – um poderoso antioxidante – e diversas vitaminas, de acordo com a cor) e tomate (traz benefícios ao coração e também rico em licopeno e vitamina C).

Com relação à vitamina C, importante componente para a fortificação da defesa do organismo, ela é encontrada em diversas frutas e também ajuda na absorção do ferro presente nas leguminosas, como feijão e lentilha. Mas, atenção: a vitamina C deve ser consumida diariamente; uma vez instalada uma inflamação ou infecção, os ganhos obtidos com o nutriente são potencialmente nulos.

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Além dos alimentos já citados, goiaba e acerola são boas fontes, muito mais poderosas que a laranja. Na comparação, 100 gramas de laranja-lima contêm 42,5 mg; 100 gramas de goiaba, 100 mg; a mesma quantidade de acerola, 940 mg. Outros alimentos que ganham da laranja são o pimentão vermelho cru, brócolis, maracujá, morango, mamão e repolho.

Manga e leite são incompatíveis?

Esta é uma lenda antiga. Antes da abolição da escravatura, os negros eram desencorajados quanto ao consumo dos dois alimentos, especialmente simultaneamente – quando se come duas coisas ao mesmo tempo, normalmente come-se uma quantidade maior.

O leite, um alimento bastante completo, era oferecido para evitar que os escravos invadissem os pomares. Amedrontados, eles ajudaram a divulgar o mito e até hoje muita gente rejeita uma mousse de manga, por mais irresistível que ela se apresente. Os dois podem ser consumidos juntos ou imediatamente após o outro, sem qualquer prejuízo à saúde.

Mitos de verdade

A imaginação humana criou, ao longo da história, muitos mitos sobre as frutas, todos sem qualquer fundamento. O “de verdade” do subtítulo refere-se apenas ao fato de algumas frutas terem tido sua origem em fatos irreais – portanto, mitos. Alguns são divertidos, outros, assombrosos.

Maçãs divinas

Na mitologia grega, as primeiras maçãs nasceram na terra das Hespérides, ninfas do poente. No território, foram plantadas as maçãs de ouro, presentes de Zeus (rei dos deuses) à sua esposa Hera (deusa do casamento e da família), na cerimônia de casamento.

A deusa as plantou naquele jardim, sob a vigilância das ninfas e de um dragão de cem cabeças. Pareciam em segurança, mas o herói Hércules, em um de seus 12 trabalhos para se purificar por ter assassinado a mulher e os filhos, tinha como missão colher os “pomos de ouro”.

Era preciso matar o dragão. Hércules pediu ajuda a Atlas, um dos titãs que perdeu a guerra contra os deuses e foi condenado a sustentar eternamente o firmamento. O titã cumpriu o acordo, mas Hércules o enganou: pediu que ele segurasse o céu por alguns instantes, para que ele pudesse colher as frutas. Livre do fardo, o herói deixou Atlas de volta ao seu castigo. Assim nasceram as maçãs.

Figos em troca da hospitalidade

A lenda das estações conta a história de Perséfone, filha de Deméter, deusa grega da fartura, uma jovem linda que agradava a todos. A mãe só não gostava dos passeios da garota pelos bosques da terra e, como sempre, um coração de mãe não se engana.

Certa vez, Hades, o deus dos infernos e apaixonou-se imediatamente. Raptou-a e levou-a para seu domínio subterrâneo. Perséfone ficou desesperada: em vez de caminhar pelas lavouras e pastos, semeando prosperidade, ocupou-se só de procurar a filha desaparecida.

A humanidade clamou a Zeus, para que resolvesse a situação. O senhor dos raios arbitrou a disputa da seguinte forma: Perséfone passaria metade do ano com o marido e a outra metade, com a mãe. É por isto que a agropecuária passou a ser regulada pelos meses de frio e calor.

Antes do acordo, porém, em uma de suas andanças, Deméter foi acolhida por Phytallos, um agricultor da Ática (Grécia). O anfitrião acolheu a deusa disfarçada, serviu o pouco da comida que restava e, em troca da hospitalidade, Deméter presenteou-o com as primeiras figueiras do mundo.

A história é bem simpática, mas existe outra, um pouco mais profana, apesar de envolver os deuses. O significado do nome de Dioniso, deus do vinho do prazer, é “amigo do prazer”. Não é uma referência à fruta, mas à forma que ela assume quando é aberta. As duas metades se assemelham aos testículos; observando-se apenas uma, o aspecto lembra o de uma vagina.

Ainda os gregos

As maçãs deram trabalho na Antiguidade. em uma festa no Olimpo, morada dos deuses, Éris (deusa da discórdia) naturalmente não foi convidada. Para se vingar, ela decidiu acabar com a alegria e lançou uma maçã de ouro no centro do salão, com a inscrição: “Para a mais bela”. Foi um alvoroço entre as deusas, que queriam a todo custo ficar com o presente.

As três mais poderosas – Hera, Atena e Afrodite – passaram imediatamente a disputar a maçã. Os deuses masculinos, no entanto, não queriam se meter na história. Zeus passou a missão para um mortal, o conde Páris, filho desconhecido do rei de Troia (ele havia sido criado por pastores e ignorava a sua ascendência real).

As recompensas oferecidas pelas deusas eram irrecusáveis: Atena lhe ofereceu o comando em uma guerra vitoriosa; Hera, mais poderosa, o comando de todos os territórios europeus e asiáticos; a sedutora Afrodite acenou com o amor da mulher mais linda do mundo. Páris, ainda confuso por estar entre os deuses, concedeu o título a Afrodite.

A mulher mais linda, no entanto, era Helena, casada com Menelau, rei de Esparta. Depois de reconhecido como príncipe, Páris seguiu em missão diplomática, encontrou Helena e apaixonou-se imediatamente. Sem pensar, raptou a mulher, levando-a para a sua cidade. Assim começou a Guerra de Troia.

Um conto romano

No início – e nunca se sabe o que significava “início” para os povos antigos –, as amoras tinham a cor branca. Dois jovens – que provavelmente viviam na Mesopotâmia – se apaixonaram e queriam muito se casar, mas seus pais eram de famílias rivais. O conto provavelmente inspirou William Shakespeare a criar “Romeu e Julieta”. A história foi narrada pelo poeta latino Ovídio, na obra “Metamorfoses”, escrito nos primeiros anos da Era Cristã.

Píramo e Tisbe – eram os nomes dos jovens – eram vizinhos: moravam em casas separadas por uma parede: pela fresta, eles trocavam juras de amor. Passado algum tempo, eles decidiram que a única solução era a fuga. Combinaram se encontrar em um cemitério fora dos limites da cidade, junto a uma amoreira branca.

Tisbe chegou primeiro ao encontro e deparou-se com uma leoa mostrando a boca ensanguentada. O animal viu a jovem, que conseguiu se esconder em uma gruta próxima. Na fuga, no entanto, deixou cair um véu, que foi estraçalhado pela fera, ficando os restos sujos de sangue.

Píramo chegou, não viu a amada, mas os rastos da leoa e o véu ensanguentado estavam bem visíveis. Desesperado, imaginou que Tisbe, sem defesa, havia sido atacada e, não resistindo à perda, sacou sua espada e matou-se ali mesmo. Ao retornar, a moça entendeu a situação e decidiu partir com o seu prometido.

O sangue dos jovens amantes escorreu entre as raízes da amoreira. Desde então, a árvore passou a produzir apenas frutas vermelhas. É por isto que as amoras são vermelhas – ao menos de acordo com a mitologia romana.

Fome e testículos

A fruta-pão é originária das ilhas do Oceano Pacífico, entre Malásia e Austrália. No Havaí (Estado insular dos EUA), surgiram muitos mitos para explicar a sua criação. Em uma delas, uma forte seca devastou a caça e as plantações de Waiakea, o que acabou determinando a morte de um homem, Ulu.

Os sacerdotes locais aconselharam a família a enterrá-lo junto a um córrego. Uma árvore cresceu sobre seu túmulo e, pela manhã, os familiares encontrou a planta crescida, já carregada de frutos, que acabaram com a fome dos parentes deixados para trás.

Outra lenda diz respeito a um homem que se sacrificou por sua mulher e filhos. Quando o corpo foi enterrado, uma árvore brotou de seus testículos. Os deuses havaianos provaram a fruta-pão e constataram que, além de comestível, era também muito saborosa.

Ao descobrirem a forma como a árvore tinha brotado, no entanto, as divindades ficaram enojadas e vomitaram o que momentos antes havia sido considerado um verdadeiro manjar. As sementes caíram na terra e acabaram espalhando muitas árvores por toda a ilha.

“Este coqueiro que dá coco”

O coco, observando-se detalhadamente, se parece com uma cabeça humana. Em uma de suas extremidades, três depressões lembram os olhos e a boca. Isto foi o suficiente para que os moradores da península Ibérica (Portugal e Espanha) inventassem uma história tenebrosa: dois irmãos roubaram uma canoa do Diabo e foram pescar. Ao perceber a falta da embarcação, o Diabo pôs-se no encalço dos ladrões. Ao encontrá-los, o “Coisa Ruim” jogou-os imediatamente barco afora, para que fossem devorados pelos peixes.

Inexplicavelmente, a cabeça de um dos jovens foi preservada, acabando por dar em terra. Naquele local, surgiu o primeiro coqueiro. A mesma lenda ganhou corpo na Nova Inglaterra (nordeste dos EUA), no século XVII. Nesta versão, um menino caiu de uma embarcação, sendo devorado por tubarões. No local em que foi sepultado, nasceu o coqueiro primordial.

Uma lenda brasileira

A nação satewê-marê (ramo tupi, hoje restrito ao Amazonas) tem uma bela lenda para explicar a origem do guaraná. Havia um casal que se dava bem em tudo. A única tristeza era o fato de não terem filhos. Orientados pelo pajé, foram pedir ajuda a Tupã (o deus maior da mitologia tupi) e, meses depois, nasceu um menino, que cresceu saudável e feliz, muito admirado por todos os índios da tribo, e também pelos deuses. A única exceção era Jurupari, um espírito do mal, que passou a perseguir o curumim por toda a parte. Como podia se tornar invisível, ninguém se dava conta dos riscos.

Certo dia, o indiozinho saiu sozinho para colher frutas. Aproveitando a situação, Jurupari se transformou em uma serpente venenosa e picou o menino. A morte foi quase instantânea. Preocupados com a demora, os pais – e grande parte da tribo – saíram para procurá-lo.

Quando encontraram o corpo, todos se entristeceram e, do céu, partiram raios e trovoes. Os índios diziam que eles simbolizavam a tristeza de Tupã.

A mãe do indiozinho morto recebeu uma instrução de Tupã, para que os olhos da criança fossem plantados. Em poucos dias, brotaram plantinhas no local. Em seguida, surgiram os frutos, que realmente se parecem com olhos humanos.

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