Mitos astronômicos

Apesar de estudado há séculos, o espaço sideral ainda é cercado de mitos astronômicos.

Mesmo estando há muito tempo no cotidiano dos homens, a astronomia gera lendas que são difíceis de sair do imaginário: são os mitos astronômicos. Uma mentira – ou meia-verdade – se mantém durante tantas gerações que se torna difícil superá-la ou esclarecê-la.

A astronomia é a ciência que estuda os corpos celestes e os fenômenos gerados fora da atmosfera terrestre. É um dos conhecimentos humanos mais antigos. Caldeus, babilônios, chineses, gregos, persas e maias realizaram análises observando o céu da noite. Esta observação constante deu origem à astrologia, a arte de acordo com a qual os astros teriam influência sobre o nosso cotidiano.

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Ficção científica

Um dos mitos astronômicos mais recentes é sobre o asteroide Apófis. Asteroides são corpos rochosos com órbita definida em torno do Sol; eles fazem parte dos corpos menores do Sistema Solar. São dois grupos: um deles está entre Marte e Júpiter e o outro, na fronteira do sistema (Plutão, o nono planeta, na verdade é um asteroide deste segundo cinturão).

Em 2004, cientistas da NASA anunciaram a possibilidade de o asteroide Apófis colidir com a Terra em 2029 – mais um fim do mundo.

Astrônomos russos fizeram coro, mas afirmaram que o choque ocorreria apenas em 2036 (anunciaram até a data: 13 de abril). Neste período, o asteroide passaria pelo que os astrônomos chamam de “buraco de fechadura”, região específica do espaço que faria com que a gravidade terrestre o atraísse, gerando uma tremenda catástrofe que provavelmente significaria a extinção da vida no planeta.

A probabilidade de o Apófis, de 400 metros de diâmetro, se chocar com a Terra realmente existe, mas é de uma em 250 mil. Em 2013, o Apófis, em seus giros pelo Sistema Solar, permitiu uma avaliação concreta de suas características. Se for necessário, serão desenvolvidos sistemas e máquinas para reduzir as chances de colisão a zero.

Quanto mais perto, mais quente

Pode parecer óbvio: a temperatura dos planetas é determinada pela distância entre o astro e o Sol. Pode, mas não é. Diversos fatores influenciam a temperatura de cada planeta. O astro mais próximo é Mercúrio, mas ele não é o mais quente.

A temperatura mais elevada no Sistema Solar é registrada em Vênus, a “segunda rocha a partir do Sol” (a Terra é a terceira). Vênus, conhecido como a estrela Vésper, possui uma atmosfera muito densa, 90 vezes mais densa do que a terrestre, formada principalmente por dióxido de carbono (substância fundamental para nós, já que ela participa da fotossíntese). Em Vênus, o gás provoca um tremendo efeito estufa, elevando as temperaturas a até 500°C, cerca de 75°C acima das registradas em Mercúrio.

Mercúrio, o planeta imóvel

Observado da Terra, Mercúrio parece exibir sempre a mesma face, o que levou astrônomos de séculos atrás a acreditar que o planeta não possuía o movimento de rotação (o nosso dia, uma volta em torno do eixo ideal dos astros). Posteriormente, desenvolveu-se a teoria de que os movimentos de rotação e translação tinham a mesma duração.

Na verdade, como todos os demais (e também alguns asteroides), Mercúrio executa os dois movimentos no bailado planetário: são 59 dias em torno do eixo (o que o torna extremamente lento na rotação e dá impressão de imobilidade) e 88 dias em torno do Sol (neste quesito, ele é o Ayrton Senna do nosso Sistema Solar).

Duas luas no céu

Desde 2003, circulam na internet informações segundo as quais o planeta Marte iria registrar uma aproximação nunca vista em relação à Terra. O resultado desta “visita” seria a possibilidade de avistar o planeta vizinho com um tamanho semelhante ao da Lua cheia.

Nesse ano, ocorreu a maior aproximação dos dois planetas: pouco mais de 55 milhões de quilômetros. Foi a menor distância em 60 mil anos, mas, mesmo assim, o tamanho aparente do astro em nosso céu era 72 vezes menor do que o do nosso satélite.

Para dar maior veracidade, e-mails e blogs citaram dados obtidos pelo Observatório Estelar de Palenque. O problema é que este centro astronômico nem sequer existe. Na data da última “lua dupla”, a Lua estava na fase nova (invisível no céu). Para nossa sorte, as notícias são totalmente falsas: se Marte se aproximasse tanto assim, ele e a Lua provocariam marés violentas e altíssimas duas vezes por dia, que poderiam devastar regiões costeiras por inteiro.

Um último dado sobre o tema: não é Marte que se aproxima da Terra, mas o contrário, pois o nosso planeta orbita em torno do Sol em velocidade muito mais acelerada.

Mais um “amigo” na área

Mais uma lenda da era da internet: Saturno, o “Senhor dos Anéis”, também pretende se aproximar da Terra nos próximos anos. A informação teria partido da NASA, a agência aeroespacial americana, que teria feito questão de dizer que isto não provocaria danos à Terra, mas ficaria visível em todos os pontos do planeta por dois anos, especialmente no período da tarde.

Apesar do falso comunicado que, ao menos, tranquiliza os terráqueos (e ETs em trânsito), pastores da igreja americana God is Ten Percent têm afirmado que é o Diabo quem está empurrando Saturno em nossa direção e, por isto, as pessoas devem procurar esta igreja para serem salvas.

Não foram encontradas quaisquer referências sobre o informe da NASa, nem sobre a existência da igreja citada nos sites e blogs. Mesmo assim, pesquisando apenas em português, o Google dá mais de nove mil resultados sobre a visita próxima.

O alinhamento dos planetas

É uma possibilidade extremamente remota. As orbitas dos planetas não estão no mesmo plano e as velocidades apresentam diferenças extremas (Mercúrio viaja a 48 km/s e Netuno, a 5,5 km/s). A chance de um alinhamento é de uma para 18 bilhões e o universo tem “apenas” 15 bilhões de anos de idade (o Sistema Solar é ainda mais novinho: menos de cinco bilhões).

O alinhamento de alguns ou de todos os planetas é uma figura comum na astrologia, mas ela leva em conta apenas a posição aparente dos astros no céu, a partir da perspectiva que temos olhando o firmamento a partir da Terra.

Circula na internet (200 milhões de páginas em uma pesquisa no Google) a teoria o Zero G Day (Dia da Gravidade Zero). Em janeiro de 2014, um alinhamento entre a Terra, Júpiter e o rebaixado Plutão (classificado atualmente como planetoide ou planeta anão) permitiria que, ao saltarmos a determinada altura, sentiríamos a sensação de estarmos flutuando no ar.

O problema é que esta “previsão astronômica” foi feita em 01.04.1976. Exatamente, 1º de abril, Dia da Mentira. A piada é de autoria do britânico Patrick Moore; ele chegou a afirmar que, devido ao alinhamento, a gravidade estaria mais fraca. Na verdade, durante a vida, passamos por dezenas de alinhamentos aparentes e absolutamente nada acontece.

Já foi bastante especulado um alinhamento de Mercúrio, Vênus e Saturno exatamente sobre as pirâmides de Gizé, no Egito. Apesar de serem famosas, elas figuram entre centenas de monumentos mortuários da época dos faraós. Sobre as pirâmides, também já foi dito que elas correspondem à posição das três estrelas principais da Constelação de Órion (e o rio Nilo seria a representação da Via Láctea). Nada disso sobreviveu a estudos astronômicos.

O formato da Terra

Já foi motivo até para excomunhão e morte na fogueira. Na Idade Média, a Igreja Católica defendia que a Terra era plana, “separada das águas inferiores e superiores”, de acordo com o texto bíblico. Giordano Bruno, frade italiano que sustentava a tese de que o universo era infinito e a Terra era apenas um planeta em um turbilhão de astros, foi queimado vivo por causa de suas teses filosóficas e teológicas sobre a estrutura no universo.

Na verdade, a Terra é quase redonda. Ela apresenta um ligeiro achatamento nos polos, fazendo com que o Meridiano de Greenwich (que separa os hemisférios ocidental e oriental) seja um pouco mais curto do que a linha do Equador (que separa os hemisférios norte e sul). Este achatamento é provocado pelo movimento de translação (giro anual da Terra em torno do Sol).

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