João Sem Terra. Vilão ou herói?

Regente e rei da Inglaterra, João Sem Terra provavelmente não foi vilão nem herói, apenas mais um rei medieval.

João Sem Terra passou para a história com este cognome por não ter herdado bens de seu pai. Mais novo dos cinco filhos de Henrique II e Leonor da Aquitânia, foi o único que não se revoltou contra o pai, fato que talvez tenha motivado sua nomeação como Senhor da Irlanda, em 1185, com apenas 21 anos. Seu governo foi tão catastrófico que teve de fugir pouco tempo depois. Em 1188, Henrique tentou fazê-lo duque da Aquitânia, no continente europeu, mas morreu na tentativa de destronar seu filho mais velho, Ricardo Coração de Leão. Com a morte, Ricardo ascendeu ao trono inglês, mas dava pouca importância ao título (consta que ele nunca aprendeu a falar o idioma britânico).

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Ricardo partiu para as Cruzadas e deixou um sobrinho ainda criança, Artur, na chefia do governo, mas quem assumiu a regência foi João Sem Terra, que se tornou o homem mais importante da Inglaterra entre 1189 e 1194, período em que Ricardo lutou na Terra Santa e, de retorno, foi feito prisioneiro pelo imperador do Sacro Império, Henrique IV.

João é retratado pela literatura popular da época como um grande vilão, pois teve de juntar um valor imenso para resgatar Ricardo: 150 mil marcos, o dobro da coleta anual de impostos da Inglaterra. Para tanto, decidiu ampliar os tributos e ficou famoso por expropriar as propriedades dos nobres falidos. É o período de atividade de Ivanhoé, famoso pelas lutas entre saxões e normandos, e Robin Hood, o ladrão que “tirava dos ricos para dar aos pobres”, herói de quem não se sabe ao certo tratar-se de mítico ou real.

Ao retornar do cativeiro, Ricardo Coração de Leão perdoou o irmão caçula e nomeou-o herdeiro da Coroa. João foi coroado em 1199 e decidiu guerrear com Artur pelo controle da Bretanha, que invadiu em 1202. Artur foi morto nesse período. Em 1204, Felipe II da França ocupou a Bretanha e João Sem Terra teve de retornar para as ilhas britânicas.

João Sem Terra mais acumulou problemas. Interferiu na nomeação do arcebispo da Cantuária, não aceitando a indicação do papa Inocêncio III, o que valeu sua excomunhão, em 1211. Em resposta, confiscou os bens da igreja, mas dois anos depois, voltou atrás e declarou-se vassalo da Santa Sé.

Tentou reajustar as finanças do reino, e para tanto criou um novo imposto, a ser pago pelos nobres ingleses que não fornecessem soldados e material militar. Isto enfureceu a nobreza e gerou a Revolta dos Barões. Em 1215, João Sem Terra foi obrigado a assinar a Magna Carta, que limitou os poderes reais a reconheceu alguns direitos dos burgueses e nobres. A Magna Carta marca o início da monarquia constitucional na Inglaterra.

João Sem Terra morreu em 1216, deixando seu filho Henrique III no trono inglês.

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