Curiosidades surpreendentes sobre os sonhos

Os sonhos já serviram para fazer de profecias a diagnósticos médicos. Veja algumas curiosidades sobre eles.

Os sonhos são um grande mistério desde o início dos tempos – ou, ao menos, desde que o homem domesticou o fogo e passou a dormir sossegado em cavernas, sem medo de predadores. A explicação mais comum é que os sonhos são uma pausa para que o cérebro possa recapitular as aventuras do dia e fixar o aprendizado da jornada.

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A maioria das pessoas quer encontrar significados precisos para os sonhos, mas isto é impossível fora do campo das crenças pessoais, que dizem, por exemplo, que sonhar com uma pessoa conhecida significa o rompimento de um relacionamento amoroso, enquanto sonhar uma cobra significa traição à vista ou problemas financeiros. Para a ciência, no entanto, a explicação dos sonhos é muito mais subjetiva – e um vasto campo de investigação.

Os animais e os sonhos

Quem convive com um cão ou gato já deve ter percebido que eles se mexem ou emitem sons durante o sono. Isto significa que eles podem estar sonhando e estes sonhos são influenciados pelo ambiente em que eles vivem. Um animal que sofre maus tratos constantes pode rosnar ou expor as garras durante o sono. Se ele vive em um local agitado e barulhento, tende a dormir pouco, tornando-se agressivo, estressado e solitário.

Os felizardos que convivem com pessoas pacíficas e carinhosas, apresentam um sonho tranquilo, que gera equilíbrio e bem-estar. Mesmo assim, podem apresentar latidos, miados e choros, se o sonho resvalar para alguma coisa de que eles não gostam: como um vizinho que os chateia ou a inevitável visita ao consultório do veterinário.

Os sonhos são mais comuns entre os animais domésticos. Os silvestres, que dormem poucos minutos várias vezes ao dia, para se preservar de ameaças, costumam sonhar menos: o sono REM é o quinto estágio do sono, depois da sonolência, sono leve, sono pesado e uma quarta etapa, semelhante ao sono pesado, mas em que é muito difícil acordar a pessoa. Ao todo, o ciclo dura de três a quatro horas.

Sonho e maconha

Muitos usuários de maconha afirmam não sonhar nunca. No entanto, os que conseguem superar o vício passam a ter sonhos vívidos e intensos. Ocorre o mesmo com pessoas que estão tentando parar. Os motivos são a presença de nicotina, para os fumantes, e do THC (tetraidrocanabinol), para os que usam maconha com regularidade.

Um estudo realizado em 1975 comparou a atividade do cérebro de dependentes da maconha e não fumantes. Constatou-se que a atividade REM é muito reduzida, especialmente quando os efeitos do THC ainda estão presentes e ativos no organismo (no sono provocado após o período de excitação). Mas, como veremos a seguir, todo mundo sonha.

Sonhos para todos

Mesmo com muita gente jurando de pés juntos que nunca sonha, todo mundo experimenta experiências oníricas a cada noite, mesmo os cegos e as crianças pequenas (inclusive bebês). A única exceção fica por conta dos raros portadores de alguns distúrbios psiquiátricos extremos. Elas podem durar até 45 minutos. O fato já foi comprovado em diversos estudos, que demonstraram atividade REM nos alegados “não sonhadores”.

O problema é que esquecemos quase tudo com que sonhamos. Cinco minutos depois de acordados, metade do sonho já foi depositada no inconsciente. Dez minutos depois, 95% não podem ser evocados pela memória em vigília. Com as atividades e correria do dia a dia, os sonhos são definitivamente sepultados.

Algumas curiosidades literárias: o poeta inglês Samuel Taylor Coleridge acordou, certa manhã, com uma fantástica ideia sobre uma nova obra, gerada pela visão de um sonho: “Kubla Khan”, em homenagem ao líder mongol Kublai Khan. Ele foi interrompido por uma visita inesperada. Coleridge retomou seu trabalho, mas não conseguiu se lembrar do resto do sonho. O poema nunca foi terminado.

O diretor, roteirista e produtor de cinema inglês Robert Stevenson teve mais sorte: seu clássico “Dr. Jeckyll and Mr. Hyde” nasceu de uma ideia surgida em um sonho. Mary Shelley, também inglesa, concebeu seu mais famoso personagem, Frankenstein, também foi concebido durante o descanso noturno. Estes são considerados “sonhos inspiradores”.

Homens e mulheres

Na eterna guerra dos sexos, os homens levam a melhor em matérias de sonhos: seus cérebros 67% a mais de atividades oníricas. Os sonhos femininos são mais longos e com conteúdos mais sentimentais. Os pesadelos masculinos costumam ser bastante agressivos, com tiros e brigas, enquanto os femininos quase sempre estão relacionados a problemas familiares.

Esta é, talvez, uma herança de nossos ancestrais, em que os homens tinham que sair para a caça e para a guerra, enquanto as mulheres ficavam cuidando da casa e dos filhos. Com relação ao sexo, estima-se que 8% dos sonhos estejam relacionados ao tema. Os percentuais são aproximados e não são iguais para todas as pessoas.

Muitas mulheres costumam ter sonhos vívidos durante a gravidez. Estes sonhos ocorrem logo após a pessoa conciliar o sono e é comum não se saber se está em vigília ou dormindo. Os sonhos vívidos, que estão relacionados a distúrbios emocionais, costumam desaparecer depois do parto, sem sequelas para a nova mãe.

Sonhos e avaliações psicológicas

De acordo com alguns estudos, os sonhos podem a psicose. Voluntários foram submetidos a testes nos quais eram despertados logo que surgiam os primeiros sinais de sono REM (ou Rapid Eye Movement, movimento rápido dos olhos, que indica a presença de atividade onírica). Em seguida, foram liberados para dormir por oito horas.

Todos experimentaram irritabilidade, cansaço, dificuldades de concentração e, ao fim de três dias, alucinações e os primeiros sintomas de psicose, quadro em que se verifica a perda de contato com a realidade em algum grau. Ao descansarem normalmente, podendo vivenciar a primeira etapa do sono REM, os voluntários recuperaram o tempo perdido, aumentando os períodos de sonhos.

Especialistas das Universidades Federais do Rio Grande do Norte e de Pernambuco estão sugerindo um modelo automatizado para diagnosticar esquizofrenia (alteração grave do contato com a realidade) e transtorno bipolar (caracterizado por alterações súbitas de humor, em que se alternam períodos de euforia e de depressão). O estudo foi publicado em janeiro de 2014, no jornal ”Scientific Reports”, do Grupo inglês Nature.

A psiquiatria conta agora com questionários padronizados. Ainda não existe um exame clínico ou laboratorial para o diagnóstico, mas, nas entrevistas, enquanto uma pessoa sem problemas mentais relata apenas: “eu sonhei que estava em um circo”, o discurso padrão do esquizofrênico é repetitivo: “ele disse, ele disse, para eu matar a minha mãe, matar a minha mãe”. No relato do portador de transtorno bipolar, surgem ideias desconexas: “eu sonhei que precisava comprar remédios na farmácia, mas não tinha dinheiro. No tempo em que eu trabalhava, vivia cheio de dinheiro. Não gosto de tomar remédios, dinheiro é bom para passear”.

A partir das respostas, um software especialmente criado para este fim desenha diagramas gráficos, com pontos e curvas. Os resultados obtidos são os mesmos, inclusive quando se traduz o depoimento para outros idiomas. É um trabalho ainda recente, que demanda outros estudos, mas já pode ser usado para levantar suspeitas com relação ao diagnóstico.

O cérebro fica mais ativo enquanto estamos dormindo: ele consegue processar mais informações (alguns cientistas acreditam que esta aceleração seja a causa dos sonhos). Já foi comprovado, em pesquisas realizadas nos anos 1990, que pessoas mais inteligentes (com resultados obtidos em testes de quociente de inteligência e quociente emocional) tendem a sonhar por mais tempo a cada noite, graças a um aumento da atividade de algumas áreas visuais do córtex e do sistema límbico.

Sonhamos com quem conhecemos

Todos os personagens que povoam os nossos sonhos são nossos conhecidos. Mesmo os rostos estranhos que surgem na calada da noite já mantiveram algum contato conosco. Em geral, desconhecidos com que nos defrontamos durante o dia (no ônibus ou em uma caminhada, por exemplo) costumam fazer papéis de coadjuvantes, enquanto amigos e parentes são os protagonistas.

Todas estas pessoas não estão necessariamente relacionadas às ações que tomam nos sonhos. O cobrador de ônibus, por exemplo, pode assumir o papel de um assassino, durante um pesadelo. O pai do vizinho de uma amiga que conhecemos três anos atrás pode aparecer como figurante neste roteiro improvisado pelo cérebro. Seja como for, nos sonhos, nós sempre assumimos o papel principal – em preto e branco ou em cores.

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