Crendices estranhas da sabedoria popular

Com algum fundo de verdade ou totalmente falsas, a sabedoria popular criou muitas crendices estranhas.

Cortar os cabelos de acordo com as fases da Lua, não passar por debaixo da escada, não deixar um gato preto cruzar o caminho. São crendices estranhas da sabedoria popular, a que se uniram outras mais recentes, como usar Coca-Cola para bronzear a pele ou manter um chiclete engolido por sete anos no estômago.

Certamente, passar por debaixo de uma escada traz alguns riscos, como levar uma lata de tinta na cabeça. Mas evitar o azar, atrair a sorte, a saúde, um emprego e até um casamento fazem parte das crendices estranhas da sabedoria popular. Aparentemente, por trás de todas elas, está o medo de sofrer, de ser infeliz.

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Santo Antônio esteve aí para garantir bons casamentos para jovens e nem tão jovens. Apesar de ter sido um frade franciscano – e, portanto, solteiro e observador da castidade –, o santo de Pádua tem o título de guardião das famílias e, durante seu sacerdócio, abençoou uma jovem muito pobre que, em poucos dias, conseguiu o necessário para o enxoval, o dote e o casamento com pompa e circunstância.

Este fato fez correr por toda a Europa que o padre “arranjava” casamentos. Por conta disto, muitas mulheres solteiras pedem socorro a Santo Antônio. No dia 13 de Junho, data comemorativa, é comum que as moças casadouras convidem o santo a entrar em sua casa, ofereçam flores e velas e até coloquem a estátua de cabeça para baixo, muitas vezes dentro da geladeira.

Mais crendices populares estranhas

Comida no chão

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Muitas pessoas acreditam que, se uma porção de alimento cai no chão, se for recolhida em até cinco segundos não há problema algum. Puro engano. A comida já entrou em contato com os germes presentes no local da queda e, portanto, estão contaminadas. Mas, muitas vezes, a mão suja contém mais microrganismos que o piso de uma cozinha limpinha.

Deus te abençoe

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É uma frase educada após um espirro. Ela é atribuída ao papa Gregório Magno (540-604), que a repetia como forma de se proteger da peste bubônica. De acordo com a crença, além de proteger contra a doença, a expressão impede que a alma fuja do corpo no momento do espirro.

Refeições e água fria não combinam

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Como vovó já dizia, depois de uma refeição é preciso esperar algum tempo para entrar na piscina, ou mesmo para tomar banho. Existe um fundo de verdade: durante a digestão, o sangue se concentra no abdômen, para facilitar o trabalho do estômago ou intestinos. O contato com a água fria faz o sangue dirigir-se para a pele, para manter o corpo aquecido. Tomar banhos quentes também não ajuda: os vasos são dilatados e o sangue é desviado do local onde é mais necessário. Seja como for, a prática não provoca congestão.

Água para emagrecer

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Beber água gelada em jejum emagrece. Esta é uma das crendices populares que cultivamos com base na “lei do menor esforço”: em vez de reeducação alimentar e exercícios, tomamos água. O efeito é nulo. A água pode até permanecer no estômago por algum tempo, dando a sensação de saciedade, mas isto é muito rápido. De qualquer forma, vale a pena beber muita água sempre: ela hidrata todos os órgãos e tecidos e melhora o funcionamento dos intestinos. Emagrecer, porém, não emagrece.

Visitas inoportunas

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Para afastá-las, basta colocá-las de cabeça para baixo atrás de uma porta. É uma crença medieval. Os camponeses europeus acreditavam nos silvanos, seres rurais que gostavam de fazer pequenas travessuras nas casas. Para afastá-los, era preciso manter três objetos representativos dos deuses rurais: machado, mão de pilão e vassoura, que era importante também para manter as bruxas à distância (apesar de mais recentemente ter se tornado o veículo de transporte delas). Os silvanos e deuses se foram, mas ainda tem gente que acredita nisto.

O cabelo e as fases da Lua

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A Lua interfere nas marés, mas não tem força suficiente para influenciar nossos cabelos. Portanto, não adianta usar a Lua Cheia para encorpar, a Crescente para crescer mais rápido, a Nova para renovar nem a Minguante para retardar o crescimento. Os fios vão continuar se desenvolvendo como sempre. Para cuidar das madeixas, é melhor ouvir os conselhos do cabeleireiro. Ainda sobre cabelos: os cortes feitos na Sexta-Feira Santa não impedem que os fios voltem a crescer, como reza a crendice popular.

Fuja dos gatos pretos!

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Deixar que um gato preto cruze o caminho é um pedido para ter de enfrentar um período de muito azar. A crendice teve início na Idade Média: associaram os felinos, de hábitos noturnos, relacionavam-se com seres do mal, como as bruxas. De pelos pretos, então, eram ainda mais maquiavélicos. O papa Inocêncio VIII chegou a incluí-los na lista de hereges que deveriam ser perseguidos pela Inquisição (acreditava-se que eles seriam feiticeiras metamorfoseadas). Os coitados dos bichanos seguiam para as fogueiras juntamente com as suas donas.

Pelos raspados ficam mais grossos

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Mais um mito muito propagandeado. As mulheres, especialmente, ficam com medo de se depilar e, em poucos dias, deparar-se com fios grossos e muito mais visíveis. Mas elas podem ficar sossegadas: o que acontece é que, quando o pelo é cortado, ao continuar crescendo, ele vai ter a espessura de qualquer outro fio: aquela parte fininha dos pelos novos é apenas a ponta.

Sexta-feira 13, dia de azar

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O motivo de a sexta-feira 13 ser considerado um dia azarado é que, por conta da tradição, Jesus foi crucificado neste dia. O “13” também tem a ver com o Evangelho: na última ceia, Jesus teria reunido seus 12 discípulos para comemorar a Páscoa judaica: eram 13 à mesa.

Coca-Cola bronzeia?

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Não bronzeia, mas pode provocar queimaduras graves na pele. Coca-Cola não contém nenhuma substância que propicie proteção solar e são fabricadas como bebidas, não como bronzeadores. Outras substâncias prejudiciais são os sumos de limão e de figo.

Manga com leite faz mal à saúde

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Isto é história de feitor de escravos. Até o fim da escravidão, em 1888, era comum dizer para os escravos que comer manga com leite provocava dor de barriga. Os negros, então, tinham de optar entre um e outro alimento. Os senhores de engenho inventaram o mito, que continuou se propagando de geração em geração, mesmo sem nenhum fundamento científico para justificá-lo e com o barateamento do leite e da manga.

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