Como acontecem as operações mediúnicas?

Já pensou em fazer uma cirurgia em que não há cirurgião? Assim acontecem as operações mediúnicas.

Apesar de não serem práticas espíritas específicas – elas não estão descritas em nenhum livro da doutrina –, as operações mediúnicas são bastante comuns, especialmente no Brasil. Alguns centros espíritas realizam este tratamento, mas ele não é preconizado pela Federação Espírita Brasileira (FEB); apenas os passes e radiações (tratamentos a distância) são considerados técnicas espíritas de cura e alívio, aplicados sempre no períspirito do paciente e, posteriormente, absorvidos pelo organismo físico.

Portanto, realizar operações mediúnicas com o uso de instrumentos (bisturis, facas, serras, etc.) não é a proposta da Doutrina Espírita. Perfurações, cortes e retiradas de órgãos são atividades desenvolvidas nas chamadas casas mistas, que mesclam princípios espíritas, umbandistas, xamânicos, católicos, etc. e podem ser benéficas para seus frequentadores, que escolhem o local de auxílio espiritual de acordo com as suas crenças e convicções.

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De acordo com as crenças religiosas, a mediunidade é o intercâmbio entre encarnados e desencarnados. No caso de desobsessões e curas, entidades do plano espiritual comparecem nas instituições para trazer o necessário para o alívio ou afastar acompanhantes indesejados, que sempre procuram fazer o mal para suas vítimas.

Em Abadiânia, Goiás, centenas de pessoas procuram a Casa Dom Inácio de Loyola. O médium João Teixeira de Faria (apelidado pela população como João de Deus), que trabalha no centro, é famoso pelas curas espirituais.

A cidade tem pouco mais de 15 mil habitantes, mas recebe visitantes do Brasil e do exterior em busca de alívio e cura e, por isto, é repleta de hotéis e restaurantes. Além das operações mediúnicas, a Casa Dom Inácio oferece passes, energizações e água fluidificada.

João de Deus é um dos muitos que trabalham com operações mediúnicas. Ele atua sob inspiração do seu mentor (o próprio Inácio de Loyola, fundador da ordem dos jesuítas). O procedimento do médium é simples. Após uma preleção sobre temas como amor e caridade, Faria toma uma tesoura longa e aproxima-se dos pacientes, um a um.

Durante a cirurgia, ouvem-se estalos, os assistidos murmuram, mas parecem não sentir dor. Ele introduz a tesoura no nariz, no olho ou no ouvido, o sangue começa a escorrer e, em questão de segundos, o médium balança a tesoura no ar, com o que se parece com um pedaço de carne esponjosa preso na ponta. Em alguns casos, no entanto, de acordo com a vontade do paciente, a operação mediúnica é realizada sem cortes.

Em Campos Gerais (MG), o médium Gaudêncio Nunes realiza curas espirituais na Fundação Espírita Caminho da Luz, uma entidade espiritualista, cujos responsáveis afirmam não seguir os postulados do Espiritismo nem da Umbanda.

Nunes incorpora o Dr. Ludwig, médico alemão morto na Primeira Guerra Mundial. Ele afirma curar catarata, raspando o olho do assistido com a própria unha. Oftalmologistas dizem que não se trata de catarata, mas de pterígeo, pele que cresce sobre o olho. A operação mediúnica, na verdade, seria apenas a retirada do excesso de tecido e, com isto, o paciente passa a enxergar melhor. A córnea se recupera rapidamente de um corte.

Nunes também utiliza agulhas de injeção nas operações mediúnicas. As agulhas são enfiadas na pele sobre o órgão que o paciente diz estar deficiente ou doente. Mais uma vez, sem dor. Depois do tratamento, este material é descartado.

Pesquisas

Um pesquisador americano, Stanley Krippner, autor de “Varieties of Anomalous Experiences”, acompanhou casos de curas espirituais e, para sua surpresa, encontrou pouquíssimos casos de complicações após a realização de operações mediúnicas, apesar de a assepsia nos centros, tendas e terreiros visitados ser péssima. Além de más condições de limpeza nestes locais e do alto número de pessoas que se reúnem em pequenos salões, praticamente não há infecções.

Krippner visitou o Brasil pela primeira vez na década de 1980. Foi conhecer o trabalho alegadamente realizado em Congonhas do Campo (MG) pelo espírito Dr. Fritz, médico responsável pelas operações mediúnicas, já conhecido no país por ter orientado as práticas de José Pedro de Freitas (Zé Arigó), médium falecido em 1971. Dr. Fritz é mais um médico alemão morto em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial.

Na época em que o pesquisador entrou em contato com as operações mediúnicas do Dr. Fritz, o médium responsável era Edson Queiroz. Tanto ele como Arigó utilizavam facas e estiletes enferrujados durante as cirurgias, extraindo tumores, cistos, etc. até mesmo com os dedos (em Abadiânia, são usados bisturis esterilizados).

Todos os médiuns aqui citados, além de muitos outros que atuam em várias cidades do Brasil, não possuem nenhum tipo de formação na área da saúde. Da mesma forma, todos são unânimes em afirmar que a cirurgia é realizada pela entidade espiritual; o medianeiro é apenas um instrumento para permitir a realização das operações mediúnicas.

Dor e infecções

A ausência de dor nas operações mediúnicas e de complicações pós-cirúrgicas intriga a ciência. De acordo com médicos que acompanharam algumas cirurgias, os cortes são superficiais e a ausência de dor provavelmente se explica por autossugestão. A concentração e o pensamento elevado aliviam os estímulos dolorosos. É uma explicação provável, assim como os resultados benéficos também o são.

Outros cientistas explicam a analgesia (falta de dor) como derivada da hipnose. De acordo com o Centro de Estudos da Dor (Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo), os rituais religiosos induzem ao transe hipnótico: sob a sugestão do médium, o paciente se sente melhor e acredita estar curado e sem sensações dolorosas. A melhora, no entanto, geralmente é apenas psicológica e os sintomas da doença retornam em poucas semanas.

O Conselho Federal de Medicina é totalmente contrário às operações mediúnicas com cortes ou mesmo a ministração de medicamentos. O órgão afirma que, em todos os casos que acompanhou, constatou fraudes, estelionatos ou apenas boa-fé que não se traduz em cura. Vale lembrar que estes procedimentos são feitos à margem da lei e os responsáveis pelas entidades podem ser processados por prática ilegal da medicina, além de responder pelos eventuais danos causados aos pacientes.

Passes

Os centros espíritas oferecem uma solução mais suave para problemas físicos e emocionais: os passes. Em algumas instituições, é feita apenas a imposição de mãos; em outras, o médium passeísta atua em vários pontos do períspirito do assistido, quase sempre sem tocar no corpo da pessoa que procura alívio, cura ou rearmonização. Os tratamentos podem ser realizados também a distância, inclusive durante o sono do assistido.

Trata-se de uma transmissão de energias e fluidos renovadores oferecidos pelos mentores (ou guias) responsáveis pela atividade e pelo próprio médium. Alguns centros que mesclam Espiritismo e Umbanda (ou Umbanda e Catolicismo) também disponibilizam esta forma de tratamento, com médiuns incorporados ou não a entidades curadoras (desencarnadas). É importante ressaltar as que casas sérias nunca cobram pela administração de passes, frequência a palestras e reuniões e outras atividades abertas ao público.

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