As cidades mais antigas do mundo

Elas resistem ao tempo, ou se tornaram apenas ruínas. Conheça algumas das cidades mais antigas do mundo.

O ser humano começou a construir cidades há cerca de 15 mil anos. A cidade mais antiga ainda habitada é Jericó, na Faixa de Gaza, Palestina, com dez mil anos de idade. Na verdade, as ruínas da cidade antiga – ou cidades antigas, já que marcas de muralhas indicam que ela foi destruída e reconstruída várias vezes – ficam a um quilômetro de distância da Jericó moderna.

Fundações de uma residência desenterrada em Jericó.

Quando se fala em cidades, o homem moderno tende a pensar em edifícios, praças, avenidas, viadutos, trânsito, poluição… No entanto, as cidades mais antigas do mundo eram um pouco diferentes: elas eram apenas agrupamentos permanentes, quando os cidadãos deixaram de ser apenas fazendeiros, para se tornar trabalhadores em ocupações especializadas, como o comércio e a devoção religiosa.

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As cidades mais antigas do mundo, efetivamente, são conjuntos de templos, armazéns e casas de pedra – destinadas aos mercadores e chefes guerreiros (posteriormente príncipes) – cercados por uma paliçada, que lentamente evoluiu para muralhas de pedra. No entorno, muitas tendas de agricultores e pastores, que eram protegidos pela elite urbana em caso de ataque.

Muitas destas cidades, como Ur (Mesopotâmia), Tebas e Mênfis (Egito), deram origem a grandes impérios. Em outras regiões, como a Palestina, a situação das cidades-Estado perdurou por milênios, com incursões guerreiras regulares, em busca de escravos.

Em comum, todas elas foram construídas junto a rios ou fontes: a água era a primeira necessidade a ser suprida, para a população, o gado e a lavoura. Uma posição elevada ajudava a garantir a defesa: Atenas, por exemplo, erguida séculos mais tarde, resistiu a dezenas de ataques de Esparta, antes de ser finalmente derrotada, por estar situada em uma península de difícil acesso.

A cidade do Oásis

Damasco e considerada a capital mais antiga do mundo. A “Cidade do Jasmim” é também a mais antiga, quando se considera a ocupação: ela nunca foi abandonada. O oásis de Ghutah começou a ser ocupado há 11 mil anos e, em 6300 a.C., surgiu a cidade.

Construção bizantina em Damasco.

Mesmo em uma região potencialmente explosiva, Damasco tornou-se referência para árabes, judeus e cristãos. A Síria está localizada entre três antigos impérios: hititas ao norte, mesopotâmios (sumérios, caldeus, assírios e babilônios) a leste e Egito ao sul. Foi o suficiente para a região se tornar um palco de batalhas quase ininterruptas.

Posteriormente, foi alvo de persas, gregos, romanos, turcos e franceses, até que o país conquistou sua independência, após a Segunda Guerra Mundial. A Síria – uma ditadura – está tecnicamente em guerra com Israel (que ocupa as colinas de Golã, ao sul do país) desde 1967, o que transforma Damasco em um oásis um pouco indigesto, mas que vale a pena conhecer.

Biblos

A cidade libanesa, com Damasco e Jericó, forma o trio de cidades mais antigas do mundo. Sítios arqueológicos da região foram datados em mais de sete mil anos. Fundada por fenícios, mercadores que exploraram todo o mar Mediterrâneo, teve ser nome mudado várias vezes: Gebal (o nome original), Kypt, Kubla, Kepen, entre outros.

O nome Biblos foi dado pelos gregos, porque os papiros egípcios chegavam antes ao porto da cidade para depois atingir as cidades helênicas. A escrita da Grécia antiga dependia desta planta (papiro é uma planta!) e a palavra “bíblia”, que significa livro, também surgiu ali.

O Líbano também está tecnicamente em guerra com Israel e enfrenta problemas internos com o Hizbollah, grupo fundamentalista islâmico.

Mesmo assim, Biblos é um dos locais mais procurados por arqueólogos de todo o mundo, principalmente em função da sobreposição de muitas culturas, cujas provas em suas ruínas mostram o grande número de povos que ali viveram.

Jericó

Ela merece destaque especial, pela antiguidade e também para mostrar o vaivém dos conquistadores que escreveram suas histórias entre os seus muros.

Às margens do rio Jordão, Jericó fica a 30 km da também milenar Jerusalém. Existem evidências de assentamentos na região desde ao menos nove mil anos antes da Era Cristã. O primeiro assentamento permanente data de um período entre dez mil e nove mil anos atrás e consistia em uma torre com escadaria interna, um santuário e uma série de muros concêntricos.

A cidade foi invadida em 6800 a.C. por um povo desconhecido, que provavelmente absorveu algumas tradições da população original. Artefatos desta época encontrados por arqueólogos incluem crânios pintados e decorados, para refazer a fisionomia do morto homenageado.

Jericó conheceu certa prosperidade durante a Idade do Bronze (1700 a.C.), com muros reforçados e expandidos. Destruída em 1550 a.C., só voltou a ser reconstruída no século IX a.C., mas por pouco tempo: os assírios – e posteriormente os babilônios – realizaram diversas incursões a partir do século VIII a.C., o chamado período do exílio babilônico.

Babilônia foi invadida pelos persas e o rei Ciro II permitiu o retorno dos canaanitas para a Palestina, que reconstruíram Jericó. No século IV a.C., a cidade foi tomada por Alexandre, o Grande (rei grego), até a invasão dos macabeus, quando teve início o domínio judaico.

Os romanos destruíram Israel em 70 d.C. Jericó ficou abandonada por algum tempo, e depois tornou-se um local pouco prestigiado. Cerca de 600 anos depois, fazia parte do Califado Omíada, já sob domínio árabe. A cidade prosperou até o século X, quando foi consecutivamente saqueada por turcos seljúcidas e pelos cruzados (guerreiros europeus que queriam dominar a Terra Santa).

O domínio europeu durou pouco, mas os cruzados tiveram tempo de construir mosteiros e igrejas; muitos destes monumentos ainda podem ser visitados. Em 1187, o sultão Saladino expulsou os invasores, mas Jericó conheceu um novo declínio.

Nos primeiros anos do Império Otomano (1517 a 1918), Jericó se tornou parte do Emirado de Jerusalém. Durante todo o período, a cidade se tornou um centro agrícola e têxtil, sempre às voltas com os ataques dos beduínos.

Com a derrota dos otomanos, os europeus controlaram a região, especialmente interessados nas ruínas cristãs. Os mosteiros de São Jorge de Koziba e São João Batista foram refundados em seus locais originais, no início do século XX.

Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1948, a ONU – Organização das Nações Unidas – repartiu a região – ocupada por ingleses e franceses – entre árabes e judeus. Jericó deveria fazer parte do Estado da Palestina, mas Israel logo ocupou o território, que vem conquistando autonomia gradual (juntamente com a Cisjordânia) desde os anos 1990.

Sagrada para três religiões

Jerusalém está situada na Cisjordânia e é disputada por palestinas e israelenses, que a consideram sua “capital una e indivisível”. Também às margens do rio Jordao, há muito tempo atraiu pastores e lavradores. Ela está ocupada há pelo menos sete mil anos.

Vista aérea de Jerusalém, com o Domo da Rocha em destaque.

O território da cidade é relativamente pequeno, mas abriga tesouros como o Muro das Lamentações (o que restou do Grande Templo e local de peregrinação de judeus), o Domo da Rocha (onde os patriarcas Abraão, Jacó e alguns profetas teriam oferecido sacrifícios) e preciosidades cristãs, como a Igreja do Santo Sepulcro. É destino de fiéis do mundo todo, e teria sido fundada pelos jebuseus – um dos povos canaanitas – e conquistada por Davi, por volta de 1000 a.C.

Outras cidades merecem destaque. Plovdiv, atualmente a maior cidade da Bulgária, surgiu há seis mil anos e é o primeiro assentamento permanente da Europa, muito antes de Atenas se tornar o berço da democracia, o que só ocorreu no último milênio pré-cristão.

Gaziantep (ou Antep), na Turquia, pode ter tido assentamentos há ao menos seis mil anos, de acordo com escavações recentes. Xian, na China, do alto de seus seis mil anos, foi a capital da dinastia Qin, que reunificou o país e deu início ao império. A cidade é famosa por abrigar o Mausoléu de Qinshi Huangdi, onde estão os guerreiros de terracota. Varanasi é uma das sete cidades sagradas do Hinduísmo, tem sete mil anos e conheceu o apogeu no tempo de Sidarta Gautama, o Buda, quando foi capital do Reino de Caxi.

Roma é bem mais recente. A tradição diz que ela foi fundada “apenas” em 753 a.C. Mas a “Cidade Eterna” foi o centro de um império que dominou boa parte das cidades e deixou marcas de seu poder em todo o Velho Continente.

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