Aspirina reduz os riscos de câncer, é o que indica pesquisa

O estudo utilizou dados de mais de 30 anos. Comprovadamente, a aspirina reduz o risco de alguns tipos de câncer.

Há muito tempo a comunidade médica já sabe que o mais popular anti-inflamatório e analgésico do mercado, o AAS (ácido acetilsalicílico, princípio ativo da aspirina e de outras marcas vendidas em drogarias, como Bufferin, Melhoral, etc.) previne contra a formação de trombos (coágulos sanguíneos), sendo, por isto, um excelente protetor cardíaco.

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Agora, um grupo de cientistas dos Hospital Geral de Massachusetts (EUA), liderados pelo médico gastroenterologista Andrew T. Chan (também professor da Escola de Medicina da Universidade Harvard), acompanhou mais de 130 mil pessoas e concluiu: a aspirina efetivamente interfere positivamente na redução do desenvolvimento de tumores.

O universo da pesquisa

Os pesquisadores analisaram os resultados de dois grandes estudos epidemiológicos realizados em diferentes ambientes dos EUA: metrópoles, pequenas e médias cidades, meio rural, etc. Ao todo, foram rastreados o histórico de saúde e os hábitos de 135.965 cidadãos americanos.

Os autores do estudo identificaram, ao longo de 32 anos:

  • 20.414 casos de câncer em 88.084 mulheres (23,17%); e
  • 7.571 casos de câncer em 47.881 homens (15,82%).

O grupo responsável pela pesquisa admite que o método adotado – análise de prontuários médicos de pacientes com relato de queixas de dores abdominais e outros transtornos gastrointestinais – não é o melhor método, nem tem a credibilidade de um estudo clínico aleatório controlado.

A aspirina

A ingestão de aspirina duas ou mais vezes por semana foi associado à redução de 3% na incidência de câncer, na comparação com a população geral. Este percentual se eleva para 15% nos casos de cânceres do sistema digestório e 19% na porção final do intestino, o cólon e o reto.

O efeito protetor da aspirina, neste estudo, foi constatado depois de cinco anos de uso contínuo. As dosagens recomendadas são até dois comprimidos para adultos, ou comprimidos diários de dosagem reduzida (com 100 mg a 300 mg de AAS).

No Brasil não são comercializados comprimidos de AAS especificamente para pacientes cardíacos (ou com risco de desenvolver trombos e as consequentes doenças cardiovasculares). Nas clínicas e hospitais brasileiros, os cardiologistas receitam aspirinas de uso pediátrico.

Apesar de ser uma conclusão de grande impacto, que pode alterar os tratamentos médicos de órgãos abdominais, Os resultados, no entanto, podem desanimar os leigos. O estudo não registrou nenhuma alteração, com o uso do AAS, em casos de outros tipos de câncer de grande incidência, como pulmão, mama, ovário e próstata.

 Conclusões

A partir dos resultados obtidos com a extensa pesquisa, os médicos do Hospital Geral de Massachusetts admitem que o uso da aspirina consiga reduzir em 19%, em média, a incidência de cânceres colorretais. No caso de pacientes já submetidos a colonoscopias, o percentual é reduzido para 8,5%.

A colonoscopia é um exame por imagem, que permite a visualização do reto, cólon e parte do íleo terminal. É recomendada a todos os pacientes acima dos 50 anos, para identificar o eventual desenvolvimento de neoplasias nas porções finais do intestino. O exame também é solicitado em caso de hemorragias anais, diarreia ou constipação crônica, suspeita de neoplasias, doenças inflamatórias no intestino, diverticulite ou de hemorragia intestinal baixa.

Os pesquisadores acreditam que o uso regular da aspirina pode prevenir até 30 mil casos de tumores no trato gastrointestinal a cada ano (apenas nos EUA). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer colorretal é a terceira neoplasia mais letal (considerados os casos no mundo todo); a cada ano, surgem 1,4 milhão de casos novos.

No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima o diagnósticos de mais de 34 mil novos cânceres de cólon e reto a cada ano. Apesar de ser uma doença com altas chances de cura, quando diagnosticada precocemente, quase metade dos pacientes brasileiros vão a óbito, por recorrerem (ou encontrarem) ajuda medida apenas depois de surgirem complicações e metástases.

A ação dos AAS ainda não está totalmente esclarecida, mas acredita-se que a substância possa influenciar nos mecanismos de desenvolvimento das células tumorais, inibindo a multiplicação celular logo no início do processo, por acelerar a circulação sanguínea.

O grupo de estudo do Hospital Geral de Massachusetts sugere que o uso de aspirina seja adotado especialmente em duas situações:

  • como alternativa de baixo custo para a prevenção do câncer colorretal em locais de recursos limitados para a universalização da colonoscopia;
  • em locais nos quais a oferta da colonoscopia é satisfatória, mas, por questões culturais, deixa de ser realizada por boa parte da população (o procedimento consiste na introdução de um tubo flexível através do ânus, equipado com uma minicâmera).

Os pesquisadores, alertam, ainda, sobre os efeitos colaterais do uso da aspirina. Em muitos pacientes, ocorrem distúrbios do trato gastrointestinal superior (especialmente estômago e duodeno), dispepsia (indigestão) e dor abdominal.

Nos países tropicais, a aspirina tem uma contraindicação importante: o medicamento não deve ser utilizado nos casos de suspeita de dengue. O AAS é conhecido pela sua função anticoagulante – e este efeito é que o transformou em coadjuvante nos tratamentos cardíacos.

A dengue, entretanto, a partir da segunda infecção (a enfermidade é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e o vírus responsável se apresenta em quatro subtipos da família Flaviviridae), pode se apresentar como dengue hemorrágica, que provoca sangramentos (principalmente pela boca e narinas) e pode levar o paciente a óbito. Nesta condição, um medicamento com propriedades anticoagulantes é totalmente contraindicado.

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