Alzheimer: minha mãe tem

Postagens no Facebook mostram uma forma diferente de tratar os portadores da doença.

A mineira Ana Heloisa Caldas Arnaut, de Caxambu, decidiu criar uma página no Facebook – Alzheimer: minha mãe tem – para mostrar parte do dia a dia de sua mãe, Ana Izabel Arnaut, diagnosticada com mal de Alzheimer em 2003. Dona Ana Izabel nasceu em 1921. No linguajar do Facebook, quase 200 mil internautas “estão falando sobre isto” e a página já recebeu mais de 125 mil “curtidas”.

Mãe e Filha

Mãe e Filha

Em junho de 2014, Ana Heloisa postou o primeiro vídeo na rede social. Durante cinco minutos, ela conversa com a mãe pacientemente; o carinho transborda pela tela. No diálogo, Dona Ana Izabel confunde a filha: por duas vezes, acha que ela é sua própria mãe. Sem se importar com isto, Ana Heloisa concorda com a idosa e continua o diálogo, sem demonstrar tristeza ou espanto.

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A mãe aponta para uma foto e pergunta quem é o retratado: a filha, sempre com paciência, informa que é o genro de Dona Ana Izabel. Ela comenta que o homem é bonito e volta a falar sobre outras coisas. Por fim, Ana Heloisa consegue dar a dose do remédio prescrito pelos médicos para um sono tranquilo. Muita gente acha mais fácil transferir a “velha geração” para casas de repouso e asilos.

O Alzheimer

O mal de Alzheimer é uma doença degenerativa (que se agrava com o tempo) e incurável, cujos sintomas podem ser tratados com medicamentos e, como se vê no caso de Dona Ana Izabel, com uma boa dose de amor.

A doença é uma demência (perda das funções cognitivas), caracterizada pela perda progressiva da memória, orientação no tempo e no espaço, dificuldades de linguagem e atenção. É causada pela morte dos neurônios, as células do cérebro. O diagnóstico precoce é muito importante para controlar o Alzheimer, amenizar os sintomas e garantir melhor qualidade de vida para o paciente.

No Brasil, vivem atualmente 15 milhões de pessoas com mais de60 anos. Calcula-se que 6% delas sofram do mal (dado da Associação Brasileira de Alzheimer – ABRAZ). É uma das principais causas de morte a partir dos 75 anos, atrás apenas do infarto, AVC e câncer.

Novamente a página virtual

Além de fotos e vídeos, como o em que a cuidadora Júnia esmalta as unhas de Dona Ana Izabel. Ana Heloisa comenta que, quando se aproximou para ver se a mãe ficou bonita, a idosa escondeu as mãos, com medo que a filha quisesse retirar o esmalte.

Nem tudo são flores, no entanto. Dez dias depois de abrir a página no Facebook, Dona Ana Izabel virou “notícia” em TVs, rádios e na internet. Ana Heloisa relata que, na tentativa de dar atenção a todos, conseguiu desagradar a alguns. Houve comentários como “se não tem paciência para responder, não deveria ter aberto uma página pública”.

A filha-mãe afirma que não queria chamar atenção (nas suas palavras, virar celebridade ou “estrelinha”), apenas descrever a rotina de cuidados com a idosa e transmitir, de algum modo, a sua experiência para pessoas que convivem com o mesmo problema.

Convivendo com a doença

Pesquisando sobre o mal de Alzheimer e aprendendo com Dona Ana Izabel, Ana Heloisa está acumulando experiências. Ela afirma que se comunica com a mãe com frases curtas, de fácil interpretação, falando devagar e dando tempo para que ela possa processar as perguntas e elaborar as respostas.

Ana Heloisa também descobriu que a substituição da memória de curto prazo (dos fatos que acontecem mais recentemente) nem sempre é substituída pela de longo prazo (fatos que ocorreram na infância e juventude). No caso de Dona Ana Izabel, poucas lembranças ficaram para a mãe.

A filha também dá dicas sobre alimentação. Lembra que muitos portadores de Alzheimer se esquecem de comer ou querem comer a todo instante, pois não se lembram da última refeição. Ana Heloisa chama atenção para a necessidade de orientação por um nutricionista.

Ela afirma ainda que o Alzheimer é “uma caixinha de surpresas; a gente nunca sabe o que vai acontecer. É um aprendizado diário, é preciso reconquistar a doença a cada momento”. Ana Heloisa diz que já fez acupuntura e está fazendo ioga para controlar o estresse.

A página “Alzheimer: minha mãe tem” deve ser visitada e seguida. Ana Heloisa posta textos de especialistas, como médicos, nutricionistas e fonoaudiólogos, mas o mais importante é acompanhar a sua trajetória, com altos e baixos como os de qualquer outro ser humano. Não se trata da Mulher Maravilha, mas de uma pessoa de carne e osso que está tentando fazer o melhor possível para Dona Ana Izabel, cumprindo seus deveres de filha.

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