Afinal, qual é a cor do vestido? Branco e dourado ou azul e preto?

Um vestido está agitando a internet: cada pessoa que vê as fotos enxerga cores diferentes. Entenda por quê.

Um mistério está intrigando a rede mundial. A cantora folk escocesa Caitlin McNeil, de 21 anos, postou uma foto no Twitter com um vestido listrado. Foi o suficiente para que a imagem migrasse para outras redes sociais. Anônimos e famosos, como o cantor Justin Bieber, a atriz Julianne Moore, o rapper Kanye West e a cantora, atriz e modelo Taylor Swift deram palpites sobre a cor do vestido.

qual a cor do vestido

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Afinal, o look de Caitlin McNeil é branco e dourado ou azul e preto? Existem várias discussões sobre tonalidades mais sutis, como o verde-água, que muita gente afirma ser azul, mas faixas de cores tão discrepantes não deveriam provocar percepções tão diferentes. O resumo da ópera, porém, é que os internautas estão disputando palmo a palmo as opções e as palavras referentes à cor do vestido fizeram #whiteandgold e #blueandblack subirem para os trending topics – os temas mais comentados no Twitter. Emissoras do mundo todo também entraram na discussão, inclusive no Brasil, onde apareceram as menções #thedress e #preto.

Ser ou não ser

A cor do vestido está se tornando uma questão filosófica. Alguns posts sobre o assunto merecem ser reproduzidos: “vi branco e dourado, mas meus amigos disseram que é azul e preto: não posso suportar isto”, “se isto não é dourado, minha vida inteira é uma mentira”, “existe alguma feitiçaria aqui” e “espalhem até que chegue alguma explicação da NASA”.

Não é preciso, no entanto, que a discussão chegue até a NASA, a agência de navegação aeroespacial dos EUA. Um internauta chegou perto da solução do “problema”. Ele disse que a explicação pode estar na calibragem das telas de laptops, desktops, tablets e smartphones. Realmente, um monitor mal regulado pode induzir a erro na identificação das cores. Mas do branco para o preto, do azul para o dourado? Será possível?

Provavelmente, tudo pode ser apenas um lance de marketing para promover a cantora escocesa e a sua banda. Afinal, em tempos de full connection, se a protagonista de um viral sem nenhum custo é uma supercampanha promocional. Mas a física explica de uma forma bem mais simples.

É tudo ilusão

Em óptica (área da física que estuda os fenômenos da luz), a divergência de percepção da cor do vestido – branco e dourado ou preto e azul – é creditada à ilusão de luminosidade. Luminosidade é uma estimativa da reflectância real dos objetos. Traduzindo: é a quantidade de luz incidente que é refletida por uma superfície – no caso, o vestido listrado da cantora.

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À esquerda: imagem original. Ao centro: imagem com 40% a mais de brilho – vemos branco e dourado. À direita: imagem com 30% a menos de brilho – vemos azul e preto.

 

Acontece que o nosso sistema visual não se limita a medir a quantidade de luz que chega aos nossos olhos (que é sempre influenciada pelas sombras). Somos animais diurnos há muitos milênios e, por isto, acostumamo-nos a não identificar apenas este quantum, mas também as suas alterações durante o dia; os efeitos artificiais de iluminação são uma invenção relativamente moderna, mesmo que já tenhamos nascido com esta informação.

Nosso sistema não é um bom medidor de luz, mas esta não é a sua função principal. Sem esta capacidade, não conseguiríamos um objeto branco mal iluminado de outro preto, do mesmo formato e dimensões, mas exposto a uma fonte potente de luz. A diferenciação é feita pela “compensação do viés cromático”.

Parece complicado, mas a informação captada pelos olhos e enviada para o cérebro tem a mesma base de quando entramos em nosso quarto de dormir com as luzes apagadas. Sabemos, por exemplo, que os móveis são de cerejeira, há um pôster vermelho e amarelo na parede, a colcha da cama é verde-escuro, mesmo que, na escuridão, nada disto esteja sendo captado.

A discussão viral sobre o vestido nas redes virtuais se baseia na nossa tentativa inconsciente de compensar o viés cromático, de acordo com o eixo da luz do dia ou da posição de lâmpadas e flashes no momento em que a foto foi clicada.

A iluminação em volta do objeto focado faz o cérebro captar a imagem e tentar entendê-la. Mas, como diz o ditado, “cada cabeça, uma sentença”: cada cérebro entende a sobreposição de cores de uma maneira diferente.

Voltando ao vestido do centro da polêmica: sob uma iluminação forte, ele parecerá branco e dourado; na penumbra, com um fundo atenuado (que pode ser uma parece escurecida), aparecerá uma composição mais branda – no caso, azul e preto. Corrigindo-se a foto em um programa de computação gráfica, surgem as tonalidades reais. Quando a saturação é aumentada, mesmo sem o acréscimo de outras cores na edição da imagem, reaparecem as cores mais quentes.

Quem já se sentiu enganado pela tonalidade de uma roupa em uma vitrine sabe disto. Sob cores vibrantes, ela parece mais clara e brilhante. Muita gente já ficou desiludida ao abrir o pacote em casa e descobrir que o traje é muito mais “sóbrio”. Neste caso, no entanto, não há chance de comparação e o consumidor fica apenas com a pulga atrás da orelha, jurando para si mesmo que tinha visto um look muito mais quente do que aquele que mal se distingue da colcha escura da cama.

Em tempo: o vestido, da Roman Originals, uma loja popular de Londres, é azul e preto (faz parte de uma coleção com todas as peças nestes tons) e custa o equivalente a R$ 200. A loja também deve estar agradecendo por ter se envolvido nesta propaganda gratuita. A discussão, no entanto, deve continuar por mais algum tempo, até que outro “Black or White?” atraia a atenção dos internautas. Ou seja, até o próximo trending topic.

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