A verdadeira história do Natal

O Cristianismo incorporou diversos mitos europeus no início de sua história. O Natal é um deles, e tem uma história bem interessante.

Estamos na Europa, no século II. No final do ano, os dias frios impedem o trabalho na lavoura. As pessoas passam longas horas sem ter o que fazer, mas uma esperança surge, afinal: o sol renascerá com sua força e o deus menino renascerá. É 25 de dezembro, Natalis Solis Invicti: o nascimento do sol invencível.

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Não, não estamos falando de Jesus, nem do Natal. Estamos falando de Mitras, deus persa que foi incorporado ao panteão romano, que concorreu com o Cristianismo. Assim como Jesus, Mitras também foi visitado por magos quando nasceu, e recebeu os mesmos presentes: ouro, mirra e incenso – símbolos de realeza e santidade. Aliás, a Bíblia não fala de três reis, apenas de “uns magos”. A citação está no Evangelho segundo Mateus.

O culto a Mitras, deus do sol, identificado com Apolo e Ra, era bastante popular em Roma. A festa em sua homenagem ocorria logo depois das Saturnálias, reverências ao deus do tempo feitas entre 17 e 24 de dezembro. Os romanos enfeitavam pinheiros com fitas coloridas, já que são as únicas árvores que não perdem as folhas no inverno e por isso simbolizam a eternidade.

No século III, o imperador Aureliano fixou o nascimento de Mitras em 25 de dezembro, que corresponde ao solstício de inverno no calendário Juliano: a noite mais longa do ano (no hemisfério norte) e, a partir daí, o tempo de luz solar passa a ficar progressivamente maior.

Pouco menos de cem anos depois, Constantino decretou dois editos: o de tolerância, em 313, que interrompeu a perseguição aos cristãos e, dois anos depois, proclamou-se o Cristianismo como religião oficial do império. Constantino fixou o Natal na data comemorada até hoje, mas a igreja oriental manteve a festa em 6 de janeiro, não por acaso o dia em que se comemorava o nascimento de Osíris. Esse deus, aliás, é pai de Hórus, que morre e renasce, mata Set, o deus da morte, e consagra-se deus dos vivos na mitologia egípcia.

O presépio é bem mais recente. Foi criado pelo italiano Giovanni di Pietro di Bernardone (São Francisco de Assis, para a Igreja Católica). No Natal de 1223, o frade tentou recriar o nascimento do Cristo conforme é narrado nos Evangelhos: reclinado numa manjedoura, cercado por animais e pastores.

No entanto, não há menção das crônicas romanas a respeito de um censo que obrigasse os judeus a retornarem para sua cidade natal, onde seria feita a contagem, fato que teria obrigado os pais de Jesus a viajar para Belém às vésperas do nascimento do bebê. A própria ideia de que os judeus, povo que por mais de uma vez foi escravizado e disperso, poderia fixar sua genealogia por mais de mil anos é apenas uma referência simbólica da antiguidade do povo.

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