A saga dos Bórgias

Os Bórgias são uma das famílias mais conhecidas do Ocidente. Conheça um pouco mais sobre a sua saga.

“Os Bórgias” fizeram tanto sucesso na história que chegaram a render três temporadas, em minissérie, para o canal pago Showtime. Quando a emissora decidiu não continuar com o seriado, desenvolvido por Neil Jordan e estrelado por Jeremy Irons (o papa Rodrigo de Borja, ou Alexandre VI), uma última temporada foi lançada em e-book, causando furor dos fãs em busca de cópias gratuitas (existem várias na internet).

Poucas famílias renderam tantos mitos e lendas como os Bórgias. Originário da Espanha (daí o sobrenome “Borja”), o clã rendeu três papas (além de Alexandre VI, os Bórgias também garantiram os Estados Pontifícios para o comando do papa Calisto III, cujo nome de batismo era Afonso Borja), um príncipe florentino que teria inspirado Nicolau Maquiavel e muitos casos de incesto, envenenamento, assassinato e muitos casos de intrigas.

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A origem da família Bórgias

Rodrigo de Borja (Bórgia é a italização do sobrenome), considerado o 214º papa de acordo com a tradição da Igreja Católica, um clérigo hispano-itálico, teria sido mais um eclesiástico obscuro (mas, nem por isto, menos poderoso), se não fosse pela época em que viveu. Eleito papa em 1492 – mesmo ano da expedição de Cristóvão Colombo à América –, ele conviveu com o apogeu da Espanha durante as Grandes Navegações.

Pouco antes, seu tio Calisto III (Alfonso de Borja), já havia envergado a mitra pontifícia e governado os Estados Pontifícios (1455-1488).

Entre as suas realizações, constam a criação dos padroados de Portugal e da Espanha – na prática, o reconhecimento dos dois reinos como Estados católicos, com a possibilidade de os governantes soberanos poderem nomear bispos e cardeais – um encargo especialmente importante, principalmente em se considerando que, na época, isto significava nomear os tutores da Santa Inquisição, que tiveram especial importância nos governos ibéricos e, por consequência, nas colônias latino-americanas.

Posteriormente, em 1644, Giovani Batista Pamphili ocupou o Trono de São Pedro por pouco mais de um ano, com o nome de Inocêncio X. Ele obteve uma votação expressiva – 49 dos 55 votos possíveis, em maioria, comprados pelos seus auxiliares.

Alexandre VI

Com o nome de Alexandre VI, Rodrigo esteve à frente da Igreja Católica até a sua morte, em 1503. Ele havia sido nomeado cardeal pelo próprio tio e chegou a ser vice-chanceler da Igreja. Apesar de religioso, Alexandre VI era casado e pai de diversos filhos.

Rodrigo de Borja, o papa Alexandre VI, em pintura de Cristofano dell’Altissimo.

Rodrigo de Borja, o papa Alexandre VI, em pintura de Cristofano dell’Altissimo.

O papado de Rodrigo foi marcado por inúmeros crimes e violações: entre outras irregularidades, ele nomeou o filho César, de apenas 16 anos, como cardeal. Diversos outros parentes, entre sobrinhos e sobrinhos-netos, também assumiram cargos de expressão da hierarquia católica. César, posteriormente, foi retratado, por Nicolau Maquiavel, em “O Príncipe”, como exemplo ideal de governante. O alto dignitário teria sido assassinado por um de seus irmãos, Pedro Luís.

Alexandre VI foi acusado de simonia (negociatas com artigos sagrados) pelo cardeal Della Rovere, que fez uma aliança com Carlos VIII, rei da França, para depor o papa. Rodrigo Bórgia, no entanto, fez um acordo com o monarca, permitindo que o exército francês cruzasse os Estados Pontifícios para invadir o Reino de Nápoles.

Em troca, a França reconheceu o sumo pontífice. Os Bórgias, no entanto, eram negociadores natos – enquanto os franceses se dirigiam para o sul da península Itálica, Alexandre VI aliou-se ao imperador alemão Maximiliano I e aos governos da Espanha e de Veneza, que derrotaram os franceses, obrigados a recuarem para o seu território.

Durante este pontificado, foram expedidas Bulas Alexandrinas, tratados que dividiram o mundo não europeu entre a Espanha e Portugal (o Tratado de Tordesilhas foi assinado em 1494, com as bênçãos de Alexandre VI).

Apesar de ter tido um início tranquilo, o desejo de poder foi a principal marca da gestão de Rodrigo Bórgia. A tônica da gestão foram os adultérios, disputas políticas, roubos, estupros, corrupção, incestos e homicídios. Alexandre VI tinha especial predileção pelo arsênico para “calar” os adversários. Ironicamente, ele provavelmente também morreu envenenado, quando planejava ampliar os domínios do Vaticano para toda a Itália.

Com a morte de Alexandre VI e a ascensão de Júlio II, César Bórgia entrou em total decadência, mas conseguiu “dar a volta por cima”. Ele abandonou oficialmente a vida eclesiástica, casou-se com a princesa Carlota de Albret, tornou-se duque de Valentinois e entrou para a história como o “Duque Valentino”. César foi morto em 1507, em uma emboscada na Espanha.

A filha mais famosa

Lucrécia Bórgia é lembrada nos livros de história como exemplo de crueldade. Ela foi filha ilegítima de Alexandre VI com uma das suas diversas amantes e irmã de César, Gioffre e Giovani. Aos nove anos, ela foi separada dos irmãos e passou a ser criada por Adriana de Mila, uma nobre italiana, de quem recebeu uma educação primorosa.

“Retrato de uma Mulher”, de Bartolomeu Veneto, considerado como de Lucrécia Bórgia.

“Retrato de uma Mulher”, de Bartolomeu Veneto, considerado como de Lucrécia Bórgia.

Aos 11 anos, Lucrécia casou-se com Querubim João de Centelles, senhor de Val d’Ayora (Valência), que foi anulado menos de dois meses depois; a jovem se tornou, então, a Sra. Gaspare Aversa. Porém, quando Rodrigo Bórgia assumiu o papado, ele procurou aliar-se às famílias italianas mais influentes e a mão de Lucrécia foi dada a Giovani Sforza, senhor de Pesaro e conde de Catignola.

Isto ocorreu em 1493, mas o casamento nunca se consumou, porque Lucrécia era considerada jovem demais para assumir as obrigações conjugais. Durante dois anos, marido e mulher se mantiveram absolutamente separados. Com o fortalecimento no poder, os Bórgias não precisavam mais do apoio dos Sforzas e é provável que Alexandre VI tenha ordenado a execução de Giovani, que conseguiu fugir de Roma.

Depois de muitas tratativas para obter o divórcio da filha, o papa declarou que o casamento nunca foi consumado e, portanto, era um ato nulo. Giovani Sforza perdeu o apoio da própria família, tendo sido obrigado a assinar confissões de impotência. Lucrécia Bórgia estava livre, mas com a reputação bastante abalada: o ex-marido acusou-a de incesto com o pai e os irmãos Giovani e César.

Lucrécia foi encerrada em um convento, mas apaixonou-se por Pedro Calderón, criado do papa incumbido de transportar a correspondência entre pai e filha. Os dois se tornaram amantes e, em 1498, a jovem estava grávida.

Ao saber disto, César esfaqueou Pedro, que conseguiu sobreviver. Aparentemente, jovem teve um filho um ano antes de se casar com o príncipe Alfonso de Aragão. A criança, batizada como Giovani (o “infante romano”), foi assumida por César. Depois da morte do pai, o infante passou a viver com a mãe, recebido em Ferrara como meio-irmão de Lucrécia.

O casamento de Lucrécia e Alfonso foi breve – durou menos de três anos, em 1498 e 1500. César voltou a articular, convencendo o casal a transferir-se para Roma, para esperar o novo bebê, Rodrigo de Aragão, junto ao papa. Ao chegar à Cidade Eterna, entretanto, Alfonso foi esfaqueado na Praça de São Pedro, em pleno centro do Vaticano.

Alfonso conseguiu sobreviver, escapando para os aposentos de Lucrécia. Enquanto estava convalescendo, o medo de um novo atentado era tão grande que a própria mulher, juntamente com a cunhada Sancha, preparavam as refeições. Certa noite, houve um descuido e Michelotto Corella, criado do papa e homem de confiança de César, conseguiu entrar no quarto de Alfonso: o resultado foi o enforcamento.

Lucrécia não ficaria viúva por muito tempo: em 1501, Alexandre VI e César Bórgia propuseram o casamento com Afonso d’Este, filho do duque de Ferrara. O noivo, que se casou por procuração (sem nem ao menos ter conhecido Lucrécia), recebeu um dote de 300 mil florins.

A jovem Bórgia conseguiu recuperar a dignidade pública, mas nunca foi uma mulher fiel: menos de dois anos do casamento com Afonso, Lucrécia estava envolvida com o cunhado, Francisco II Gonzaga, o marquês de Mântua. O relacionamento extraconjugal terminou apenas com a morte do amante, de sífilis, em 1519.

Lucrécia Bórgia ficou notabilizada por uma série de envenenamentos, vocação provavelmente herdada do pai. Consta que ela carregava o veneno em seus muitos anéis. Em 1519, prevendo complicações no parto, Lucrécia escreveu ao papa, pedindo uma bênção oficial. A deferência, no entanto, não chegou a tempo: ela morreu ao dar à luz seu oitavo filho.

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