A pornografia na história

Dos gregos, que se divertiam com esculturas de nus, até os atuais filmes pornô, a pornografia fez – e faz história.

Há cerca de 2.500 anos, em Atenas, os cidadãos gregos se divertiam muito com a pornografia. As representações de sexo e nudez estavam em cada canto. Especialmente nos adereços das procissões em homenagem a Dioniso, o deus do vinho e do prazer, famílias inteiras cantavam hinos recheados de palavrões. Nas casas, vasos, cântaros e até aparelhos de jantar eram adornados com todas as formas de amor erótico.

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Não é para menos: os gregos – e depois, os romanos – não tinham vergonha do corpo, nem do prazer sexual, ao contrário, por exemplo, dos judeus, que também influenciaram a história do Ocidente e introduziram os conceitos de castidade, além de regras para o ato sexual – sempre depois do casamento. Boa parte de nossas vergonhas e tabus neste capítulo são heranças de histórias bíblicas que se perpetuaram nos séculos.

Os gregos também gostavam de criar histórias sobre seus deuses – com muitas características humanas – e seus amores. O caso mais famoso, talvez, seja o de Zeus (o rei dos deuses), que, mesmo casado com Hera (deusa do casamento e da família), teve relacionamentos com muitas deusas e mortais. Zeus não perdoava nada: para obter os favores sexuais da mortal Europa, transformou-se em um touro branco, fez com que ela o montasse, atirou-se ao mar e nadou de Sídon (atual Líbano) até a ilha de Creta.

Afrodite (Vênus na mitologia romana), a deusa da beleza, era casada com Hefestos (Vulcano), deus da tecnologia, mas teve um relacionamento com Ares (Marte), deus da guerra. Desta união ilícita, nasceu Eros, o deus do amor. Vamos ficar apenas com estes exemplos.

Os bordéis das cidades-Estado gregas e de Roma são ricos em afrescos pornográficos, como nus e variações sexuais. Em Pompeia e Herculanum (sul da Itália), destruída no ano 79 pelo vulcão Vesúvio, mas muito bem preservadas pela própria lava que soterrou estas cidades em segundos, os desenhos das fachadas aparentemente apresentavam os serviços oferecidos. Falos e testículos desenhados nas calçadas indicavam o caminho para os prostíbulos.

A pré-história da pornografia

Muito antes dos gregos, no entanto, o homem já cultuava divindades relacionadas à fertilidade e à potência sexual. As representações da deusa-mãe, símbolo da fecundidade e do parto, são comuns a diversas culturas, como os chineses, indianos, egípcios, sumérios, caldeus, assírios e babilônios (e, muito tempo depois, a povos europeus e americanos).

Outros símbolos explícitos, encontrados em escavações arqueológicas do Período Paleolítico (que se estende desde a época em que nossos ancestrais começaram a produzir artefatos de pedra até cerca de dez mil anos atrás), são esculturas dos órgãos sexuais, do ato sexual propriamente dito. Nossos ancestrais aparentemente confundiam a fecundidade dos casais com as oferendas feitas aos deuses para propiciar colheitas fartas. Sacrifícios, ofertas de grãos, frutas, verduras e legumes e até a prostituição ritual em honra a uma divindade – como Afrodite (Grécia), Freya (países nórdicos), Truran (Etrúria), Ishtar e Astarte (Mesopotâmia).

Em 2005, arqueólogos encontraram a figura de um homem deitado sobre uma mulher, sugerindo fortemente uma relação sexual. O homem foi batizado como Adônis e estudos de datação demonstram que o desenho data de 7.200 anos atrás. O registro mais antigo, no entanto, foi batizado como Vênus de Willendorf, também na Alemanha, que foi esculpido há 30.000 anos. Para os padrões atuais, no entanto, esta Vênus não é nada atraente.

A pornografia no tempo

Uma das principais obras ilustradas sobre sexo e prazer é o Kama Sutra, livro indiano escrito entre os séculos III e IV da Era Cristã. Não é pornografia para os padrões orientais, mas suas 527 posições sexuais provocaram escândalo e furor na Europa quando surgiu a primeira tradução para o inglês. Os ocidentais não estavam interessados em sexo e espiritualidade: queriam apenas se deleitar com as ilustrações do intrigante livro.

Apesar de fortemente perseguida após a instituição do Cristianismo a religião oficial do Império Romano – e principalmente depois que a luxúria foi considerada um pecado capital, por afastar os homens de Deus –, a pornografia se manteve, bastante tímida, durante toda a Idade Média. As coisas começaram a mudar com a publicação de “Decameron”, de Giovanni Boccaccio, escrito entre 1349 e 1351.

No livro, o autor narra cem histórias de aventuras envolvendo três homens e sete mulheres reunidos em uma casa isolada. Os personagens contam peripécias do sexo entre sátiras às autoridades eclesiásticas (entre elas, a de um jardineiro que se fingiu de mudo para arranjar emprego em um convento; lá, ele transou com todas as freiras e noviças). Para azar de Boccaccio, porém, um dos poucos a ter acesso ao livro (na época, os livros eram copiados manualmente e muito caros; além disto, a maioria da população era analfabeta) foi um sacerdote, que o acusou de heresia e passou a persegui-lo.

O escritor escapou da fogueira, mas teve que passar o restante da vida no vilarejo de Bertaldo, onde morreu em 1375. “Decameron” foi levado ao cinema pelo diretor Pierpaolo Pasolini, em 1970, provocando mais um escândalo.

Apenas a partir do século XV, os artistas aproveitaram um relaxamento do poder cristão e deixaram escapar alguns pelados em suas telas. Um exemplo do período renascentista é “O Nascimento de Vênus”, de Sandro Botticelli, em que o pintor retrata uma mulher nua e volumosa saindo do mar (a tradição afirmava que Vênus surgiu de dentro de uma concha de madrepérola, tendo sido gerada pelas espumas do mar).

A tolerância com os renascentistas. Com a Contrarreforma, os católicos reconquistaram muitos territórios e boa parte dos príncipes protestantes se rendeu ao puritanismo. A pornografia foi colocada mais uma vez à margem da arte considerada elegante e digna de ser admirada.

Com o avanço da imprensa, surgiram muitos almanaques pornográficos. Da Europa, eram trazidos para a América, para delírio dos adolescentes – e de alguns um pouco ou muito mais velhos. Surgiram também manuais médicos que demonstravam os “males” da masturbação, que iam do crescimento de pelos na palma da mão até a completa loucura.

No século XVIII, com o Iluminismo, a pornografia ganhou novos defensores. Surgiram sociedades para a promoção da liberdade – inclusive sexual. Artistas, intelectuais e libertinos defendiam não apenas o prazer sexual: eles também se insurgiram contra toda uma série de regras e preceitos ditados por uma religião que consideravam reacionária.

O marquês de Sade, nascido em 1740, um dos expoentes do movimento, tornou-se um ícone da pornografia. “Juliette”, “Os 120 Dias de Sodoma” e “Crimes de Amor” fazem sucesso até hoje. Foi preso na Bastilha, acusado de estupro, violência sexual e de participar de orgias. O marquês acabou morrendo abandonado, em um hospício.

Entre os autores de pornografia da época, estavam escritores que ajudaram a delinear a democracia moderna: Denis Diderot dala de sexo em “Les Bijoux Indiscretes”; Charles Louis de Secondat, mais conhecido como Montesquieu, resvala no mesmo assunto em “Le Temple de Cnide”. Jean Jacques Rousseau e Voltaire (François Marie Arouet) também escreveram sobre sexo.

A nova era

No século XIX, com a invenção da fotografia, surgiu um momento de expansão da pornografia. As máquinas de impressão fotográfica tornaram a produção muito mais barata e fotos de mulheres nuas começaram a ser vendidas nas principais cidades do mundo.

Em 1896, um ano depois de os irmãos Auguste e Louis Lumière estrearem seu novo invento – o cinematógrafo, precursor do cinema –, a sétima arte também se rendeu à pornografia. Os filmes mostravam atrizes se despindo para a câmera: mais um escândalo – e uma imensa fonte de lucro. As produções eram baratas, quase nada mostrando, mas faziam muito sucesso entre os homens. Tanto que, anos depois, os “cineastas” passaram a produzir filmetes de sexo explícito com duração de sete a 15 minutos – chamados de “filmes para rapazes”.

Um dos mais antigos de que se tem registro é “Free Ride” (Carona), que mostra as peripécias de um rapaz que dá carona para duas jovens e acaba transando com elas sob uma árvore. Os principais polos cinematográficos de filmes eróticos dessa época foram França, EUA e Argentina.

Nos anos 1930 e 1940, o Congresso americano aprovou duras leis contra a pornografia e os filmes eróticos rarearam bastante. O que antes era explícito (e não ficam a deve em nada aos atuais filmes pornô) passou a ser apenas insinuado. Foi a senha para que todas as médias e grandes cidades americanas inaugurassem as peep shows, onde espectadores pagavam para ver mulheres dançando ou tirando parte da roupa. Poucos diretores a filmar filmes comerciais: a pornografia ficou restrita a cinemas clandestinos e bordéis, onde as batidas policiais eram frequentes.

As mídias mais comuns para divulgação de pornografia continuam sendo o cinema, as revistas para adultos e, mais recentemente, a internet. Apesar da onda de pornôs que invadiu cinemas de todo o mundo (inclusive o Brasil) nos anos 1980 e 1990, o faturamento da indústria é hoje 20 vezes maior do que nesta era de ouro.

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