A origem do sobrenatural

Tudo o que não encontra explicação racional pertence ao campo sobrenatural. Conheça a origem.

Há centenas de milhares de anos, um de nossos ancestrais olhou para o céu e tentou entender o que significavam as estrelas, a Lua, o Sol. Em outro momento, uma tempestade castigava a terra e, em certo momento, um raio riscou o firmamento e incendiou uma árvore. Aquele certamente era um deus poderoso. Esta é a origem do sobrenatural.

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Mesmo com a racionalidade que permeia as atividades humanas ao menos desde o século XIX, a ciência continua caminhando ao lado das explicações que afirmam a existência de deuses, anjos, demônios e monstros. Continuamos usando o sobrenatural para explicar o que não conseguimos entender e, por este motivo, ainda tememos.

 A origem do sobrenatural

No início das organizações de fé e crenças da humanidade, não haviam sido desenvolvidos rituais, nem ocorrera a centralização da liderança espiritual na pessoa de um xamã ou pajé, por exemplo. É possível que, em um primeiro momento, indivíduos que detinham conhecimentos sobre plantas fitoterápicas (com poderes curativos) tenham sido identificados como mensageiros das divindades.

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Mesmo assim, as divindades ainda não estavam estabelecidas. As forças naturais eram adoradas e temidas: o Sol permitia o aquecimento dos corpos (e, mais tarde, o desenvolvimento das plantas). Quando ele não aparecia no céu, a morte rondava os primeiros acampamentos. Por outro lado, quando surgia forte demais, também provocava destruição.

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Água, terra, fogo e ar, os quatro elementos da natureza.

A água fornecia alimento, bebida, higiene, rega para as plantas. No entanto, ela podia precipitar-se do firmamento com força excessiva, gerando medo e morte. Em outras situações, ela deixava o seu leito, causando tragédias em todos os pontos que ficavam inundados.

A personificação

No Período Paleolítico, apesar de já ter desenvolvido grande inteligência, os hominídeos pouco se diferenciavam de outras espécies animais. Apesar dos desenvolvimentos tecnológicos, como a roda, a cerâmica, a domesticação do fogo e dos animais, a agricultura e outros saltos, a humanidade era frágil em relação a diversos predadores.

As cobras são um exemplo arquetípico. Elas simbolizam queda e aniquilação. Muitas culturas passaram a venerar estes répteis, enquanto outros grupos humanos transformaram-nos em seres maléficos. Foi uma serpente que tentou Eva, a primeira mulher, a comer a fruta da árvore do conhecimento do bem e do mal (ela também ofereceu a Adão, seu marido).

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Apesar da escassez de evidências, até o Paleolítico superior (entre 300 mil e 11 mil anos atrás), período caracterizado pela sedentarização garantida pelas formas primitivas de agropecuária, não há muitos registros de preocupação com rituais para entrar em contato com o sobrenatural.

Arqueólogos encontraram representações de animais, mulheres com grandes seios (símbolos da maternidade), pinturas rupestres representativas de caçadas. O homem se preocupava com as necessidades cotidianas, provavelmente sem tempo para uma religião institucionalizada.

 Os primeiros ritos

A formação do núcleo familiar também não ocorreu com um passe de mágica. Os núcleos humanos se uniam em torno da defesa do território, do pastoreio (reservadas aos homens) e das atividades de plantio e cuidado com os filhos (tarefas das mulheres).

Esta primeira divisão social do trabalho pode ter gerado os primeiros ritos de passagem, mas também deve ter colaborado para o estabelecimento de uniões monogâmicas, apesar de este não ser um conceito universal.

Por outro lado, os primeiros grupos humanos quase certamente se organizaram de forma matriarcal – a provável origem da deusa mãe. Na época, a paternidade ainda era desconhecida e a mãe, com seu poder quase sobrenatural de gerar filhos deveria ter um status privilegiado.

Foram encontradas evidências de cerimônias para “promover” as crianças a adultos membros da tribo. Inicialmente, nada mais eram do que simulações de caça, pesca, em uma espécie de curso intensivo para as atividades masculinas.

As meninas treinavam moldando o barro para fazer utensílios, retiravam ervas daninhas das hortas e cuidavam das crianças menores. Até a atualidade, boa parte dos brinquedos para confirmar os estereótipos de nossos ancestrais: os garotos ganham bolas, carrinhos, trens, aviões. Às meninas, restam as bonecas (um treinamento para a maternidade – ou para se tornarem patricinhas), fogões, utensílios domésticos, tudo para que se tornem “boas donas de casa”.

Vale lembrar que, até a Idade Moderna, a humanidade praticamente desconheceu a existência da adolescência. Meninos estavam prontos para o acasalamento depois da primeira ejaculação e meninas, a partir da primeira menstruação.

 Primeiros deuses: reduções do inexplicável

Com o passar do tempo, os elementos naturais, que, para a humanidade, pareciam agir sem seguir qualquer orientação lógica, ganharam contornos personalizados. O homem, no entanto, não tinha outro modelo de inteligência além dele mesmo. Desta forma, as deidades ganharam caracteres humanos: surgia o antropomorfismo (a atribuição de características humanas a seres não humanos).

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Paulatinamente, com a sofisticação das civilizações, os deuses se tornaram cada vez mais semelhantes às suas criaturas, com virtudes e defeitos, qualidades e vícios. A diferença foi estabelecida em relação ao potencial: se um homem era forte, os deuses deveriam ser infinitamente fortes. Por outro lado, a ira humana foi multiplicada na reação das divindades.

O sobrenatural presente nas religiões antigas transferiu-se para outras manifestações culturais, como a poesia e o teatro. Com a transferência dos deuses para as festas populares, a maioria das populações praticamente esqueceu o caráter que gerou as divindades (Zeus, por exemplo, era originalmente o deus do raio; Cronos era a personificação do tempo).

 

Este fato ocorreu em todas as civilizações da Ásia e Europa: japoneses, chineses, indianos, sumérios, caldeus, assírios, babilônios, gregos e romanos são bons exemplos. Outras regiões do planeta, no entanto, não deixaram registros escritos, o que não nos permite afirmar que este tenha sido um caminho único para a raça humana.

 A dualidade

As primeiras civilizações – muitas cidades-Estado de pouca expressão e poucos impérios – não precisaram criar um ser maléfico responsável pelas calamidades naturais, invasões, saques e guerras. Seus próprios deuses nacionais, quando irados, vingavam-se. A explicação para o sobrenatural era tão simples como a nossa capacidade de reflexão.

O desenvolvimento da ideia dos demônios é, na verdade, ao menos no Ocidente, uma sofisticação do sobrenatural. O primeiro conceito sobre a dualidade entre o mal surgiu na Pérsia. O profeta Zaratustra desenvolveu uma doutrina positiva, afirmando que o princípio benéfico estava destinado a vencer, mas era necessário que a humanidade se esforçasse para derrotar o mal.

Estava criada a primeira religião monoteísta, que influenciou todas as demais. O zoroastrismo acreditava na chegada de um Messias no final dos tempos, na batalha final entre as forças maléficas e benéficas e na redenção dos homens que se esforçassem por resistir às coisas mundanas.

O sobrenatural, no entanto, não deu tréguas. O conhecimento humano continuou (e continua) limitado. A maioria das igrejas relativizou o monoteísmo, transferindo atividades para santos, anjos e mensageiros da divindade.

A ciência avança a passos largos. Retirou o homem do papel de personagem central da Terra, a Terra do centro do universo, vem rediscutindo conceitos de inteligência. As humanidades, ciências exatas, biológicas, de saúde, a par com a tecnologia, vem desbravando horizontes jamais sonhados.

Apenas um exemplo: há 150 anos, o homem desconhecia a existência dos microrganismos. Atualmente, desenvolve vacinas e combate com eficiência as doenças fúngicas, virais e bacterianas. Mesmo assim, o sobrenatural resiste em suas trincheiras.

Na verdade, a humanidade ainda não conseguiu responder a algumas perguntas fundamentais: o que eu sou? De onde eu vim? Para onde eu vou? Muitos indivíduos se recusam a entrar neste campo de discussão, mas a maioria aspira por um motivo concreto para a existência. Este motivo, até este momento, continua sendo sobrenatural. Como disse William Shakespeare, através de seu personagem Hamlet, “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.

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