A fruta do milagre

Originária da África ocidental, a fruta do milagre tem o poder de mudar o paladar em relação ao amargo e ao ácido.

É isto mesmo: a fruta do milagre é capaz de modificar a degustação, por exemplo, de chupar um limão. Ele se torna doce, da mesma forma que uma “dose” de vinagre fica altamente palatável se for ingerida depois desta fruta extraordinária. E o efeito não dura apenas alguns segundos: a miraculina, substância encontrada na polpa da fruta do milagre, é responsável por um efeito que dura até duas horas depois do consumo. Ela apresenta o poder de neutralizar os sabores amargo e ácido dos alimentos.

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A fruta do milagre é nativa da costa da Guiné e especialmente abundante na Nigéria. Ela começou a fazer sucesso em festas nos EUA à base de drogas – especialmente o ácido lisérgico, ou LSD, por neutralizar o gosto ruim dos “selinhos” (a forma em que o LSD é oferecido aos usuários). Muito rápido, no entanto, ela se popularizou e já está espalhada em muitos pomares e canteiros do Brasil.

Produtores afirmam que a fruta do milagre, que tem o tamanho de uma azeitona pequena, só tem efeito até poucas horas depois que amadurece: ela nasce como uma baga verde e adquire tons avermelhados poucos dias depois. Mas não é verdade: ela pode ser consumida até uma semana depois de amadurecer sem perder os efeitos de neutralização obtidos nos primeiros dias. O importante é ocultá-las em saquinhos plásticos para que passarinhos e insetos polinizadores.

Sabores modificados

A fruta do milagre quase não tem sabor. Ela é vermelha, tem o tamanho de uma azeitona pequena e lembra o sabor de um grão de café, talvez um pouco mais doce, sem amargor nem acidez. Alguns degustadores mais atentos poderão observar um leve aroma adocicado. A semente não tem interferência em nada e pode ser totalmente desprezada.

No entanto, depois de comer a fruta do milagre, chega a surpresa: chupar um limão lembra a sensação de chupar uma laranja doce: é um grande efeito. Esperando o azedo, chega às papilas gustativas uma sensação de doce – aliás, de muito doce. O poder da fruta dura até duas horas, coibindo a ação dos receptores de acidez e amargor.

Uma das principais funções da fruta do milagre está na indústria farmacêutica: cientistas criaram um novo processo de conservação a vácuo (a frutinha é altamente perecível e extremamente suscetível a alterações climáticas) e acrescentaram os frutos congelados ao excipiente dos medicamentos, reduzindo o sabor amargo e facilitando a vida dos pacientes (inclusive com a redução do sabor metálico, comum a doentes submetidos a tratamentos quimioterápicos).

Adoçantes para diabéticos também estão sendo desenvolvidos a partir da frutinha. Na indústria alimentícia, as pesquisas se concentram na produção de sobremesas com menor teor calórico, sem perda do sabor, graças ao uso da miraculina, substância presente em altas doses na fruta do milagre. Pesquisadores da Universidade da Flórida (EUA) já conseguiram isolar o gene da miraculina e introduzi-lo em tomates e morangos transgênicos.

O mapa dos sabores

Nas aulas de anatomia básica do ensino básico, aprendemos que o doce é percebido pela ponta da língua, o salgado na parte da frente das laterais, o azedo imediatamente atrás, o amargo próximo à raiz do órgão e o umami (o gosto do aji-no-moto) na área central.

Isto, no entanto, é um mito que se perpetua há décadas, em função de um erro de tradução de um trabalho sobre o paladar (do alemão para o inglês). Na verdade, as papilas gustativas de toda a língua são capazes de identificar os cinco sabores fundamentais, apesar de haver regiões mais sensíveis a este ou àquele gosto específico.

Além disto, a percepção do paladar é consideravelmente influenciada pelos aromas, que se mesclam e alteram tanto a gustação quanto o olfato. A fruta do milagre tem a capacidade de neutralizar a recepção dos sabores azedos e amargos em toda a extensão da língua.

O início da fruta do milagre

Tudo começou em Nova York (EUA), com as flavour tripping parties (algo como festas de viagem por sabores). Cada convidado recebia uma baga da fruta do milagre ao chegar ao local da recepção e, por algumas horas, participava da degustação de alimentos e bebidas amargos e azedos. Há quem garanta que uma cerveja preta amarga passa a ter o gosto de sorvete de chocolate e um limão espremido passa imediatamente a ser uma limonada – sem adição de açúcar, para quem precisa entrar em forma.

Em pouco tempo, as festas de degustação, que chegam a ter um toque psicodélico (mas sem os prejuízos causados pelas drogas, como o ácido lisérgico), se espalharam por todo o país e, de lá, para praticamente todo o Ocidente. A fruta do milagre, porém, não está acessível a todos os bolsos: uma única baga chega a ser vendida por R$ 5.

Apesar de muitos anfitriões insistirem em afirmar que o efeito só é obtido nas primeiras horas depois que a fruta do milagre se torna vermelha, a neutralização do amargo e do azedo perdura por três dias ou mais, em boas condições de conservação.

A fruta do milagre já é cultivada em diversos Estados brasileiros. As condições para o desenvolvimento das plantas são semelhantes às necessidades de frutas cítricas. As árvores levam alguns anos até proporcionar as primeiras colheitas.

Os agricultores afirmam que os pomares chegam a produzir três safras por ano e cada árvore oferece cerca de mil bagas em cada safra. Com a popularização da fruta do milagre, os preços devem se tornar mais baixos.

Efeitos colaterais da fruta do milagre

Apesar da alta concentração de miraculina na fruta do milagre (três mil vez mais forte do que a encontrada em outras fontes da substância), ela só é contraindicada para quem tem problemas de alergia a proteínas. Algumas pessoas mais sensíveis podem sentir náuseas ou suor frio, especialmente nas primeiras ingestões, mas os desconfortos são leves e passageiros.

Algumas pessoas que experimentaram a fruta do milagre relataram ter acordado na manhã seguinte com uma sensação semelhante à ressaca.

Outras observaram a erupção de aftas na língua e nas gengivas. O maior problema, no entanto, parece não estar no consumo da fruta, mas no exagero do consumo de alimentos amargos e azedos, que se tornam muito mais palatáveis.

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